Londres pela primeira vez

Se eu estivesse indo a Londres pela primeira vez, o que eu gostaria que me recomendassem?

Londres é uma cidade incrível, cheia de coisas para fazer e lugares para conhecer. A capital da Inglaterra tem programações para todos os gostos e estilos, por isso acho que vale a pena pesquisar bastante e montar seu próprio roteiro, de acordo com seus principais interesses. Dos pontos turísticos mais famosos, como o Big Ben, passando pelos bairros de feirinhas alternativas e até às programações mais culturais, como museus e galerias, as opções são muitas. Para simplificar, hoje vou começar com sugestões dos lugares que eu acho que são os pontos mais fotogênicos da cidade, e vou provar tudo com minhas próprias fotos! hehe

1. O Big Ben

Esse, com certeza, é o mais famoso de todos! O “Big Ben”, é o sino do relógio que fica na “Elizabeth Tower”, a torre que faz parte do Parlamento, e que continuou de pé mesmo após os bombardeios da segunda guerra, e, detalhe, o relógio não parou de funcionar por um segundo. Não se sabe ao certo de onde veio esse nome, mas uma das possibilidades é que seja uma referência a um boxeador inglês peso pesado chamado Benjamin Caunt.

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O Parlamento inglês e o Big Ben.

Para chegar ao Big Ben, basta seguir algum grupo de chineses descer na estação de Westminster, que fica bem de frente para o relógio.

2. London Eye

A roda gigante mais famosa do mundo, com 120 metros de diâmetro e 135 metros de altura no total, possui 32 “casinhas” e é, provavelmente, o local de onde se tem uma das mais belas vistas de Londres. Digo ‘provavelmente’, pois NUNCA cheguei a subir na roda gigante, já que deixei para fazer todas as coisas de turista na última semana antes de voltar para o Brasil e dei o azar inimaginável de cair bem na semana em que a London Eye estaria fechada #chora 😥

London Eye.

London Eye.

Então, vai um conselho: pesquise antes no site da London Eye e verifique o funcionamento no período de sua viagem, para não correr o risco de ela estar em manutenção. Para chegar à London Eye, basta chegar à mesma estação do Big Ben e atravessar a Ponte de Westminster (o melhor ponto para fotografar as atrações à beira do Tâmisa).

3. Tower Bridge

A ponte fica próxima à Torre de Londres e na vizinhança daqueles prédios modernos de vidro altíssimos e modernos da “City of London”, que é o centro financeiro e comercial da cidade. A ponte é daquele tipo que abre para cima quando vai passar alguma embarcação muito alta. Tem como entrar na ponte para ver uma exposição lá, mas eu não sei quanto custa e nem o que tem de bom para ser visto.

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Tower Bridge.

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Tower Bridge.

Para visitar a ponte é só chegar à estação de metrô Tower Hill e passar pela Torre de Londres.

4. Palácio de Buckingham

Outro lugar para encontrar chineses. O palácio não é lá dos mais bonitos, mas todo mundo gosta de ir conhecer, por ser a residência oficial da rainha Elizabeth, e também para ver a cerimônia de troca da guarda, que acontece todos os dias pela manhã. Em alguns períodos do ano o palácio fica aberto para visitação, mas é no período em que a rainha está fora curtindo as férias, para não correr o risco de ninguém cruzar com a rainha nos corredores e roubar suas jóias, sequestrá-la ou algo do tipo.

Palácio de Buckingham.

Palácio de Buckingham.

Para chegar ao Palácio, há algumas opções de estações de metrô, como Victoria, Hyde Park Corner e Green Park, mas, para mim, o melhor caminho é descer em St. James’s Park e ir caminhando pelo parque até chegar ao palácio.

5. St. James’s Park

Este faz parte de um conjunto de parques reais de Londres, dos quais esse é o mais bonitinho de todos. O parque tem uma variedade de animais que ficam soltos por lá e que gostam de interagir com os turistas, como os pelicanos exibidos e os esquilinhos que ficam esperando ganhar comida. O mais bonito do parque é a vista da London Eye e do estábulo da rainha ao longe.

