Quanto custa viajar para Itacaré?

Sou dessas que ama planejar viagens. Vivo pesquisando lugares para conhecer, olhando preços de passagens, lendo blogs de viagem, é quase um vício. Tenho todos os feriadões do ano mapeados na cabeça e tento sempre reservar um dinheirinho por mês para ir conhecer os lugares que estão em minha lista de “próximos destinos”.

Uma parte fundamental do planejamento é o orçamento. A menos que você seja uma pessoa de recursos ilimitados, não dá para planejar viagens sem ter ao menos uma estimativa de gastos. Por isso sempre gosto de fazer um levantamento de custos genéricos dos locais a serem visitados, assim fico mais segura para saber quanto dinheiro tenho que guardar em um mês, para poder viajar no mês seguinte.

Já falei aqui sobre o meu hábito de anotar todos os gastos durante as viagens e também compartilhei uma ferramenta bem legal para estimar custos, o Quanto Custa Viajar?. Decidi postar aqui a lista dos meus gastos durante a viagem de Itacaré, para facilitar a vida de quem está planejando ir para lá.

Esses custos são referentes à viagem que fiz recentemente, no feriadão de outubro/2017.

Quanto custa a hospedagem?

Apesar de ser um lugar pacato, Itacaré tem uma estrutura turística boa, com muitas opções de hotéis e pousadas, o que contribui para uma variedade maior de preços da estadia. Tem várias pousadinhas muito bem avaliadas no Booking.com e no Tripadvisor que oferecem preços muito bons, até mesmo em períodos de pico, como nos feriados. Nós pagamos R$ 405 por 3 noites (R$ 135 a diária), para o casal, com direito a café da manhã, quarto com ar condicionado e muito papo e orientações turísticas dos donos da pousada (kkk). O nome da pousada é Encantos da Mata.

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Quanto custa a alimentação?

Itacaré também tem muitas opções de restaurantes, com preços variados. Coloco aqui alguns exemplos, para que você possa fazer uma estimativa:

  1. Jantar com mix de mariscos e bebidas, para dois – R$ 113,00
  2. Almoço moqueca de camarão em restaurante, para dois, com suco – R$ 91,00
  3. Lanche com tapiocas e omelete para dois em restaurante- R$ 16,90
  4. Almoço Peixe com farofa de banana na praia de Jeribucaçu (famoso!) – R$ 50,00

Quanto custam os passeios?

As praias urbanas de Itacaré (Ribeira, do Costa, Tiririca e Resende) ficam a uma distância caminhável do centrinho, então são passeios custo zero, exceto pelas compras de lanches e água em mercadinhos, para levar.

As praias mais distantes são acessíveis de carro, e pode ser necessário pagar estacionamento. O estacionamento em Jeribucaçu custa R$ 10,00 o dia todo. Em Itacarézinho o valor sobe para R$ 30,00. Nas praias do Havaizinho e Engenhoca dá pra achar estacionamento gratuito, mas ás vezes aparecem uns “flanelinhas” pedindo gorgeta.

O passeio de Rafting em Taboquinhas custa R$ 60,00 por pessoa, sem o transporte. Com o transporte até taboquinhas (a 30km de Itacaré) o preço sobe para R$ 80,00 por pessoa.

Quanto custa o transporte?

Fomos de carro para Itacaré, saindo de Salvador, em uma viagem de 5h. Há a opção de pegar o ferry boat, mas fizemos todo o caminho por terra, e gastamos aproximadamente R$ 300,00 de gasolina para fazer as viagens de ida e volta e os passeios até as praias e até Taboquinhas.

Para quem vai para Itacaré partindo do aeroporto de Ilhéus, eu recomendo alugar um carro para o período, assim fica mais fácil de fazer os passeios sem depender das agências de turismo.

Gastos totais para quatro dias

Em resumo, nossos gastos totais foram

  • Comida e Passeios (por pessoa): R$ 220,00
  • Transporte (para 2): R$ 330,00
  • Hospedagem (para 2): R$ 405,00

No fim das contas, considerei que foi uma viagem baixo custo. Gastamos uns 588 reais por pessoa, o que dá menos de 150 reais por dia.

Confere lá no insta as fotos de Itacaré!

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Itacaré, o Paraíso Baiano.

Sempre tive vontade de conhecer Itacaré, mas queria ir com tempo para fazer tooda a programação que a cidade oferece e ainda circular um pouco pelas vizinhanças, pois tinha pesquisado e sabia que havia muuita coisa legal pra fazer por lá.

No último feriadão, em outubro, pegamos o carro e partimos para uma aventura de quatro dias em praias e cachoeiras maravilhosas, a apenas 6h de Salvador.

Itacaré é uma cidade pequena, mas com ótima infraestrutura turística e não tão concorrida quanto outras localidades turísticas na Bahia. Mesmo no feriadão, o movimento lá estava bem tranquilo e deu para aproveitar bastante os passeios, sem concorrência.

Já na estrada, paramos na Cachoeira da Pancada Grande, nas proximidades da cidade de Ituberá, a 80 km de Itacaré. Há muitas outras placas de cachoeiras pelo caminho, mas paramos apenas nessa, que é a mais famosa. Numa próxima oportunidade, quando formos com mais tempo, iremos conhecer as outras também.

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Pancada Grande, Ituberá.

