Viajando de trem pela Itália

Acredito que de todos os países europeus, a Itália é aquele no qual a maioria das pessoas vai para conhecer mais do que uma cidade. Geralmente quem vai à Inglaterra se contenta em conhecer apenas Londres e vai embora. Quem vai à França, vai apenas para conhecer Paris e pronto. Mas quem vai à Itália não fica satisfeito com Roma e o coliseu, quer ir também a Pisa para ver a torre, quer conhecer a Ponte Vechio em Florença, o Duomo de Milão, a romântica cidade de Veneza, e por aí vai…

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Itália!

Um dos meios mais práticos para se deslocar entre as cidades italianas é utilizando os trens. Foi o que fiz na minha última viagem, conheci a Itália viajando de trem. Fiz de trem somente os trechos Milão-Veneza e Veneza-Florença, e vou contar um pouco de como foi e explicar mais ou menos como comprar os tickets pelo site da trenitália, que foi o que eu usei.

Primeiramente, se o seu roteiro já está bem definido, vale a pena comprar as passagens com antecedência. Diferente de como funciona na Inglaterra, onde as passagens vão ficando muito mais caras quando você compra em cima da hora, as passagens de trem da Itália tem o preço fixo, independente de quando você as compre. MAS existem algumas modalidades de tarifas, como a base, econômica e super econômica, e à medida que você atrasa a sua compra, as passagens mais baratas vão acabando, então, sim, é melhor comprar o quanto antes possível.

Para fazer a compra, é preciso ir até o site da trenitália e fazer a busca pelo trecho desejado. O site não tem versão em português, somente italiano e inglês mesmo. Obviamente, é preciso saber o nome das cidades em italiano, então não faça como eu e se desespere sem encontrar trens para “Florença”, porque você não vai achar 😉

Site da Trenitalia.

Site da Trenitalia.

Para algumas cidades, há mais de uma opção de estação final, então pesquise antes no google qual a estação do centro da cidade (ou a mais próxima do local de sua estadia) para não acabar comprando a passagem errada. Antes de clicar para dar início à pesquisa, não esqueça de marcar a caixa “find the best price”, para que o site te mostre o melhor preço do dia (geralmente a opção super economy).

O site tem algumas opções de ofertas, como ofertas para famílias com crianças, ofertas para grupos grandes, ofertas para bate-volta e até ofertas para viagens aos sábados, então é bom dar uma olhada antes, ver se alguma dessas ofertas pode ser aproveitada e ler todas as condições antes de fazer a sua escolha.

Após a compra, você receberá o seu comprovante de pagamento e o ticket por e-mail. O ticket deve ser impresso para ser mostrado ao carinha da empresa que vai, durante a viagem, de vagão em vagão, conferindo os bilhetes de todos. Antes de viajar, fique ligado em sua caixa de e-mail, para o caso de alguma alteração no itinerário, e imprima todo e qualquer e-mail que eles te enviarem, para evitar desentendimentos.

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Painel na estação de trem (foto da internet).

No dia da viagem o procedimento é simples: quando chegar à estação, procure o painel com os horários dos trens, e lembre-se de buscar o seu pelo horário de saída e o nome da sua estação de destino. Provavelmente não haverão catracas nem ninguém para checar o seu bilhete na entrada, então simplesmente vá até o trem, procure seu assento e lá pelo meio da viagem algum funcionário vai aparecer para conferir as suas passagens.

As duas viagens que fiz foram bem tranquilas. Os trens são bastante confortáveis, com poltronas boas e uma mesa na frente com tomada para carregador de celular e laptop (tudo isso na 2a classe, super econômica). Além disso, os trens tem wifi grátis 🙂

Beijos!

Lenita

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Veneza, a “più bella” da Itália.

Cheguei à estação de Santa Lucia pela manhã e quando saí pela porta, estava cercada de água. Tinha chegado em Veneza. Bem à minha frente estava o Canal Grande, o maior e mais extenso dos canais de Veneza. Na entrada da estação ficam os taxis aquáticos, que na verdade são barcos motorizados, e por ali também passa o vaporetto, que também é um barco motorizado só que grande, como se fosse um ônibus. Preferimos andar até o hostel. Provavelmente gastamos o dobro do tempo necessário para chegar até lá, porque não tinha como não parar em cada ponte para curtir a paisagem, e em cada ruela para tirar umas fotos. A cidade é simplesmente muito bonita, não tem como andar apressado sem querer olhar tudo com calma e registrar cada detalhe.