Pelicanos em St. James's Park.

Pelicanos em St. James’s Park.

Lago do St. James's Park.

Lago do St. James’s Park.

Esquilinho pedindo comida.

Esquilinho pedindo comida.

6. Estábulo da Rainha

O estábulo é o local onde ficam guardados os cavalos (oooh!) da guarda real. Para quem morre de vontade de tirar fotos dos soldadinhos de chumbo da rainha, esse é o lugar perfeito. Mas, cuidado, pois se dizem que eles não se mexem nunca, quando eu estava lá um menino besta foi mexer em um dos cavalos guardados e o soldado virou com tudo pra cima dele e deu grito no ouvido do menino que ele deve ter se urinado completamente.

Estábulo da Rainha

Estábulo da Rainha

Soldado da Guarda Real.

Soldado da Guarda Real.

Soldado "keep out!"

Soldado “keep out!”

7. Oxford Street

A rua que é a perdição dos turistas. Na Oxford Street ficam as grandes lojas tipo Zara, John Lewis, H&M, etc. A Oxford St. está sempre cheia nos horários comerciais e volta e meia tem alguém fazendo alguma arte pra ganhar uns trocados, como rodinhas de hiphop, truques de mágica, etc. Em datas especiais e períodos festivos a rua ganha decorações especiais.

Oxford Street.

Oxford Street.

Oxford Circus e Bond Street são as estações de metrô mais próximas da Oxford Street.

8. Kensington Gardens

Mais um dos parques reais de Londres, esse é o jardim do Palácio de Kensington, que esteve fechado durante algum tempo e agora já está aberto para visitação. O Palácio foi residência da famosa Princesa Diana e seus filhinhos William e Harry. Há um memorial em homenagem à princesa em Hyde Park, que fica ao lado do Kensington Gardens (nem sei quando começa um e termina o outro). Em frente ao Palácio tem um lago com vários cisnes tão grandes que dá até medo de chegar perto.

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Kensington Palace.

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Rainha Victória.

A estação de metrô mais próxima é Bayswater.

9. Greenwich Park

Sabe o meridiano de Greenwich, do qual tanto ouvimos falar lá pela 5a ou 6a série no colégio? Então, é lá no Greenwich Park que ele fica. A linha que divide o mundo em ocidente e oriente, e a partir da qual são definidos os fusos horários está desenhada lá em Greenwich, no Royal Observatory. Antes de chegar ao parque, vale a pena dar um passeio pela Universidade de Greenwich, que fica à beira do Tâmisa e tem uma vista linda para a City.

O parque tem uma colina onde fica o observatório, onde é preciso pagar para entrar e ver o desenho do meridiano. Ao lado do parque fica um museu de astronomia de entrada gratuita e muito interessante para adultos e crianças, todo interativo e tecnológico, vale a visita.

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Greenwich Park. A Universidade de Greenwich lá em baixo e a City ao fundo.

O parque fica no limite da zona 2, e é preciso pegar o DLR, que é um tipo diferente de metrô. Da primeira vez que fui ao parque, não levei em consideração o tempo que demora para chegar até aquele lado da cidade, e quando cheguei lá já eram 17h e pouca (que no inverno já é noite), e estava tudo escuro. Quando nos aproximamos do parque, que não tem nenhuma iluminação noturna, pois fecha por volta das 18h, vimos um feixe de luz verde bem forte que cruzava o céu. Brincamos que aquele era o meridiano, rimos e fomos embora. No dia seguinte, depois de uma pesquisa despretensiosa, descobrimos que é mesmo o meridiano de Greenwich!

A estação mais próxima é a de Greenwich. A viagem no DLR é como no metrô, só que pelo alto, e passa por uma Londres bem diferente do que o que a gente costuma ver no roteiro tradicional, o que é bem interessante.

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Então é isso, essa é a listinha dos lugares que quem está indo à Londres pela primeira vez não pode deixar de conhecer e fotografar. Tem ainda a Londres para quem gosta de museu e para quem é alternativo, mas dessa parte eu falo depois, vamos por etapas! hehe

Beijos!