Chegando em Itacaré, fizemos um passeio pelas “praias urbanas”, que não precisam de trilha para acessar. Essas são as praias mais movimentadas, justamente pela facilidade de acesso. Ainda assim, o movimento estava bem tranquilo, exceto no domingo, que é quando o pessoal local leva a família e a farofa para a praia, hehe.

As praias urbanas são a do Costa, Tiririca, Ribeira e Resende. Com exceção da Ribeira, todas são pequenas e sem muita estrutura, mas formam uma bela paisagem, junto aos montes de mata atlântica abundante que ficam nas extremidades. A Ribeira tem um bar no meio da praia e uma piscina artificial de água doce. É bem lá que a farofa acontece.

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Praia da Ribeira.

Mais distante, já fora da cidade, ficam as praias mais paradisíacas de Itacaré. Fomos a todas de carro, estacionamos nas proximidades e fizemos as trilhas para chegar às praias. As praias do Havaizinho e Engenhoca tem as trilhas mais fáceis, coisa de 10 min andando na sombra das árvores. Já para chegar às famosas Jeribucaçu e Prainha, as trilhas exigem mais disposição e são mais demoradas.

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Havaizinho.

Gostaria de falar especialmente da Prainha. Essa trilha foi o ponto alto da nossa ida a Itacaré. Começamos pelo caminho sinalizado na praia da Ribeira, onde ficam sempre alguns guias oferecendo o serviço. Não faço ideia de quanto eles cobram, pois decidimos fazer por conta própria, mas acredito que seja uma boa negociar um preço bacana e fazer a trilha com orientação, pois não é muito fácil de se localizar e tem muitas bifurcações. Demoramos mais de 1h pra chegar, mas valeu a caminhada porque a praia é simplesmente ma ra vi lho sa! Sem falar que nunca fica cheia, pois não é todo mundo que topa o desafio de ir. Na volta ainda paramos em uma cachoeira muito gostosa que fica bem no caminho, para tomar um banho de água doce e relaxar da praia. Essa trilha é tudo de bom!

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Trilha da Prainha.

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Cachoeira da Prainha.

Mais uma praia famosa de Itacaré, a Itacarezinho, é outra que não precisa fazer trilha. Entretanto, como o acesso é feito por uma propriedade privada de um resort, é preciso pagar 30 reais para entrar de carro e estacionar no local. Pedestres entram gratuitamente, mas tem que enfrentar uma ladeira desgraçada. O bar do resort, que fica à beira da praia, é acessível mediante o pagamento de 50 reais de consumação.

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Itacarezinho.

Outra atividade legal que fizemos foi o Rafting em Taboquinhas. É uma atividade bem divertida e que dura a manhã inteira. Fizemos com a Brasil Trip Tours, que nos ofereceu um preço abaixo das outras agências. Pagamos 60 reais por pessoa. Fomos de carro próprio até Taboquinhas, mas a agência também fazia o pacote completo com transporte por 80 por pessoa.

Nossa hospedagem foi na Pousada Encantos da Mata. Adoramos nossa escolha, pois a estadia foi bem tranquila e aconchegante. A pousada tem apenas 5 quartos e fica próxima à Praia da Concha, em uma ruazinha sem saída e de terra batida, bem sossegada. Esdras e Jéssica, donos da pousada, são super atenciosos e amam dar dicas de coisas legais para fazer por lá! O café da manhã também é sucesso e tem bolinho de estudante, ou seja.

Além de visitar todas as praias e algumas cachoeiras, também fomos ver o pôr-do-sol na ponta do Xaréu, na Praia da Concha. Um lugar lindo para terminar um dia de aventuras em Itacaré.

E aí, ficou curiosa(o) para conhecer Itacaré? =)

Tem mais fotos de Itacaré no Insta do blog. Segue lá!

Vale do Pati, um lugar necessário.

Sabe aquelas viagens de última hora, que a gente programa com um ou dois dias de antecedência, meio sem acreditar que vai dar certo e que no final acabam se tornando inesquecíveis? A minha ida ao Pati foi bem assim.

Cheguei em Lençóis, na Chapada Diamantina, antes das 6h da manhã e fui direto para o hostel que tinha reservado algumas horas antes de pegar o ônibus na rodoviária de Salvador. Apenas deixei a modesta mochila no guarda-volumes e parti para o centrinho, onde estão localizadas várias agências de turismo e fiquei por lá, sentada na calçada aguardando que elas abrissem, pois ainda eram 7h da manhã. Agoniada, eu?

Para o meu quase desespero, nenhuma delas tinha grupo montado para fazer a trilha do Pati (fui em todas as 1.487.387.839 mil agências de Lençóis) e o valor para fazer sozinha com o guia estava entre 1,8 e 2 mil. Não vou contar toda a saga aqui, mas no fim das contas acabei conhecendo um cara que trabalhava em uma das agências que não tinha grupo, mas tinha um filho que conhecia um “coroa” que conhecia um guia que tinha um grupo montado para partir na madrugada do dia seguinte. Acertei tudo com o “coroa”, que me cobrou extremamente abaixo do que tinha pesquisado em todas as agências, e na manhã seguinte parti para a minha tão desejada aventura.

