Bruxelas, a capital do chocolate e da cerveja.

Olá, pessoal!

Nem bem terminei de postar sobre a Grécia e já fiz mais uma viagem. Nada de praia dessa vez (oooh :(), fui conhecer Bruxelas, Amsterdam e Berlim. Fui de ônibus com a National Express de Londres até Bruxelas, em uma viagem de 10 horas bem tranquilas e com um motorista super gente boa e animado. Eu estava super ansiosa pra passar pelo Eurotúnel (túnel por baixo da terra, por baixo do mar, que liga a Inglaterra à França), mas a passagem dura somente 35 minutos e é meio que no escuro então nem teve muita graça pra mim. Já para a menina claustrofóbica que estava do meu lado deve ter sido bastante emocionante.

Alugamos apartamento em Bruxelas, em um local cujo nome não me lembro, mas que ficava próximo do Jardim Botânico. Não precisamos usar o transporte público, conhecemos tudo a pé mesmo. A cidade estava insuportávelmente quente e o nosso apartamento não tinha ar condicionado, nem ventilador, nem fogão e nem máquina de lavar, ou seja.

Apartamento: Parte de cima/Parte de baixo.

Já no primeiro dia fomos em busca do tal Delirium, o bar com mais de 2 mil tipos de cervejas. Encontramos 2 outros Deliriums pelo caminho, mas não encontramos o certo. Desistimos e fomos comer pizza. A pizzaria ficava bem próxima à Galerie de La Reine, que é uma galeria com várias lojas de coisas belgas, muitas de chocolate. Uma delas é a que fornece os chocolates para a família real (sim, a Bélgica tem rei!), a Mary Chocolatier. Passe direto, porque é absurdamente cara. Compramos chocolates com preço bom na Corne (uma barra média por 3.2 euros).

DSC_0012

Loja de chocolates Corne.

Fomos passear na Grand Place, que é uma praça linda, cercada de prédios antigos que ficam iluminados à noite. Cada prédio tem a sua história, mas a mais legal é a do Town Hall, que é esse prédio lindo aqui embaixo:

DSC_0027

Town Hall à noite.

Town Hall de dia.

Reza a lenda que o cara que projetou essa belezura, ao ver a construção concluída, correu para dentro do prédio, subiu até a mais alta janela e depois se jogou lá de cima e morreu. Porque? Basta olhar novamente para a imagem e perceber que o prédio é totalmente assimétrico. Um lado é bem maior que o outro. Isso aconteceu porque o lado esquerdo foi construído primeiro, e na hora de construir o outro lado, já haviam duas outras casas próximas, e aí não teve jeito…

Na falta de Torre Eiffel e grama, à noite os belgas se espalham em grupos pelo chão da praça e ficam sentados, olhando os prédios em volta. A cada 2 anos, no mês de agosto é estendido um tapete de flores que toma toda a praça. Pena que a gente deu azar de ir logo no ano-não.

Grand Place

Mais do que a capital do chocolate e da cerveja, Bruxelas também é famosa pelos cartoons e por aqueles bichinhos azuis de touca, os “Schtroumpfs”, também conhecidos como Smurfs. Lá também foram criadas as Aventuras de Tintim, de Hergé, que é motivo de orgulho para os Belgas. Eles realmente levam a sério essa coisa de desenho e isso pode ser notado pelas paredes pintadas, espalhadas pela cidade. Para quem se interessa de verdade, vale a pena seguir o mapa e conferir todas as paredes com os desenhos.

DSC_0190

Wall Art

DSC_0225

Tintim 🙂

DSC_0174

Sim, eles são um casal gay. Depois de reclamações, o artista colocou um brinco na orelha e aumentou o quadril do moreno para disfarçar e dizer que é só um casal hétero normal. Clique na imagem para ver maior.

Segundo os Belgas, a batata frita, que é internacionalmente conhecida como French fries, deveria ser chamada de Belgian fries, pois também é invenção deles. O caso é que, quando alguns soldados norte-americanos, que passavam pela Bélgica, comeram as Belgian fries, eles não sabiam realmente onde estavam. Como as pessoas em volta deles falavam francês, eles acharam que estavam na França e então passaram a chamar as batatas fritas pelo nome que hoje é o conhecido. Burrice típica de estadunidense, né.