Lenita 🙂

Meu reveillon em Londres

HAPPY NEW YEAR! ÊEEEEEH!

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Reveillon 2014, Londres.

Depois de passar 12 meses vivendo e sofrendo nessa Inglaterra, nada fazia mais sentido do que comemorar a virada de ano e iniciar 2014 por aqui mesmo. Essa foi uma das poucas vezes que passei o reveillon longe da praia, mas nem por isso deixou de ser especial. Pra falar a verdade, no Brasil é que a gente sabe como comemorar a virada. Vestir roupa branca, se arrumar, virar a noite comemorando o ano novo…tudo coisa nossa.

Meu ano novo em Londres foi maravilhoso, mas só teve mesmo 10 minutos de glamour, que foi durante a queima de fogos. Fora isso, foi chuva e espera no meio da muvuca. Pegamos o trem e fomos para Londres na tarde do dia 31 mesmo. Chegamos lá ainda cedo, então fomos passear em alguns lugares que ainda não conhecíamos, já andando em direção ao Tâmisa.

Eu tinha pesquisado bastante sobre como era o esquema de assistir aos fogos, e por isso já sabia que não tinha jeito, se quisesse garantir um lugar legal à beira do rio, teria que chegar lá bem cedo. Pois bem, por volta das 17h, paramos tudo o que estávamos fazendo e já fomos logo andando para as proximidades de Westminster. E foi quando começaram as aventuras do reveillon 2014:

Primeiramente, muitas das ruas que dão acesso às áreas dos fogos ficam interditadas pela polícia, por questões de segurança. Fomos andando sempre em direção à entrada seguinte e…OPA! Interditada. E assim foi, até que finalmente encontramos um caminho liberado. Fomos andando, andando e o caminho já estava cheio de gente. Quando chegamos à beira do rio, às 17:50h, já estava cheio!

Mas, calma, estava cheio mas ainda tinha muito espaço, era só ir chegando, se esquivando entre um e outro e deu pra conseguir um lugar bem legal, bem de frente para a London Eye e também atrás somente de pessoas não muito altas, o que é muito importante pra mim, hehe.

Pronto, uma vez que tinhamos encontrado o nosso spot, era só ficar quetinho e aguardar. Faltavam ainda 6h para a virada e o momento mágico dos fogos. 15 minutos depois eu já estava morrendo de tédio, tentando me controlar para não olhar no relógio de 5 em 5 minutos. Vou descrever melhor o cenário da espera: Algumas pessoas não queriam muito ficar no aperto, mas também faziam questão de ter uma visão boa do “show”, por isso elas ficavam mais afastadas da borda, no meio da rua, sentadas no chão com seus amigos conversando e bebendo de boa. Já outras pareciam estar ali desde muito cedo, coladas na grade de retenção, com várias merendas e farofas, algumas de pé, outras sentadas no chão em grupos (teve um cara que dormiu no meu pé por várias horas, e só acordou quando jogaram uns bagulhos na cabeça dele).

As primeiras duas horas foram um martírio. Um tédio extremo. Mas aí, por volta das 20h a coisa começou a mudar. Primeiro jogaram um sonzão lá, o pessoal começou a ficar animado, os indianos perto da gente começaram a cantar e de vez em quando o DJ da “festa” falava umas coisas, mandava a gente gritar, etc.

O “New years eve” desse ano foi patrocinado pela Vodafone, e tinha um tema “multisensorial”. Eles jogaram umas bolsinhas de plástico pra galera toda, e lá dentro tinham docinhos coloridos *.* que era a parte do “taste”. Aí do nada eles jogaram a projeção de um morango gigantesco em um prédio ao lado da London Eye e mandaram a gente gritar. Quanto mais a gente gritava, o morango ia enchendo, enchendo, até que ele explodiu, e aí soltaram umas fumacinhas com cheirinho de morango! Eu sei, muita palhaçada, mas pra quem estava em pé durante muito tempo, morrendo de tédio e a todo momento contando todas as cabines da London Eye para garantir que nenhuma delas tinha sumido desde os últimos 10 minutos, aquilo foi o máximo!