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Entrada da estação de Santa Lucia, à direita. No canto, o “ponto de ônibus” e o vaporetto  chegando no meio do canal.

E fomos andando, mochila pesada nas costas e câmera pendurada no pescoço, nos perdendo e nos encontrando pelo labirinto de ruas estreitas de Veneza. Subimos ponte, descemos ponte, pelo meio das lojinhas e restaurantes simples, nos perdemos e nos achamos umas 50 vezes. A cidade me lembrou muito Marrakesh, só que bem menos bagunçada e talvez ainda mais agradável por conta disso.

Finalmente chegamos ao hostel – na descrição dizia que era um Bed&Breakfast, mas sem breakfast, ou seja, hostel. O lugar era muito bom, por sinal, localização excelente, uma vista linda pela janela, banheiros chiquezinhos, quartos organizados, etc. Um dos melhores em que já me hospedei (Venice Hazel, recomendo). O segredo para pegar uma boa localização em Veneza é escolher um local próximo à praça San Marco, que é a praça principal da cidade. Tivemos apenas uma surpresa bem desagradável que foi a cobrança de uma taxa para a utilização de roupas de cama (como se algum mochileiro fosse viajar carregando lençol, fronha, cobertor e travesseiro nas costas), mas a qualidade da estadia acabou compensando esse detalhe. Além disso, assim como em outras cidades da Itália é obrigatório o pagamento de uma taxa diária de alojamento para a prefeitura, que não lembro quanto custa, mas é algo em torno de 1 euro ou 2.

Antes de conhecer Veneza eu não conseguia imaginar como parecia e funcionava uma cidade que tem água pelo meio. Primeiramente, a parte de Veneza que a gente conhece e vê na tv não é tudo. Veneza possui uma parte em terra firme chamada Mestre, que é o centro administrativo e a parte mais populosa, apesar de meio desconhecida. As duas partes são interligadas pela Ponte Della Libertà. E quanto a Veneza ilha, bem, lá não circulam carros, apenas barcos. As ambulâncias são lanchas, a polícia e os bombeiros circulam em lanchas e lá tem o “barco do lixo” (ficamos praticamente 4 dias na cidade e vimos tudo isso). Ao longo do Canal Grande encontram-se vários pontos de ônibus por onde o vaporetto passa. O vaporetto possui várias rotas, incluindo também ilhas e ilhotas vizinhas, mas não passa pelos demais canais, que são mais estreitos. Entre os canais pequenos circulam os barcos particulares e as gôndolas.

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“Ambulanza”

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Gondoleiros e gôndolas estacionadas.

Veneza é uma cidade cara. A viagem que fiz foi em dezembro, mas mesmo sendo baixa temporada o preço de tudo estava bem elevado. O transporte em Veneza é o mais caro de todas as cidades que já visitei, e a alimentação também tem um custo muito alto. A tática para economizar é procurar pelas pizzarias delivery onde se pode comer uma boa pizza por um preço baixo. Muitos restaurantes cobram uma taxa somente para sentar e utilizar a mesa, e mais outra taxa pelo serviço do local. Geralmente essa taxa está escrita no menu do lado de fora, mas é bom perguntar assim mesmo, para não acabar pagando mais caro no final.

Apesar de pequena, Veneza tem muuita coisa para se conhecer. Começando pelas muitas igrejas. Veneza tem mais de 120 delas, umas bem diferentes das outras e todas lindas. A maior de todas é a igreja de Santa Maria della Salute, construída na época em que a cidade estava sendo devastada pela praga, como uma espécie de oferta para que o povo ficasse livre das doenças.

Basílica de Santa Maria della Salute

Basílica de Santa Maria della Salute, Veneza.

Basílica de Santa Maria della Salute.

Basílica de Santa Maria della Salute.