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A trilha do Pati que eu fiz durou quatro dias. Paguei 600 reais pelo pacote, que incluía o pernoite na casa dos nativos, a alimentação (café da manhã, almoço, janta e lanches) e um guia ma-ra-vi-lho-so, nativo e super disposto, que alegrou nossa viagem e ficou mega animado para guiar um grupo só de meninas! Não foi nada combinado, apenas o acaso, que acabou por juntar cinco meninas aleatórias em uma mesma trilha. Três francesas (duas vieram juntas), uma italiana e eu, a brasileira.

Para a trilha do Pati é preciso que se leve apenas o estritamente necessário, pois todas as comidas para a alimentação do grupo durante os dias de trilha são divididas entre as mochilas de todo mundo, o que significa algumas horas subindo e descendo montanhas com um monte de arroz, lata de atum, pão, biscoito, etc, nas costas, além de suas roupas, meias e outras porcarias pessoais.

A dormida no Pati é feita em barracas de camping ou na casa dos nativos, que recebem os trilheiros por um valor baixo e lá eles tem acesso a uma cozinha comunitária, banheiros e camas para descansar o corpo das andanças. São poucas as pessoas que moram no Vale e o estilo de vida lá é bem pacato. Nem sonho de sinal de celular, nenhum acesso a nada e tudo é muito distante. Para comprar comida no mercado é necessário primeiro vencer o paredão de montanhas que esconde o Vale, e depois aguentar o peso no caminho de volta. Alguns nativos fazem uso de burros para transportar compras e outras coisas.

A beleza natural encontrada no Vale do Pati é sem igual. A dificuldade de acesso faz com que o lugar se torne “protegido” da interferência humana e, na maior parte das trilhas que fizemos, foi como se tivéssemos o lugar todo pra nós. Acordávamos bem cedo para tomar o café da manhã que o nosso guia-cozinheiro preparava para nós (teve até bolo de chocolate um dia lá), depois partíamos para as andanças, subidas e escaladas até algum morro, depois andávamos bastante novamente até a beira de alguma cachoeira, onde parávamos para tomar banhos geladíssimos e lanchar, depois partíamos para mais suadeira até outro lugar bacana e assim passava o dia, até o entardecer.

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A viagem ao Pati não tem roteiro definido. Fomos montando a programação junto com o nosso guia, íamos decidindo aos poucos, conforme o dia ia acontecendo. A única parte não negociável era a ida ao Cachoeirão, que tinha que ser feita na nossa última tarde no Vale, pois o guia queria guardar a melhor parte para o final. “Eu quero ver só a cara de vocês quando a gente chegar lá.”

A trilha do Pati pode ser feita a partir de algumas cidades da Chapada Diamantina, e cada um desses caminhos de entrada ou saída mostram paisagens com encantos diferentes e experiências distintas. Mais do que aventura, o Vale do Pati é um local de contemplação e de reflexão. As trilhas não são fáceis e, muitas vezes, podem ser bastante longas. O fato de estar carregando nas costas tudo o que você precisa para “sobreviver” traz uma série de pensamentos e associações que a gente leva para a vida. É uma viagem que é para ser feita algumas vezes na vida e eu não vejo a hora de voltar.

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Viajando de Barco de Manaus a Santarém

Depois de passar uns dias em Manaus, fiz uma viagem de barco para chegar a Santarém, no Pará. Já tinha pesquisado muito sobre a cidade, li alguns relatos de viagens por lá e fiquei com muita vontade de conhecer. O objetivo não era ficar em Santarém mesmo, que não tem tantas atrações, mas sim ir até a vila de Alter do Chão e passar uns dias por lá, em contato com a natureza e nas belas praias de água doce.

As viagens de barco no norte são o meio mais usado de transporte do povão. As pessoas viajam muito de barco para ter atendimento médico e para buscar emprego. Há poucos turistas nesse tipo de transporte. Além de transportar a população, os barcos são o principal meio de transporte de mercadorias. Junto com as pessoas, são levados alimentos, grandes carregamentos de frutas, móveis e até veículos. No nosso barco foi um carregamento de orquídeas também.

O barco é do tipo ferry boat, bem grande, com três andares, sendo que no terceiro há um bar com som 24h, que, no meu caso, só tocava Marília Mendonça o dia TODO. Não há cadeiras, apenas suportes no teto para amarrar as redes. Quem for viajar de barco precisa comprar a rede antes. No centro de Manaus, que fica próximo ao porto, há muitas lojas que vendem redes. Há redes de todo tipo e tamanho, incluindo modelos para casais. Comprei a minha por 30, com as cordas de amarrar.

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Ferrys 

O barco tem um restaurante que vende café da manhã, almoço e janta por um preço baixo. Em alguns portos também tem vendedores ambulantes que comercializam quentinhas, mingau, lanches e sucos. No primeiro dia, comprei uma quentinha pra almoçar por 10 reais. Ah, o barco também tem uns poucos quartos privativos com beliches, mas são bem mais caros que a passagem normal, tipo o dobro do valor.

Ainda em Manaus, fui até o porto atrás do mercado Adolfo Lisboa e comprei minha passagem com um dos agentes que ficavam por lá (amigo do carinha que me vendeu o tour do boto). Não cheguei a pesquisar preço nas agências lá do centro, pois assumi que sairia mais caro do que comprar diretamente no porto. Não lembro exatamente quanto custou o ticket, mas acho que foi algo em torno de 130 reais (2016). Comprei no dia anterior ao da partida e perguntei ao vendedor que horas o barco saía. Ele me respondeu que a partir das 7h já poderia entrar para “pegar o lugar da rede”, mas que deveria partir lá pras 10:30h. Segundo ele, se eu chegasse ao barco antes das 9h estaria ótimo, pois encontraria um lugar bom e não esperaria tanto. Mal sabia eu que esse era o cenário ótimo, ideal, desprezando a existência do atrito e a aceleração da gravidade.