Banana no prédio: O MÁXIMO!

Banana no prédio: O MÁXIMO!

Depois o prefeito apareceu também, em uma mensagem gravada na projeção, falou várias coisas que ninguém entendeu e depois se mandou. E aí depois eles botaram uns vídeos, fizeram mais umas coisas e de repente faltavam somente 30 minutos! uhuuuu!

E foi aí que começou a chover. Choveu mesmo, choveu FORTE. Não vou dizer que foi uma decepção total pra mim e meus babyliss, afinal de contas eu tinha levado minha sombrinha porque era Londres, né. E aí, que a hora foi se aproximando e nada de a chuva parar. Aí começou a contagem e ainda estava chovendo, mais fraco, mas chuva ainda. Mas ninguém quis saber, todo mundo estava ali há horas! “Abaixem os guarda-chuvas!” Eu tratei logo de guardar o meu. Não quis molhar a câmera, mas passei o meu celular para Rafael (que tem muitos centimetros de altura em vantagem) filmar tudo, e contei: 5, 4, 3, 2, 1…

Ok, não vou ficar descrevendo fogos aqui. Mas foi uma coisa extravagante e única. Não sei qual foi a bruxaria que eles fizeram, mas parecia que os fogos saíam da roda gigante, tudo bem simétrico e sincronizado com as badaladas do Big Ben. Foi lindo demais.

Reveillon 2014, Londres.

Reveillon 2014, Londres.

Reveillon 2014, Londres.

Reveillon 2014, Londres.

E aí pronto, acabaram os fogos, acabou a festa. Todo mundo juntou seus trapos e se mandou. O DJ ainda implorava, “fiquem mais!”, “não vão agora”, conselho da organização para que as pessoas não fossem todas pegar o metrô de uma vez só e evitar confusões na estação. Enfim, a multidão toda se dispersou muito rapidamente e eu fiquei livre para tirar minhas fotinhas no Tâmisa 🙂

Dicas aleatórias para quem for passar o reveillon em Londres:

1. Chegue cedo se quiser pegar um lugar bem na frente, e se não se importar, chegue ao menos antes das 21h, pois, uma vez que as áreas de vizualização dos fogos estão cheias, a polícia fecha todas as entradas e quem ficar do lado de fora, ficou. Eu cheguei antes das 18h, mas tiveram amigos meus que chegaram depois das 19h e conseguiram lugares bons, e outros que chegaram depois das 20h e conseguiram ao menos entrar na área de vizualização e ver os fogos.

2. Leve sua água e comida, pois não tem ambulante vendendo churrasquinho, nem “5 piriguete por 4 real” não. Ao contrário dos outros dias do ano, na véspera é permitido beber nas ruas, mas teoricamente é proibído andar com garrafas de vidro (todo mundo ao meu redor estava com garrafas de vidro sem problemas).

3. Nas proximidades do rio são colocados vários banheiros químicos de uso gratuito.

4. Somente na madrugada entre os dias 31 e 01 o transporte público é totalmente gratuito, a partir das 23:45 às 4:30h. As estações ficam bem lotadas antes das 2 da manhã (e algumas estações fecham), com longas filas para entrar, então é bom esperar um pouco antes de voltar para casa.

5. Se for cedo, carregue o celular e vá mentalmente preparado para o téeeedio sem fim, haha!

Novamente: Feliz ano novo para todos, e que 2014 seja um ano de muitas emoções!

Beijos!

Lenita

A Catedral da Reconciliação.

Hoje é um dia importante aqui em Coventry. Dia de recordar o triste evento que aconteceu há 63 anos, quando 500 aviões nazistas bombardearam a cidade com o objetivo de destruir as “shadow factories”, fábricas que produziam peças de caças e equipamentos para a força aérea britânica. Coventry foi, de longe, a cidade mais bombardeada e mais afetada pela guerra. Junto com as fábricas, foi destruído todo o centro da cidade e mais de 4 mil casas. Os ataques começaram na noite do dia 14 de novembro de 1940 e só terminaram na manhã do dia seguinte.