E se a quantidade de igrejas já é bem grande, imaginem só o número de pontes: mais de 400! E a mais famosa é a Ponte Rialto, que fica sobre o Canal Grande. A ponte abriga várias lojinhas e é o portão de entrada para o Mercado Rialto, onde se pode encontrar as famosas máscaras de carnaval de Veneza. É o ponto perfeito em Veneza para tirar fotos do canal e dos barcos indo e vindo.

Ponte Rialto

Ponte Rialto

Mercado Rialto, Veneza.

Mercado Rialto, Veneza.

Vista da Ponte Rialto.

Vista da Ponte Rialto.

A segunda ponte mais famosa de Veneza é bem menorzinha, mas igualmente linda, e foi projetada pelo sobrinho do cara que projetou a Ponte Rialto, a Ponte dos Suspiros.

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Ponte dos Suspiros, Veneza.

A Ponte dos Suspiros liga o Palácio Ducale à Prisão da cidade. A ponte era justamente por onde passavam aqueles que foram condenados em julgamento no Palácio, em direção à prisão, ou seja, onde eles veriam a cidade pela última vez antes de serem presos, daí o nome.

O Palácio Ducale foi construído como um símbolo da riquesa de Veneza, e possui um estilo bem próprio veneziano, que pode ser encontrado em muitas das outras principais construções da cidade (como na maioria dos grandes hotéis, com janelas de arcos góticos e um estilo meio árabe). Hoje abriga um museu, onde se pode visitar também a Ponte dos Suspiros e a prisão.

Palácio Ducale, Veneza.

Palácio Ducale, Veneza.

O palácio fica na Piazza San Marco, onde fica também a Basílica de San Marco, que estava em restauração, e também a Campanilha de San marco e a Torre do Relógio, que tem dois carinhas de metal que batem o sino a cada hora fechada.

Campanilha de San Marco

Campanilha de San Marco

Torre do Relógio, Veneza.

Torre do Relógio, Veneza.

Praça San Marco

Praça San Marco

Quando a gente está em Veneza, olhando aquelas gôndolas passeando pra lá e pra cá, não tem como não ficar com vontade de fazer o passeio pelos canais. Pelas minhas pesquisas, o valor do passeio era 100 euros, o que eu achei muito caro e por isso fiquei um pouco desanimada. De qualquer forma, como estávamos em 4, poderíamos dividir a gôndola e aí o preço já ficaria melhor, então não descartamos completemente a idéia, mas fomos conhecendo outros lugares e meio que deixando pra lá. Mas aí uma hora lá no finalzinho da tarde passamos por uns gondoleiros e um deles veio perguntar se a gente queria o serviço. Passamos direto (nos fizemos de difíceis, hehe) e aí ele falou que já tava no final do expediente, e nos ofereceu o passeio por 60 euros. Claro que aceitamos!

E valeu muuuito a pena! Foi bem do jeito que eu queria, o gondoleiro estava usando a roupinha listrada, ele contou algumas histórias pra gente, cantou, assoviou e ainda fez o favor de fazer cara de modelo na hora que eu “discretamente” tirava fotos dele, hehe.

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O gondoleiro, Rafael e eu.

O passeio é muito legal, dá pra ver a cidade de um ângulo completamente diferente, passar por debaixo das pontes e ouvir as histórias, é uma coisa de filme mesmo. Recomendo muito. Gravei um pedacinho do passeio mas ficou um pouco escuro pois já estava anoitecendo. De qualquer forma, achei que seria legal compartilhar aqui:

E assim se encerrou nossa viagem a Veneza. Além disso, ainda tivemos tempo para visitar algumas ilhas próximas à cidade, mas isso já é assunto para um próximo post :).

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Ciao Venezia!

Beijos!

Lenita

Um dia em Milão

A última viagem que fiz durante o intercâmbio foi um mochilão pela Itália, começando por Milão. Teria apenas um dia para conhecer tudo e no dia seguinte já seguiria de trem para outras cidades, então já fomos seguindo meio que um roteiro em sequência (roteiro perfeito para um dia, montado por uma amiga também intercambista que está morando lá, pra que melhor, né? :)).