O cenário real naquela manhã de uma quarta-feira ensolarada foi o seguinte: Cheguei ao porto de Manaus, mochilão nas costas, rede pendurada no pescoço como um cachecol, livro e sacola de lanches na mão, e fiquei andando de um lado para o outro, procurando o meu barco, que parecia não ter chegado ainda, apesar de já serem quase 9h. Depois de pedir ajuda a uma moça que estava passando e que parecia entender das coisas, fiquei sabendo que o meu barco estava estacionado atrás de um outro barco maior, o Amazon Star, por isso eu não o estava enxergando. Perguntei em qual momento que o barco viria para a frente, para que eu pudesse entrar. Inocentona. O acesso ao barco seria passando por dentro do barco maior e atravessando, até chegar a uma ponte improvisada, que levaria ao barco correto. Acho importante contar esse detalhe aqui, pois o que acabei de narrar é prática corriqueira nesse tipo de viagem. Passei pela mesma situação em minha segunda viagem de barco algum tempo depois, saindo de Santarém, mas aí eu já estava mais sábia e não tive grandes dificuldades.

Quando cheguei ao barco, percebi que estava LOTADO. Subi para o andar de cima em busca de mais espaço, mas não encontrei. Subi mais um andar e nada. Tinha rede amarrada até nos corredores. Desci novamente e encontrei um meio espaço lá no fundo. Fiquei meio pensativa, analisando as condições do local, a ventilação, a iluminação para ler meu livro, até que um senhor falou pra eu adiantar o lado e amarrar a rede por ali mesmo, a não ser que eu quisesse viajar em pé. Joguei a mochila no chão e comecei a prender a rede no teto. Estava tão desengonçada que passei a ser observada pelos meus vizinhos de rede. Novata. Um rapaz de bigode que estava bem ao meu lado ficou olhando eu dar meus nós frouxos na corda, tentando prender a rede, mas sem muita esperança de que aquilo fosse dar certo. Naquele ponto, já estava segurando a sacola de comidas com a boca, suando, e o rapaz continuava me observando, paciente. Chegou um momento que ele se cansou, deu uma respirada funda e perguntou se eu queria ajuda. Imagina. Em 10 segundos, o menino amarrou uma ponta e a outra, tão forte que depois eu fiquei pensando “putz, vou ter que deixar essa rede aqui e ir embora, porque tirar ela eu certamente não conseguirei.” Pronto, estava instalada. E também já tinha um amigo, Jaderson, que gostava muitooo de conversar, e que me contou as histórias de toda a sua vida, durante aqueles dois dias de viagem que passamos ali, um olhando pra cara do outro. Quando ele me dava um intervalo, eu lia meu livro.

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Barquinho e as redes. A minha é essa verde-água com rosa da frente.

Fizemos um combinado: cuidaríamos das coisas um do outro. Quando alguém fosse ao banheiro, ou ao bebedouro, ou ao bar, o outro ficaria de olho nas malas. Nesse momento, um outro rapaz que estava ali perto, também sozinho, decidiu se juntar à nossa parceria. Colocamos todas as malas e sacolas juntas e ali ficamos, tranquilos. Antes mesmo de o barco sair, já estávamos dividindo bolo de aipim, suco e biscotinhos de goma. Eu e André ouvíamos enquanto Jaderson, de 21 anos, nos contava porque o seu primeiro casamento não tinha dado certo, e também já dizia o que estava ruim no casamento atual. André nos mostrou fotos de sua família, de seu irmão, que havia falecido no trabalho dois dias atrás, e da carreta que ele ia dirigir quando chegasse a Almerim, seu destino e cidade natal.

Uma coisa importante sobre a viagem de barco: o horário da partida é apenas uma sugestão. Tudo vai depender do tempo que leva para descarregar/carregar o barco, demoras na autorização da marinha, dentre outras coisas. Ah, e também é importante saber que pode acontecer de tudo, e saiba que, o que quer que aconteça, vai atrasar sua viagem. É assim que é e o próprio povo já sabe disso e nem reclama mais. No nosso caso, o barco só foi sair quase às 14h e depois de quase 1h navegando, a marinha mandou a gente voltar para o porto, pois o barco parecia estar superlotado e supercarregado. Voltamos, saímos do barco, voltamos um a um, sendo contados, e depois de mais espera, finalmente partimos.

No meu barco haviam seis banheiros com privada e chuveiros e bebedouro com água potável. Nos horários das 18h e logo cedo pela manhã são os horários mais disputados. O bom é tomar banho tarde da noite ou logo de madrugada, quando não há filas. A viagem não é das mais confortáveis, a princípio, mas depois que a gente acostuma, passa a ser divertido. É legal fazer amizade com o pessoal local e com outros viajantes, e também ter tempo para ler um livro com calma (se o seu vizinho de rede permitir) e pensar na vida. Tempo é o que não falta nesse tipo de viagem.