Do pouco que sobrou, ficou o maior símbolo de recordação desse dia: as ruínas da Catedral de St. Michael. A antiga igreja, que foi construída há mais de 600 anos, e que era uma das maiores da Inglaterra, foi atingida pelas bombas e dela sobrou apenas a estrutura externa.

Catedral de St. Michael, em 1880.

Catedral de St. Michael, em 1880.

Interior da Catedral.

Interior da Catedral.

As bombas destruíram telhados, colunas, vitrais e tudo o mais que fazia parte do interior da Catedral. Restaram apenas a torre e as paredes externas. Obviamente, a devastação da antiga Catedral de Coventry foi motivo de grande comoção e tristeza, mas na manhã seguinte já estava decidido que ela seria reerguida, e se tornaria motivo de orgulho para as gerações futuras, assim como foi para as gerações passadas.

A Catedral, logo após os bombardeios.

A Catedral, logo após os bombardeios.

Ruínas da Catedral hoje em dia.

Ruínas da Catedral hoje em dia.

Mas, como se pode ver na foto acima, que tirei faz uns 6 dias, as ruínas da “Old Cathedral” continuam lá, do mesmo jeito que foram deixadas após os bombardeios. Ao invés de reconstruírem a igreja, foi decidido que uma nova Catedral de St. Michael seria erguida bem do lado da antiga, e que as ruínas permaneceriam lá, como símbolo de memória e reconciliação.

A Catedral de Coventry, nas mãos de seu primeiro bispo, que ali foi enterrado.

A Catedral de Coventry, nas mãos de seu primeiro bispo, que ali foi enterrado.

A torre, que sobreviveu aos bombardeios.

A torre, que sobreviveu aos bombardeios.

As duas catedrais de St. Michael, nova e antiga, lado a lado.

As duas catedrais de St. Michael, nova e antiga, lado a lado.

A Rainha Elizabeth foi quem lançou a pedra fundamental da nova catedral, que apesar de ser uma “reconstrução” da antiga, tem um aspecto totalmente diferente e moderno. Na parede externa, nas escadas que levam à entrada, fica uma escultura de St. Michael pisando na cabeça do diabo.

St. Michael e o diabo.

St. Michael e o diabo.

Hoje em dia, quando a catedral está aberta, sempre tem alguém passeando por lá, levando flores, fazendo 1 minuto de silêncio em datas especiais, etc. Uma coisa que me dei conta somente quando saí do Brasil e vim para cá, foi que para muitas pessoas daqui a guerra foi algo real, que elas viveram de perto, na qual perderam família, amigos, casa, dentre outras coisas. Por isso eles dão tanto valor ao que diz respeito a essas lembranças e fazem de tudo para preservar.

A catedral se tornou realmente um símbolo histórico para que todos possam se lembrar do que ocorreu nos dias 14 e 15 de novembro de 1940, não para incitar sentimentos de perda e de vingança, mas para trazer um sentimento de paz e de reconciliação.

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“Uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.”  Miquéias 4:3

A Praia Mais Bonita do Reino Unido

No último fim de semana, pela primeira vez fui conhecer uma praia aqui no Reino Unido. Veja bem, isso aqui é uma ilha, então não é muito difícil de encontrar uma praia. Para qualquer lado que se viaje, tem uma praia. O complicado é acordar, olhar o dia cinza e frio e dizer: Aah, hoje vou vestir meu casaco, meu cachecol e botas e vou à praia :).

Em janeiro, quando estava arrumando as malas para deixar o Brasil por um ano, uma das primeiras coisas que tratei de providenciar foi um bikini novo. Lembro que alguém me perguntou se eu estava maluca e pra que diabos eu queria me iludir trazendo bikini para a Inglaterra. Pois bem, as três semanas de verão vieram e foram embora e meu bikini nunca chegou a conhecer alguma praia do Reino Unido.

Finalmente, nesse fim de semana fui encontrar uns amigos em Swansea, no País de Gales e aproveitei para curtir uma praia de outono, com direito a muito frio, céu cinzento e chuviscos. Fomos a Rhossili, uma praia que fica próxima a uma vila de mesmo nome e que foi eleita a praia mais bonita do Reino Unido e a terceira mais bonita da Europa esse ano pelo Tripadvisor. Pxxxii. Como não fez sol, estava meio diferente do que vi nas fotos, mas ainda assim achei a praia muito linda, e amei toda a paisagem em volta também.

