Manaus, onde conheci um outro Brasil.

Minha mais recente viagem foi um “mochilão” pelo norte do país, mais especificamente nos estados do Amazonas e Pará. Foi uma daquelas viagens espremidinhas entre compromissos, por isso não pude conhecer todos os lugares que tinha pesquisado, mas fiquei com muita vontade de voltar e fazer um mochilão bem demorado, conhecer mais cidades e vilas e esticar até o Roraima também.

Como estava indo sozinha, poderia organizar a viagem ao meu modo, então decidi arriscar, comprando somente a passagem de ida, com chegada em Manaus, e a volta, por Belém. Esses seriam os limites da minha vida programada e cronometrada. Todo o resto seria decidido ao longo da própria viagem. Queria curtir com o máximo de liberdade. Não queria ter que sair de alguma cidade só pra não perder alguma passagem ou reserva de acomodação. Quantos dias em Manaus? Quantos dias em Santarém? Não sabia. Tudo seria resolvido no feeling. Deu certo.

Em Manaus foi onde passei a maioria dos dias. Fiquei encantada com a cidade. Em Manaus conheci o Teatro Amazonas, onde fiz um tour guiado completo e também assisti a um espetáculo de dança gratuito à noite, sentadinha naquelas cadeiras majestosas de almofadas vermelhas, me sentindo a madame fazendeira do látex em 1896. Comi o Tacacá da Gisela, o que me rendeu um momento constrangedor de confusão de como tomar aquela “sopa” com folhas e camarões sem uma colher, mas com dois palitos? Digo a vocês: não só comi tudo sem me humilhar a bancar a turistona e pedir uma colher de plástico, como saí de lá meio alucinada depois de mastigar aquelas plantinhas, e passei o resto do dia extremamente relaxada. Me disseram que não tinha nada a ver com a comida, mas eu juro que aquele tanto de jambu que eu comi me deu alguma coisa hahaha.

Teatro Amazonas, Manaus.

Teatro Amazonas, Manaus.

Tacacá, com jambú alucinógeno.

Tacacá, com jambú alucinógeno.

Fui ao INPA, vi o peixe-boi (lindo, gordinho e fofuxo), a ariranha, um peixe elétrico, umas plantas gigantescas e outras esquisitices. Fiz sélfie com as plantas e comprei colarzinho de açaí com as índias por lá também. Fiz amizade com duas biólogas, fomos ao MUSA, o Museu da Amazônia- lugar maravilhoso, com um mirante que dá pra ver a grandiosidade que é a floresta, com suas árvores compridíssimas e frondosas. Fomos ao Manauara, o shopping em formato de folha, que tem um buritizal bem no meio da praça de alimentação, onde comi o melhor hamburguer de tambaqui da minha VIDA. Perambulei pelo centro comercial fervente de Manaus, comprei bijouterias, vestido de hippie, pente de madeira, uma rede e um cadeado para o armário do hostel (que foi o que eu saí pra comprar, a princípio). Comi bananinha frita salgada, bananinha frita doce, pirarucú frito, sorvete de açaí e tapioca com castanha do pará – que lá não pode falar que é do Pará porquê “castanha é castanha, não é do Pará”. Corri de manhã cedo no parque Jeferson Peres, onde fui surpreendida por uma tempestade do cão, que apareceu DO NADA, e me fez voltar para o hostel encharcada.

Selfie com as árvores, no MUSA.

Selfie com as árvores, no MUSA.

Na minha última noite na cidade, fui ao famoso bar do Armando,  acompanhada de uma norueguesa, dois dinamarqueses, um casal não sei de onde e uma alemã, que depois descobri que era a minha colega de quarto, que chegava nas madrugadas tropeçando em tudo e insistindo em subir para a cama de cima do beliche, apesar de estarem livres todas as quatro camas de baixo, mais acessíveis a uma pessoa muito cansada/bêbada/drogada. Não me lembro como, do meio pro fim acabamos juntando as mesas com três manauaras (uma mulher, um homem e uma menina de uns 19 anos) e a partir daí a coisa foi ficando inusitada. No fim das contas, acabei no papel de interprete, formando dois casais, sendo que um deles era formado pela garota manauara e a minha querida colega de quarto. Loucuras de viagens.

Durante o tempo que passei em Manaus, fiquei hospedada no Hostel Manaus e achei perfeito. Me movimentei pela cidade de ônibus e não tive dificuldade alguma. Bastava dar uma pesquisada na internet, e já encontrava as opções de ônibus, às vezes no próprio site do local onde queria ir, como no caso do INPA. Na ida do aeroporo ao hostel, fui de ônibus também e foi bem tranquilo. Não gastei muito dinheiro por lá. A hospedagem, comida e tickets de entrada nos lugares saíram por um preço bem legal. Os manauaras são muito gentis e receptivos, me lembraram um pouco o jeito baiano de receber as pessoas.

Manaus tem parque, tem museu de floresta e tem museu-museu. A cidade ainda tem praia de rio, shopping, arena da Amazônia e bar flutuante. Manaus é cidade grande e desenvolvida e há muito o que fazer, mas em nada se parece com as outras cidades grandes aqui do Brasil. O norte é como um outro país, com outros hábitos, outras comidas, outras características étnicas e outros valores. O turismo em Manaus me pareceu ser mais valorizado pelos estrangeiros do que pelos próprios brasileiros. Quando falei para os meus amigos que iria para lá, muitos ficaram intrigados. Conhecer esse outro Brasil é abrir a mente, é experimentar e viver coisas novas.

Saí de Manaus de barco, rumo a Santarém, no Pará (daí a necessidade de comprar uma rede no meio do mochilão, não sou doida). Não vou mentir, fiquei com vontade de esticar por mais uns dias, mas também queria conhecer selva, queria me enfiar no meio do mato, aquilo ainda estava muito civilizado pra mim hahaha.

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