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Maresia na rede.

Tirando a demora e os imprevistos da partida, não tivemos maiores atrasos no decorrer do caminho. Paramos em algumas cidades, umas bem pequenas, outras maiores, onde descarregamos mercadoria e carregamos mercadoria. Gente desceu, gente subiu, o barco foi ficando menos cheio, já tínhamos mais espaço para nos movimentarmos e para espalharmos nossas coisas. Subimos para o bar, assistimos ao pôr-do-sol no Solimões e de manhã bem cedo fomos ver o nascer do sol lá em cima também. Não se sabia ao certo que horas chegaríamos à Santarém. Alguns diziam que por volta das 17h, outros acreditavam que às 19h, mas também se falava em chegarmos bem mais tarde, depois das 22h.

Já sabia o ônibus que deveria pegar ao chegar no porto para ir até Alter do Chão, mas essa indecisão de horários foi me deixando preocupada. Como estava sozinha nessa, achei mais prudente reservar logo o hostel e solicitar o translado, apesar do custo alto (90 reais o translado, contra menos de 2 reais do ônibus) . Assim que consegui algum sinal de internet, fiz a reserva e enviei para eles um email pedindo para irem me buscar lá no porto, em um horário que eu não sabia, mas que seria algo entre 19h às 22-23h. Fiquei de enviar outro email quando estivesse mais perto. Como só tinha internet as vezes e eles não me respondiam, fui ficando com medo de chegar no porto meia noite e ficar lá, largada, a 40km do local onde deveria ficar hospedada. Do meio pro fim, encontrei um menino que tinha conhecido no tour do boto e que estava indo para Alter também, e que parecia mais perdido do que eu. Combinamos de dividir o translado (se ele viesse) ou ao menos passar pelo perrengue juntos. Fiquei mais tranquila.

Para encurtar a história: chegamos à Santarém quase meia noite, o translado tinha acabado de chegar para nos buscar (meu coração disparou dentro do peito quando li LENITA na plaquinha do moço), chegamos sãos, salvos e famintos ao hostel, onde tomei um banho super quente, em um banheiro que maravilhosamente não balançava e não tinha baratinhas caminhando pelo teto.

No balanço geral de tudo, curti de verdade a viagem de barco. Fiz amizades únicas, vivi situações inusitadas e conheci realidades de vida tão distantes da minha. Nunca tinha me imaginado passando dois dias dentro de um barco, comendo quentinha e dormindo em rede. Essa foi mais uma daquelas experiências impagáveis que a gente só vivencia em mochilão.

Viajei de barco novamente, indo para Belém, depois de passar uns dias em Alter, e, apesar de não ter mais o efeito da novidade, amei também. Conheci outras pessoas, vi outras paisagens, e tive até um pequeno acidente que quase me custou o final da viagem, mas pude contar com a bondade de pessoas desconhecidas, e isso pra mim foi mais importante do que o pedaço de queixo que acabei deixando no chão do barco hahaha.

Conhecendo o Encontro das Águas e o Boto Cor-de-Rosa

Durante o tempo que fiquei em Manaus, fui pesquisando as opções de tours oferecidos pelas agências de turismo da cidade. Como a maioria dos tours que incluíam hospedagem saíam por um preço muito caro para minhas condições, optei por direcionar minha pesquisa para os tours do tipo bate e volta. Fui em algumas agências, e percebi que o roteiro dos passeios era basicamente o mesmo: ida de barco até o ponto onde dá pra ver o encontro das águas, depois passeio pelo meio dos igapós, seguindo até as vitórias-régias, pausa para o almoço em um restaurante flutuante, depois pausa em uma comunidade ribeirinha que vende artesanatos, partindo então para o nado com os botos e depois retorno para Manaus.

Os roteiros eram mais ou menos a mesma coisa, entretanto os preços variavam absurdamente. Na internet, o preço do pacote de um dia que encontrei custava 300 reais. Decidi não comprar antes, para poder negociar e decidir na hora (aquela coisa do feeling, que já falei). Nas agências que pesquisei já em Manaus, os preços variavam entre 220 e 180 reais. Bem melhor, não é mesmo? Mas aí vem o conselho de ouro: pesquise nas agências, mas compre o passeio no porto mesmo, na mão dos agentes, com eles dá pra conseguir descontos bem interessantes. Comprei na mão do moço o mesmo passeio que vende nas agências, por 120 reais. O porto fica bem no fundo do mercado municipal Adolfo Lisboa, e basta atravessar as portas do mercado que já dá pra ver o monte de agentes que ficam por ali, sentadinhos em barracas improvisadas, com banners dos passeios e catálogos com fotos.

O passeio partiu às 9h, em um barco bem confortável, de tamanho médio, com capacidade para umas vinte e poucas pessoas, com água, banheiro e um guia no microfone narrando tudo e contando as histórias da Amazônia pra gente. Sentei ao lado de uma senhora paulista, muito parecida com a Marieta Severo, que foi me mostrando as fotos de um passeio que ela fez à lindíssima Presidente Figueiredo, uma cidade cheia de cachoeiras, próxima a Manaus, que também tem passeios organizados por agências de turismo.

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Encontro do Rio Negro com o Solimões, AM.