Rhossili Bay

Rhossili Bay

Rhossili lembra um pouco as praias brasileiras, por ser plana e de chão de areia normal, mas quando vista lá de cima fica muito diferente. A vegetação em torno da praia estava toda alaranjada do outono e, para completar a paisagem bucólica à beira mar, animais que nunca imaginei encontrar na praia: OVELHAS. De verdade, lá estava cheio de ovelhinhas suicidas que se arriscavam na beira do penhasco para comer exatamente a mesma grama que estava sobrando na parte mais plana e segura.

Ovelhas

Ovelhas querendo arte.

Rhossili e as ovelhinhas.

Rhossili Bay

A despeito do frio que estava fazendo, tinha uma galerinha surfando e mergulhando na praia, que foi ficando cada vez mais “cheia” próximo das 13h.

Obviamente, não foi dessa vez que Lenita e seu bikini entraram nas águas britânicas, mas deu pra curtir bastante a paisagem e até mesmo tomar um sorvete do Joe’s (tradicional de Wales, maravilhoso!) em uma lojinha de lembranças que fica perto da praia.

Como chegar: Quem quiser conhecer “A praia mais bonita do Reino Unido” pode chegar lá usando o transporte público de Swansea, pegando o ônibus 118 Rhossili e descendo no último ponto. Tem que prestar atenção no horário de volta, pois no verão parece que os últimos ônibus são bem disputados e não tem transporte no domingo (ao menos não no outono). Os horários e tarifas estão disponíveis no site da First.

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Beijos!

Lenita

Museus Gratuitos de Edimburgo

Já reclamei bastante aqui no blog sobre como no UK as atrações do tipo castelos e palácios geralmente são caras demais, principalmente para um budget de estudante. Mas também, pra compensar, temos muitas opções de museus muuito legais e com entrada gratuita para todos. Museu aqui é um lugar para passeio como qualquer outro, onde as pessoas vão para descontrair, fazer um lanche, etc. Justamente por isso, aqui é bem comum os pais levarem seus filhos para passearem nos museus nos finais de semana e feriados, o que eu acho bem legal apesar de as crianças ficarem subindo nas esculturas, pegando em coisas que não pode tocar, correndo e esculhambando tudo (na minha opinião a coleirinha de criança que eles usam por aqui é uma coisa genial). Inclusive, uma dica: se puder, prefira sempre os dias dias de semana para ir aos museus, é muito mais tranquilo e menos concorrido.

Como passei uma semana em Edimburgo, tive tempo de conhecer alguns dos museus e achei que seria legal colocar aqui como dica para quem for conhecer a cidade dar uma passadinha nos museus, afinal eles são todos gratuitos e com certeza valem a pena. Acho que o mais legal de viajar é ter a oportunidade de conhecer diferentes culturas, histórias e costumes, pelo menos é isso que eu sempre busco em minhas viagens.

Bom, lá vai uma listinha de museus legais e gratuitos em Edimburgo:

1. National Museum of Scotland

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Esse com certeza é o mais legal de todos! Se você estiver com pouco tempo e for escolher um museu, simplesmente: escolha esse.

O museu conta a história da Escócia todinha, desde a época das formações rochosas do local (zzz pulei essa parte, obviamente haha) até os tempos atuais. Eles contam a história da religião, da formação e evolução das cidades, das brigas com a Inglaterra, dos costumes, de como era a vida antigamente, etc.

O prédio tem uns 6 andares, cada andar se refere a um período diferente da história de um lado, e do outro lado fica uma parte do museu com a parte de ciências (que é justamente onde a criançada sem coleira toca o terror). Nessa parte fica o esqueleto de um T-Rex em tamanho real, a ovelha Dolly, que foi clonada na Escócia, e um robô que escreve o seu nome.

Dolly

A ovelha Dolly.