Batata frita é batata frita em qualquer canto do mundo, mas com os waffles a história já muda. Em todo canto em Bruxelas tem alguma bodega vendendo waffles, que eles comem puros, ou somente com açúcar refinado por cima, mas as lanchonetes conhecem as invenções dos turistas e vendem também com sorvete, creme, caldas, morangos e o que mais for solicitado. O lugar mais barato para comer é na rua que tem o Manneken Pis, onde o waffle puro ou só com açúcar custa 1 euro.

DSC_0240

Waffle delícia!

O “Manneken Pis” (menino mijando), é conhecida como a atração mais decepcionante de Bruxelas, mas também a mais querida de todas. Basicamente, é uma estátua de 60cm de um menininho fazendo xixi. As pessoas se decepcionam porque ele é muito pequeno, mas, sinceramente, grande ou pequeno, uma pessoa que vai a Bruxelas animada para ver uma estátua de um menino mijando não tem o direito de se decepcionar com nada nessa vida.

DSC_0227

Manneken Pis

Ele foi criado no século dezesseis, mas teve que ser substituído várias vezes pois as pessoas roubavam ele e levavam embora (estudantes bêbados, provavelmente)Em datas comemorativas, ele ganha roupas. O governo mantém uma mulher cuja única obrigação é costurar roupas para o Manneken Pis de vez em quando, e tem até uma exposição com todas as roupinhas dele no museu. Por ter sido roubado diversas vezes, trataram de colocar até câmeras para vigiar a estátua. O mais curioso é que ninguém sabe ao certo porque diabos colocaram essa estátua lá, há tantos anos atrás. Diversas estórias tentam justificar o menino mijando. Uma delas é a de que a Bélgica teve um rei que era apenas uma criança, e em um momento de guerra contra um reino inimigo, colocaram o menino dentro de uma cesta, e a cesta em cima da árvore, para encorajar a tropa, e aí quando os inimigos chegaram, o menino começou a urinar em cima deles e aí eles perderam a guerra. Tem também uma outra história de um menino que estava fazendo xixi na porta da casa de uma mulher, e aí, como ela era uma bruxa, ao abrir a porta e dar de cara com aquilo, ela resolveu transformar a criança em pedra.

Em vários lugares na cidade eles vendem réplicas da estátua em tamanho real (o que não é muito grande), e em várias lojas e restaurantes, lá está o Manneken Pis.

Manneken Pis comendo waffle.

Manneken Pis comendo waffle.

Manneken Pis mijando cerveja.

Manneken Pis mijando cerveja.

Fomos também conhecer o parque da cidade, o Palácio Real e um jardim bonito que fica no caminho para o centro. Como nenhum de nós estava muito interessado em cruzar a cidade para ir conhecer o Atomium, só vimos o negócio de longe, quando estávamos chegando à cidade no ônibus (o negócio é gigantesco). O Atomium é um monumento que representa um cristal de ferro ampliado em 165 bilhões de vezes, e que foi construído especialmente para a Expo 58. Tem quem diga que é a Torre Eiffel de Bruxelas. Pffff…

Atomium (foto que peguei do google).

Atomium (foto que peguei do google).

Na nossa última noite em Bruxelas, finalmente encontramos o Delirium certo e fomos conferir o bar que saiu no livro dos recordes com a maior variedade de cervejas do mundo. O local estava bem cheio, mas, como a maioria das pessoas gosta de ficar em pé do lado de fora, foi tranquilo pra achar lugar pra sentar em um dos barris que servem de mesa. A decoração toda do lugar é bem legal, com tampas, rótulos e copos espalhados, e eles tem um catálogo que mais parece um livro, com todas as opções de cerveja, belgas e de todos os lugares do mundo. Das que provei, a que mais gostei foi a de banana.

DSC_0406

Delirium Bar.

Cerveja de banana!

Cerveja de banana!

Para conhecer a história da cidade, fizemos o free walking tour com os Sandemans (fizemos com eles em Amsterdam e Berlim também). Achei os tours ótimos, eles são divertidos, falam de coisas atuais, mas também falam bastante de história. Só achei que os grupos são muito grandes (mais de 30 pessoas), e acho que atrapalha um pouco e faz com que seja mais demorado. De qualquer modo, por ser “de graça”, é melhor do que não fazer.

DSC_0457

Serclaes, o herói de Bruxelas.

Antes de irmos embora, voltamos à Grand Place para alisar o braço desse cara aí em cima, porque dizem que dá sorte e garante a sua volta à Bruxelas. Depois, de barriga e mochilas cheias de chocolates, fomos bem felizes pegar o Megabus para Amsterdam, onde as coisas são um pouco diferentes.

Beijos!

Lenita