Começamos pelo Castello Sforzesco, que é um castelo que abriga vários museus em seu interior, e que também possui um jardim lindíssimo na parte de trás. A entrada no castelo é gratuita mas para visitar os museus é preciso comprar o ticket, que não me lembro quanto custa.

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Castelo Sforzesco, Milão.

Jardim do Castelo

Jardim do castelo

Castelo Sforzesco.

Castelo Sforzesco

Quando saímos do castelo, tinha uma muvuca das grandes do lado de fora, a “Babbo Running”, que é a corrida do Papai Noel. Simplesmente a rua principal estava lotada de pessoas loucas, todas fantasiadas de Papai Noel, e prontas para saírem correndo pelas ruas. No site do evento diz que mais de 10 mil pessoas apareceram fantasiadas para correr.

Babbo Running

Babbo Running e os 10 mil doidos na frente do castelo (foto do site do evento).

Quando conseguímos sair do meio do ataque de papais noéis, fomos direto ao que nos interessava mais em Milão: O Duomo. A praça do Duomo estava muuuito cheia de gente. Turistas de todos os locais fotografando aquela catedral linda e imponente, riquíssima em detalhes por dentro e por fora. Antes mesmo de entrar eu já estava bem impressionada com a catedral e aí, quando eu entrei, tinha uma orquestra tocando lá dentro, acompanhando o coral da igreja. Foi muito emocionante, lindo mesmo.

Duomo di Milano

Duomo di Milano

Detalhes do Duomo.

Detalhes do Duomo.

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Coral durante a missa na catedral

Também de frente para a Piazza del Duomo fica a Galleria Vittorio Emanuele II, onde ficam as grifes mais conhecidas (onde as chinesas compram Prada com o troco da merenda) e também alguns cafés e restaurantes. Próximo à galeria fica a sorveteria famosa, conhecida como a que tem o melhor gelatto de Milão, a Cioccolati Italiani. O lugar fica tão cheio que é necessário pegar senha, mas até que não demora e o sorvete é mesmo muito gostoso.

Galleria Vittorio Emanuele II

Galleria Vittorio Emanuele II

Gelatto!

Gelatto! (atenção especial para a torneira de chocolate *o*)

Essa foi a nossa programação durante o dia. Quando anoiteceu, fomos curtir Milão como os locais, no Naviglio Grande, que é um dos canais construídos como caminhos de transporte de pessoas e mercadorias (inclusive sendo utilizados para carregar o mármore da construção do Duomo), mas que cairam em desuso, sendo substituídos por automóveis. Hoje em dia, na beira do canal ficam vários restaurantes interessantes e as pessoas circulam por ali de noite. Fomos em um restaurante bem legal e que na verdade é um barco! O melhor de tudo era o modo como funcionava: a gente paga 10 euros e escolhe alguma bebida, que pode ser uma taça de vinho, cerveja, algum drink, etc, e depois pode comer o quanto quiser do buffet, que inclui vários petiscos e até pizza. Ao que parece, muitos dos restaurantes/bares de lá funcionam nesse esquema. O nome do bar que eu fui era Flamba.

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Naviglio Grande, Milão.

Depois de comer toda a comida possível, fomos embora nos preparar para a viagem do dia seguinte: Veneza!

Beijos!

Lenita

Roma, onde não vi o Papa.

Já faz um tempo que eu estava doida pra conhecer a Itália. Eu não queria só comer macarrão e aproveitar alguns dias de um verão de verdade, mas também conhecer aqueles lugares históricos e aprender sobre a cultura romana, da qual tanto ouvi falar na época do colégio. Recebi uns amigos do Brasil aqui em casa, e eles queriam conhecer Paris e mais um outro lugar, além de Londres. Decidimos então ir pra Roma, e acertamos em cheio :).