A primeira parada foi no encontro das águas, onde é bem visível a separação entre as águas dos rios Negro (de cor bem escura) e Solimões (de cor amarronzada). Por conta de suas diferenças de temperatura e densidade, as àguas dos rios simplesmente não se mesclam, mas permancem lado a lado, seguindo por um trecho de quase 12 km daquele modo. É muito bonito enxergar o fenômeno e tem muita gente que fica emocionada.

Do encontro das águas, seguimos para um local cheio de vitórias-régias. As plantas parecem muito fininhas, de modo que não daria pra sustentar nem um sapo, como a gente costuma ver nos desenhos animados. No mesmo lugar também tem vários macaquinhos, fofinhos, mas, dizem, não muito amigáveis. De qualquer modo, eles são muito lindinhos de observar e tirar fotos.

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Vitórias-Régias

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Macaquinho.

Fomos almoçar em um restaurante flutuante, no rio mesmo, onde tivemos um banquete de comidas regionais, com muitos peixes de água doce fritos, ensopados, empanados, etc. O almoço estava incluso no pacote e podia comer o quanto quisesse. Saindo de lá, visitamos uma pequena comunidade ribeirinha, onde vende-se artesanatos dos mais interessantes e criativos, e também é possível “interagir” com alguns animais. Quanto à essa parte, acho importante ressaltar que é uma experiência meio bizarra. O que acontece ali é uma exploração dos bichos, sem respeito algum, e os turistas não se sensibilizam nem um pouco, só querem tirar fotos com a jibóia, segurada pelo pescoço e pelo rabo, claramente assustada, e também querem pescar os jacarés, que ficam presos em um pequeno lago, morrendo de fome, esperando por quem quer que pague 10 reais por sei lá quantas iscas.

É compreensível que as pessoas que ali moram, de aparência extremamente humilde e, possivelmente, ignorantes quanto à dimensão do que estão causando aos bichos, enxerguem aquilo como um meio de sobrevivência. Do mesmo modo como vendem pulseiras de sementes e bombons de cupuaçú, vendem fotos com os bichos, vendem a oportunidade de colocar uma cobra no pescoço, de tirar uma foto pescando um jacaré pra mostrar para os amigos depois. Passada a “sessão terror”, voltamos para o barco e fomos conhecer uma aldeia indígena.

Bem, digamos que não era exatamente uma aldeia indígena, mas sim um espaço que eles usam para fazer um tipo de preservação da cultura deles. Não é tão simples aparecer lá na Amazônia, acordar com vontade de nadar pelada com os índios e partir para a aldeia indígena mais próxima. Para entrar em terra indígena, é necessário ter autorização da FUNAI e, obviamente, uma boa justificativa, como algum tipo de pesquisa ou coisa assim.

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Visita à tribo Cipiá-Dessana.

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Indiazinha da tribo.

Ainda assim, foi bem interessante ver a apresentação deles, com danças e manifestações tradicionais. É incrível ver a sincronia deles, já que as danças não são nada fáceis. No meio da apresentação, há um momento no qual eles puxam a gente para dançar (não existe a opção de ficar sentadinha, pois “estou tirando fotos”, simplesmente tem que ir). Fomos à tribo Cipiá-Dessana, onde vimos alguns dos rituais da tribo, tivemos um tempo para dar uma circulada pelo local e depois partimos para a visita aos botos.

A última parte do tour também foi a mais gostosa de todas. Vestimos uns coletes salva-vidas e entramos no rio negro para “nadar” com os botos. Um rapaz simpático nos instruiu a não tocar na cabeça do boto, e depois começou a pegar uns peixinhos para atrair o animal. O boto vinha, passando pelo meio da gente, por debaixo das nossas pernas para ir em direção ao rapaz com o peixe. Ficamos assim por uns minutos. Não vou mentir que fiquei com medo de esticar a mão para alisar o bicho, mas não teve jeito, toda hora ele passava por debaixo das pernas. Mesmo quando os peixes acabaram, ainda ficamos por um tempinho boiando no rio, e vez ou outra os botos apareciam, para depois sumir novamente.

Apesar de ter deixado Marieta Severo encarregada de registrar meus momentos com o boto, já que, obviamente, eu não poderia tirar foto com meu celularzinho ordinário de dentro da água, acabei perdendo todas as fotos da viagem ao norte, restando apenas aquelas que enviei para minha mãe e que ficaram salvas nas mídias do whatsapp. Infelizmente, não mandei as do boto, logo, as perdi para sempre. Chora.

Essa foi a parte final do passeio de um dia. Achei o tour bem legal, o roteiro cobre uns lugares bem interessantes e o tempo para conhecer cada um deles é suficiente para aproveitar tudo sem pressa. Recomendo levar umas merendinhas, roupa de banho e uma toalha. Ah, e é bom dar uma pesquisada antes em quais são os dias que o passeio inclui a parte dos botos, pois recentemente o IBAMA proibiu que ele fosse alimentado todos os dias, para evitar deixar o animal viciado.

Recomendo totalmente o passeio e também aconselho dar uma olhada em outros tipos de tours, como o de Presidente Figueiredo e os jungle tours, pra quem tem mais tempo para gastar. No mais, aproveitem!!

Lenita

Manaus, onde conheci um outro Brasil.

Minha mais recente viagem foi um “mochilão” pelo norte do país, mais especificamente nos estados do Amazonas e Pará. Foi uma daquelas viagens espremidinhas entre compromissos, por isso não pude conhecer todos os lugares que tinha pesquisado, mas fiquei com muita vontade de voltar e fazer um mochilão bem demorado, conhecer mais cidades e vilas e esticar até o Roraima também.