E no terraço do museu dá pra ter uma vista muito linda da cidade e do castelo também.

2. Museum of Edimburgh

Se você quer conhecer as histórias populares de Edimburgo e saber sobre a vida das pessoas na cidade antigamente, esse é o local perfeito. O museu funciona em uma casa típica da antiga Royal Mile, e só de entrar lá, pisar no chão de madeira que range, observar as paredes irregulares e, claro, sentir o cheiro de mofo, já nos sentimos de volta ao passado. Eles tem várias coleções de objetos antigos, retratos e relatos da Edimburgo antiga. O museu não é muito grande, dá pra conhecer tudo em uns 40 minutos.

A história de Bobby.

A história de Bobby.

3. The Writer’s Museum

Como o próprio nome diz, o museu é dedicado aos escritores escoceses, mas só conta mesmo as histórias de três deles: Robert Louis Stevenson, Walter Scott (o que tem uma escultura no Princes Gardens) e Robert Burns. Fui achando que encontraria alguma coisa sobre Conan Doyle também, afinal de contas né, claro que tinha que ter… Mas não tem nada, nem uma fotinha no mural lá dos escritores. Li em algum canto que eles pretendem ampliar para outros escritores também, mas não procurei confirmar. De qualquer modo, o museu já vale a visita somente para poder entrar na famosa residência da Lady Stair, uma burguesa lá do século XVII, que fica localizada em um dos icônicos closes de Edimburgo.

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Lady Stair’s House

4. Museum on the Mound

Esse museu é do Banco da Escócia, que fica em cima desse morro (feito de lixo), o Mound, que eles compraram por 150 mil libras (!!!) do governo e construíram esse prédio lindo:

National Bank of Scotland.

National Bank of Scotland.

O museu é bem pequeno e conta a história do dinheiro e do banco, que é uma coisa que os Escoceses meio que pensam que eles que inventaram e eles se orgulham bastante disso. O mais legal é que eles tem em exposição o equivalente a 1milhão de pounds em notas, que, convenhamos, vi pela primeira e última vez na minha vida.

Entre os registros de investimentos estrangeiros, lá também tem um documento de financiamento (acho) da Madeira Mamoré, aqui do Brasil.

Promissória da Madeira Mamoré.

Promissória (?) da Madeira Mamoré.

5. The People’s Story

O museu é dedicado especialmente a tratar da vida das pessoas e é legalzinho, mas não muito. Pra falar a verdade, só vale mesmo a visita para dar uma espiada em uma cela de prisão de verdade, já que antigamente ali era como se fosse um portão da cidade, onde eram recolhidos impostos e também tinha uma prisãosinha. Dá aprender um pouco sobre as profissões na antiga Edimburgo, como as pessoas viviam, como se relacionavam, etc. O museu é cheio daqueles bonecos macabros que parecem pessoas de verdade então se prepare porque é meio aterrorizante, hehe.

Além desses que eu citei, Edimburgo também tem muitos outros museus interessantes e totalmente gratuitos como o Museu da Guerra e o Scottish National Gallery, que não tive a oportunidade de conhecer porque não deu tempo. Espero que tenham gostado das dicas 🙂

Beijos!

Lago Ness e as Highlands Escocesas

Já que estava na Escócia, não poderia deixar de ir conhecer o Lago Ness e dar uma passeada pelas Highlands. Como não alugamos carro, para que ficasse mais prático decidimos pegar um tour de um dia, saindo de Edimburgo de manhã cedo e voltando somente à noite.

O Lago Ness, ou “Loch Ness”, em gaélico, fica próximo à cidade de Inverness, que fica muuito mais ao norte que Edimburgo. O que tem de especial lá: nada. O único motivo pelo qual ele ficou tão conhecido e acabou virando atração turística é por conta da história do monstro mesmo. O lago é bem grande e é um dos mais fundos da Escócia (acredite ou não, já se deram ao trabalho de fazer um rastreamento no lago para saber de uma vez se tem ou não tem monstro lá dentro).

Eu, de olho.

Eu, de olho no lago.