Como decidimos tudo apenas dois dias antes de começarmos a viagem Paris-Roma, os preços dos Hostels estavam bem salgados, então Rafael teve a brilhante ideia de alugarmos apartamento, pois estaríamos em 4 pessoas e poderíamos ter mais conforto, segurança e privacidade também (sem ter que dividir banheiro com pessoas estranhas). No começo eu achei um pouco arriscado, afinal teríamos que pagar o valor total no ato da reserva e ainda teríamos complicações como contactar o dono da casa, chegar no horário para pegar as chaves, etc. Mas foi super tranquilo e valeu muitíssimo a pena, afinal nós nos sentimos em casa durante toda a viagem (tanto em Paris, quanto em Roma), e não foi necessário conviver com estrangeiros sem noção e seus hábitos esquisitos (usar o secador de cabelo no quarto às 6 da manhã, ficar de sutiã na frente do namorado alheio, passear de cueca, etc).

Alugamos apartamento na região de Cipro, bem atrás dos muros do Vaticano. Era só subir uma escada e, pronto, lá estava o papa fazendo a missa. Ficamos bem próximos à estação de metrô e a vários restaurantes e lojas também. A irmã do dono da casa, Sabrina, foi quem apareceu pra nos mostrar a casa, e nos explicou tudo minuciosamente (como ligar o fogão, como mudar os canais da tv, como ligar o ar condicionado…), a impressão que deu foi a de que ela não sabia que no Brasil nós também temos acesso a todas essas tecnologias maravilhosas. Sem contar que ela não sabia falar muito bem em inglês, então ela começava em inglês e depois ia falando em italiano mesmo e aí a gente entendia as coisas pelo contexto. Tivemos que pagar uma taxa de 2 euros por pessoa, por diária (coisa do governo de Roma), que não estava descrita no site do House Trip e também não tivemos internet, como estava descrito no site. Ainda assim, tivemos uma casa completa e confortável, com 2 quartos, 2 banheiros, cozinha equipada e máquina de lavar por 4 dias em Roma por um preço bem razoável. Falei tudo sobre alugar apartamentos nesse post.

Estátua do Papa João Paulo II em Termini.

    Roma tem dois aeroportos: Fiumicino e Ciampino. Chegamos à cidade pelo aeroporto de Fiumicino e fomos embora pelo aeroporto de Ciampino. Do aeroporto tem uma infinidade de shuttles que levam ao terminal central de ônibus e metrô de Roma, o Termini. Praticamente todos cobravam o mesmo preço, 4 euros. Ainda no aeroporto, no guichê de informações turísticas compramos o Roma Pass. Eu raramente gasto meu dinheirinho com esses cartões de turísmo, porque muitos deles não valem a pena se você não estiver planejando entrar em tudo quanto é museu. Eu sempre prefiro comprar só os passes livres de metrô e/ou ônibus e pronto, o resto eu vejo se cabe no meu orçamento ou não. Mas esse vale muito a pena, pois custa apenas 34 euros, e dá o direito de usar o transporte público de Roma ilimitadamente por 3 dias e também dá o direito a entrar em duas atrações gratuitamente (tentamos entrar em uma terceira no espírito do “vai que cola?” e colou).

O Roma Pass. Vem em uma embalagem bonitinha, com um mapa da cidade e uns folders com informações de alguns museus.

Durante os quatro dias fez o maior solzão e a cidade estava muito quente também. No primeiro dia fomos à Piazza di Spagna, que estava socada de gente. As ruas em volta da praça são cheias de lojas (as mais caras) e tem muita madame subindo e descendo com os braços cheios de sacolas de lojas de grife. Eu, que não sou rica e nem estou perto de ser, comprei meu chinelinho de 5 euros na H&M e saí de lá mais do que feliz.

É nessa praça que fica a ” Scalinata”, também conhecida como “Spanish steps”, que é essa escadinha que sobe da praça até a igreja Trinita dei Monti. Uma coisa que eu achei bem legal em Roma, e muito importante também, por conta do calor, é o fato de terem fontes de água bebível em todos os pontos turísticos. Eu já saía de casa com minha garrafinha dentro da bolsa, e aí em todo canto era só dar uma paradinha pra reabastecer e pronto. A primeira fonte que vimos em Roma foi a Barcaccia, que é uma fonte em formato de barco. Diz a lenda que uma vez o rio encheu e transbordou, e aí um barco veio parar bem nessa praça, e aí o Papa Urbano VIII achou bonito e mandou construir a Barcaccia no lugar.