Como estava indo sozinha, poderia organizar a viagem ao meu modo, então decidi arriscar, comprando somente a passagem de ida, com chegada em Manaus, e a volta, por Belém. Esses seriam os limites da minha vida programada e cronometrada. Todo o resto seria decidido ao longo da própria viagem. Queria curtir com o máximo de liberdade. Não queria ter que sair de alguma cidade só pra não perder alguma passagem ou reserva de acomodação. Quantos dias em Manaus? Quantos dias em Santarém? Não sabia. Tudo seria resolvido no feeling. Deu certo.

Em Manaus foi onde passei a maioria dos dias. Fiquei encantada com a cidade. Em Manaus conheci o Teatro Amazonas, onde fiz um tour guiado completo e também assisti a um espetáculo de dança gratuito à noite, sentadinha naquelas cadeiras majestosas de almofadas vermelhas, me sentindo a madame fazendeira do látex em 1896. Comi o Tacacá da Gisela, o que me rendeu um momento constrangedor de confusão de como tomar aquela “sopa” com folhas e camarões sem uma colher, mas com dois palitos? Digo a vocês: não só comi tudo sem me humilhar a bancar a turistona e pedir uma colher de plástico, como saí de lá meio alucinada depois de mastigar aquelas plantinhas, e passei o resto do dia extremamente relaxada. Me disseram que não tinha nada a ver com a comida, mas eu juro que aquele tanto de jambu que eu comi me deu alguma coisa hahaha.

Teatro Amazonas, Manaus.

Teatro Amazonas, Manaus.

Tacacá, com jambú alucinógeno.

Tacacá, com jambú alucinógeno.

Fui ao INPA, vi o peixe-boi (lindo, gordinho e fofuxo), a ariranha, um peixe elétrico, umas plantas gigantescas e outras esquisitices. Fiz sélfie com as plantas e comprei colarzinho de açaí com as índias por lá também. Fiz amizade com duas biólogas, fomos ao MUSA, o Museu da Amazônia- lugar maravilhoso, com um mirante que dá pra ver a grandiosidade que é a floresta, com suas árvores compridíssimas e frondosas. Fomos ao Manauara, o shopping em formato de folha, que tem um buritizal bem no meio da praça de alimentação, onde comi o melhor hamburguer de tambaqui da minha VIDA. Perambulei pelo centro comercial fervente de Manaus, comprei bijouterias, vestido de hippie, pente de madeira, uma rede e um cadeado para o armário do hostel (que foi o que eu saí pra comprar, a princípio). Comi bananinha frita salgada, bananinha frita doce, pirarucú frito, sorvete de açaí e tapioca com castanha do pará – que lá não pode falar que é do Pará porquê “castanha é castanha, não é do Pará”. Corri de manhã cedo no parque Jeferson Peres, onde fui surpreendida por uma tempestade do cão, que apareceu DO NADA, e me fez voltar para o hostel encharcada.

Selfie com as árvores, no MUSA.

Selfie com as árvores, no MUSA.

Na minha última noite na cidade, fui ao famoso bar do Armando,  acompanhada de uma norueguesa, dois dinamarqueses, um casal não sei de onde e uma alemã, que depois descobri que era a minha colega de quarto, que chegava nas madrugadas tropeçando em tudo e insistindo em subir para a cama de cima do beliche, apesar de estarem livres todas as quatro camas de baixo, mais acessíveis a uma pessoa muito cansada/bêbada/drogada. Não me lembro como, do meio pro fim acabamos juntando as mesas com três manauaras (uma mulher, um homem e uma menina de uns 19 anos) e a partir daí a coisa foi ficando inusitada. No fim das contas, acabei no papel de interprete, formando dois casais, sendo que um deles era formado pela garota manauara e a minha querida colega de quarto. Loucuras de viagens.

Durante o tempo que passei em Manaus, fiquei hospedada no Hostel Manaus e achei perfeito. Me movimentei pela cidade de ônibus e não tive dificuldade alguma. Bastava dar uma pesquisada na internet, e já encontrava as opções de ônibus, às vezes no próprio site do local onde queria ir, como no caso do INPA. Na ida do aeroporo ao hostel, fui de ônibus também e foi bem tranquilo. Não gastei muito dinheiro por lá. A hospedagem, comida e tickets de entrada nos lugares saíram por um preço bem legal. Os manauaras são muito gentis e receptivos, me lembraram um pouco o jeito baiano de receber as pessoas.

Manaus tem parque, tem museu de floresta e tem museu-museu. A cidade ainda tem praia de rio, shopping, arena da Amazônia e bar flutuante. Manaus é cidade grande e desenvolvida e há muito o que fazer, mas em nada se parece com as outras cidades grandes aqui do Brasil. O norte é como um outro país, com outros hábitos, outras comidas, outras características étnicas e outros valores. O turismo em Manaus me pareceu ser mais valorizado pelos estrangeiros do que pelos próprios brasileiros. Quando falei para os meus amigos que iria para lá, muitos ficaram intrigados. Conhecer esse outro Brasil é abrir a mente, é experimentar e viver coisas novas.