"Spaish Steps".

“Spanish Steps”.

A Barcaccia.

A Barcaccia.

Bem próximo dali, andando pelas ruas cheias de lojas, fomos parar na Piazza del Popolo, onde tiramos foto em cima do leãozinho.

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Eu e Carol em cima do Leãozinho :).

Piazza del Popolo.

Piazza del Popolo.

Saindo da praça, pegamos o metrô para o Coliseu. O metrô de Roma é bem pequeno e tem somente duas linhas: A e B. O meio de transporte mais utilizado é o bom e velho ônibus mesmo. Apesar de não ser o meio principal, o metrô é muito útil para os turistas pois passa por muitos dos principais pontos turísticos da cidade.

Foi emocionante sair da estação de metrô e dar de cara com o tão famoso Coliseu lá, grandão e faltando um pedaço como eu estava acostumada a ver nas fotos. Na entrada tem varios guias oferencendo tours em grupos, e acho que vale a pena para quem se interessa por história, porque lá dentro as informações são meio que espalhadas e eu não consegui encontrar onde pegava os fones de ouvido que estavam sinalizados em alguns pontos do museu. De qualquer forma, o legal era olhar os objetos encontrados nas escavações e também as ilustrações de como o local era utilizado antigamente.

Eu, felizona no Coliseu.

Eu, felizona no Coliseu.

Lá dentro.

Lá dentro.

Bem ao lado do Coliseu ficam o Palatino e o Foro Romano. Foi o segundo local onde entramos com o Roma Pass. Começamos subindo o Palatino, passando pelas ruínas do palácio de Augustus. Foi lá no Palatino que Rômulo e Remo foram encontrados pela Loba, dentro de uma caverna.

Logo abaixo do Palatino fica o Foro Romano, que foi o centro do império romano por séculos, onde aconteciam os discursos, as festas e as brigas de gladiadores (quando o coliseu ainda não tinha sido construído). O Foro é repleto de ruínas de prédios antigos importantes, e é muito legal ficar ali olhando para o que parece uma cidade destruída e imaginar tudo funcionando, com pessoas caminhando, conversando e comprando coisas nos mercados de rua.

Foro Romano.

Foro Romano.

De tardinha fomos ao castelo de Sant’Angelo, que já fica do outro lado do rio, mais perto da nossa casa (e do Papa, hehe). Como esses dias longuíssimos de verão da Europa enganam muito, nem percebemos que chegamos lá já passava das sete e o castelo estava fechado :(. Mesmo assim, foi legal passear um pouco ali por fora mesmo, e foi o tempo certinho para chegarmos na ponte de Sant’Angelo e encontrarmos o que menos esperávamos: o “Olodum” da Itália fechando a ponte com a batucada baiana. Foi muito lindo de ver a gringada toda lá, feliz da vida se requebrando ao som dos tambores. A banda era muito boa e o pessoal estava super animado. Toda hora o maestro gritava “Bahia, Bahia!”. Ficamos lá no meio da muvuca até eles irem embora junto com o sol, foi bem legal.

Castelo de Sant'Angelo.

Castelo de Sant’Angelo.

Ponte de Sant'Angelo.

Ponte de Sant’Angelo.

O Olodum da Itália.

O Olodum da Itália.

No dia seguinte, fomos à Fontana di Trevi, que eu ameei mais que tudo em Roma! A fonte tem esse nome porque fica no encontro de três vias (Tre Vie) e as estátuas mostram a história de quando foi encontrado o ponto inicial de um aqueduto que serviu água para Roma durante mais de 400 anos. O ruim é que é lá fica cheio de gente o tempo todo. Ainda assim, eu gostei tanto que insisti para que voltássemos lá na nossa última noite na cidade, para ver como ficava com a iluminação. Mesmo depois tendo que voltar de lá até em casa andando, pois já passava de 1 da madrugada e os onibus param de circular depois da meia noite (andamos uns bons quilômetros), valeu a pena. Queria até ter jogado uma moeda na fonte, e desejar voltar a Roma em breve, mas só tinha moeda de 2 euros na carteira, e aí vcs sabem como funciona, né.

Fontana de Trevi.

Fontana de Trevi. As estátuas mostram os romanos procurando pela fonte de água com a ajuda da virgem.

Depois da Fonte fomos conhecer as Termas de Caracalla, que era um complexo de piscinas aquecidas, construída a mando do imperador Caracalla. A água era aquecida no subsolo, onde eram queimados madeira e carvão. O local é bem grande (na época, tinha até uma biblioteca dentro), e somente uma pequena parte está aberta para visitação, o resto fica interditado por conta das escavações. Durante o verão acontecem encenações e apresentações de ópera. Quando fomos lá, tinha um palco todo decorado, mas não estava tendo apresentação nenhuma. Para entrar lá tem que pagar (8 euros, se não me engano), mas aí a gente arriscou passar o Roma Pass, depois de já termos usado no Coliseu e Palatino, e funcionou normalmente.

Termas de Caracalla.

Termas de Caracalla.

Ilustração de como era o local na época do Império Romano.

Ilustração de como era o local na época do Império Romano.

Próximo às Termas, ficava o segundo lugar que eu mais queria conhecer em Roma: A Via Appia. Eu tinha visto uma foto muito bonita no instagram, de uma “via” que é a mais antiga estrada que funciona até hoje, construída em 312 antes de Cristo, e guardei aquilo na minha cabeça. Quando cheguei lá em Roma foi que eu lembrei que era a Via Appia, e aí não poderia perder a oportunidade de conhecer. Fomos andando das Termas até lá, perguntando a um e outro como chegar, e depois de muito tempo encontramos. Andamos muito lá dentro, tentando chegar ao local da foto (sou dessas), mas não conseguimos. Pesquisando depois, li uma citação de um poeta romano que dizia que “A via Appia é a rainha das estradas longas.” Então, né, ainda bem que depois de certo tempo, desistimos e fomos esperar na sombra pelo ônibus que passava de cajú em cajú para voltar pra casa, porque senão até hoje estaríamos lá, procurando o local da foto.

Na Via Appia.

Na Via Appia.

"The Appian Way is the queen of the long roads".

“The Appian Way is the queen of the long roads”.

Como ainda estava claro (como em qualquer hora antes das 23:00), fomos ao Pantheon também. O lugar estava tão socado de gente, que mais parecia um formigueiro. O jeito foi tomar um gelato bem gostoso por lá e depois ir pra casa.

Pantheon socado.

Pantheon socado.

À noite fomos em busca de Pizza, em um restaurante que tivesse Wifi. Notei que isso não muito comum em Roma, pois os estabelecimentos que tinham, colocavam avisos bem visíveis pra mostrar e atrair clientes. Depois de certo tempo de procura, fomos parar em um lugar perfeito, em uma daquelas vielas típicas italianas. Depois, de cabeça e barriga cheias, foi que voltamos à Fontana di Trevi (e depois andamos até em casa).

Fontana de Trevi à noite.

Fontana de Trevi à noite.

O dia seguinte já era o dia de virmos embora. A gente acabou se atrapalhando com os horários do voô (pensamos que seria às 17 h, mas era às 11h), e aí não deu pra cumprir com o planejado, que era de conhecermos o Vaticano na manhã do último dia. Sendo assim, acordamos beeem cedinho pra pelo menos ver a cidade do Vaticano, mesmo sem ter tempo pra entrar na basílica e no museu. Valeu a pena, só de ter entrado e visto como é lá dentro, e olhado a basílica de fora.

Eu e Rafael de mochila no Vaticano.

Eu e Rafael, no Vaticano, de mochila nas costas.

Amei ter conhecido Roma, e acho que gostaria até de passar mas dias por lá. Já ouvi relatos de pessoas que não gostaram muito da cidade, mas pra mim foi um destino interessantíssimo. Enquanto escrevia aqui, lembrando de todos os momentos, dos lugares bonitos e arborizados, do calor e da comida italiana, já fiquei com saudades de Roma e espero voltar muito em breve.

A única parte ruim, pra mim, foi ter ido à Roma e não ter conhecido o Papa.

Beijos!

Lenita