Saí de Manaus de barco, rumo a Santarém, no Pará (daí a necessidade de comprar uma rede no meio do mochilão, não sou doida). Não vou mentir, fiquei com vontade de esticar por mais uns dias, mas também queria conhecer selva, queria me enfiar no meio do mato, aquilo ainda estava muito civilizado pra mim hahaha.

A linda cidade de Ouro Preto e o carnaval

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Ouro Preto – MG

  No início de fevereiro, a cidade de Ouro Preto foi invadida por um grupinho de soteropolitanas que decidiram curtir um carnaval diferente. Fizemos o caminho contrário ao fluxo e saímos de Salvador bem na época em que a cidade está movimentadíssima, fervendo em festas e recebendo gente de tudo quanto é canto do Brasil e do mundo.

  Confesso que quando meu voo pra BH foi cancelado, até deu aquela pontadinha no coração de vontade de ficar por aqui mesmo, mas depois me jogaram pra outro voo e lá fui eu, rumo a OP.

  Chegamos à rodoviária e logo os taxistas vieram pra cima que nem urubus, todos querendo garantir a corrida. Apesar da longa jornada de avião/metrô/ônibus pra chegar até ali, eu ainda estava naquele espírito de “vamos andando mesmo que nao é longe, olhei no mapa”, mochilão nas costas e sapatos confortáveis. Felizmente mudamos de ideia a tempo e pagamos os 20 conto do taxi. Seria complicado andar 1km naquela cidade que parece não ter 200m contínuos de terreno plano. Simplesmente tudo é ladeira. E não são rampinhas não, são ladeironas mesmo, daquelas que o pé escorrega e arrebenta as havaianas. Daquelas que fazem você optar por jantar uma paçoquita que tem na bolsa e nada mais, só pra não ter que subir até o pico da casa da zorra atrás de alguma comida digna.

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Tome ladeira.

  O taxi deixou a gente na república onde ficaríamos hospedadas. Vou explicar brevemente como funciona o carnaval de Ouro Preto: As repúblicas vendem pacotes de carnaval que incluem hospedagem, alimentação, festas na república, festas fora da república, festas de camisa (que eles chamam de bloco, mas não são blocos pois todos sabemos que blocos tem de ser móveis, certo?) e, por último – mas nao menos importante – Open bar 24 horas por dia, todos os dias. ISSO MESMO.

  Com uma programacao dessas, imaginei que nem ia dar pra conhecer direito a cidade, mas nos 6 dias de carnaval, a cada dia a gente andava um pouquinho, e acabamos conhecendo umas coisas interessantes. No caminho da república onde a gente dormia para a que a gente ia pra almoçar e tomar café da manhã, ficava a Igreja do Pilar, na qual não entramos, mas compramos vários imãs na mão do brother. Faço aqui uma observação: A cidade tem muuitas igrejas e são todas históricas e lindas, mas pra entrar em cada uma delas é cobrada uma taxa de 10 reais. Logo, teria que escolher umas duas ou três igrejas, no máximo, pra visitar. Como eram muitas, ficava difícil de decidir, então optamos por gastar todo o dinheiro na feira de artesanato e visitamos um total de 0 igrejas.

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Igreja do Pilar, Ouro Preto – MG.

   A mais famosa delas é a Igreja de Sao Francisco de Assis. Não só a igreja é linda, como também todo o cenário ao redor.

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Igreja de Sao Francisco de Assis

  Bem próxima à igreja, fica a feira de artesanato em pedra sabão, que é típica de Ouro Preto. Dá pra passar um bom tempo só rodando e procurando lembrancinhas e artigos de decoração. O legal é que o pessoal vai fazendo as artes na pedra sabão ali mesmo, cavando a pedra e usando corantes para embelezar o produto final. Eles tambem escrevem o nome na pedra e fazem lá na hora o que você pedir. Eu comprei para cada uma das minhas irmãs uma caixinha de pedra colorida e pedi pra gravar o nome delas, lá tem varias coisas lindas pra dar de presente 🙂

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Feira de Artesanato.

   Na parte alta da cidade fica a Praça Tiradentes, que é a praça principal da cidade. O lugar fica uma loucura no carnaval, pois é onde a prefeitura coloca o palco principal das festas, e fica cheio de barraca, gente vendendo passadeiras de diabinho e coroa de flores, gente vendendo drinks, hot dog, etc. Próximo à praça fica o famoso Museu da Inconfidência e o Museu de Ciência e Técnica da UFOP, que são lindos e interessantíssimos, mas nos quais não entramos porque não deu tempo. Subimos mais um pouco e chegamos à Igreja de Nossa Senhora das Mercês, onde tem um mirante com uma vista maravilhosa da cidade com as montanhas em volta.

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Vista da cidade de Ouro Preto – MG

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Igreja de Nossa Sra das Mercês

   Basicamente, foram esses os locais mais interessantes que conhecemos por lá. Não deu pra entrar nas igrejas e nos museus, nem conseguimos conhecer o parque do Itacolomi pois as prioridades do carnaval eram outras, mas pretendo voltar a cidade em outro momento para conhecer melhor e tambem dar uma passada em Mariana, que fica próximo dali e por conta disso muita gente ja visita as duas cidades de uma vez só. Dizem que, assim como no carnaval, no mês de outubro a coisa fica muito boa por lá. Já estamos pesquisando as passagens hahaha.