Existe a opção de fazer um tour pelo lago em um barco, onde o cara (ou o áudio-guia) vai contando as famosas histórias de Nessie. O tour dura 1,5h, se não me engano, e passa pelas ruinas de um castelo que fica à beira do lago, o que dá uma paisagem bem bonita. Optamos por não fazer o tour e ficar esperando na beira do lago até dar a hora de voltar para o ônibus, mas aí a gente cansou de ficar lá e decidiu dar uma volta para explorar o lugar. E não é que encontramos uma trilha bem interessante? A trilha vai pelo meio da floresta e tem vários pontos bem altos onde dá pra parar e ter uma vista bem bonita do lago. Acho que foi essa trilha que salvou, porque o lago em si não tem realmente nada de interessante e nem é muito bonito. Se quer conhecer um lago bem bonito na Escócia, procure um tour para o Loch Lomond que vale mais a pena.

O Lago Ness visto da trilha.

O Lago Ness visto da trilha.

Na trilha.

Foto ~espontânea~ na trilha.

A parte que mais gostei do tour foi quando passamos pelas Highlands, aquelas montanhas liindas e cobertas de verde, as vezes à beira de algum laguinho e com aqueles murinhos de pedra que a gente vê no filme Coração Valente. Por sinal, o filme foi citado pelo guia ao menos umas 20 vezes durante a viagem (apesar de ele estar inconformado pelo fato de terem colocado um Australiano – Mel Gibson- para fazer o papel de William Wallace).

O caminho todo é bem bonito e por isso o ônibus faz algumas paradas para tirar fotos. Uma dessas paradas é em Glencoe, que é um local com uma história bem triste. Já falei aqui um pouco sobre as tradições escocesas, dos Clãs (que são tipo família) e dos Kilts, etc. Pois bem, era nos arredores desse local que moravam os membros do clã dos MacDonald, em 1600 e tanto.

Glencoe.

Glencoe.

Um dia, um grupo de soldados de um regimento que passava por ali pediu abrigo e foi prontamente acolhido pelos MacDonalds, já que a hospitalidade é uma coisa tipica nas Highlands. O grupo ficou com eles por alguns dias, convivendo com eles, comendo com eles, jogando, etc, e, de repente, enquanto todos dormiam, os soldados organizaram um massacre, que resultou na morte de todos os membros da família, homens, mulheres e crianças, acabando de vez com o clã dos MacDonalds.

O relato é bem triste e tem várias explicações políticas por trás do ocorrido (shame on you, ingleses, que já fizeram a Escócia sofrer bastante!), mas, de fato, é algo que está bem marcado na história deles, e que teve impacto na relação dos clãs com o governo – eles foram proibidos de usar as sainhas e tudo o mais… 😦

E por último, a parte mais legal do tour, que foi a hora que a gente conheceu as vaquinhas cabeludas de pelúcia <3. Fiquei torcendo muito para não chover e para elas estarem alegres e receptivas às visitas, já que dizem que tem épocas em que elas ficam emburradas e não saem de dentro das casinhas para a tristeza dos turistas. Mas, sim, consegui vê-las bem de pertinho, pois quando chegamos elas estavam lá fora comendo, e quando terminaram elas ficaram ali pela beira da cerca encarando todo mundo. Tirei várias fotos, até que não aguentei mais o fedor delas e saí de perto, haha.

Elas comendo cenoura com farofa pra ficarem bem gordinhas.

Elas comendo cenoura com farofa pra ficarem bem gordinhas.

Me encarando.

Me encarando.

O tour completo dura mais de 12h e é até meio cansativo, mas vale muito a pena. A empresa que contratamos foi a Timberbush, que tem sede na Royal Mile, próximo ao Castelo de Edimburgo. Compramos o tour um dia antes, lá na empresa mesmo, pagamos £39 cada com desconto de estudante (o valor normal era £41). O transporte é em um ônibus pequeno para 32 pessoas e bem confortável. O guia é o próprio motorista, o nosso foi um velhinho escoces que não parava de falar 1 minuto, sabia a história de cada árvore, cada poste, lago, casa que estava pelo caminho (dormi horrores enquanto ele contava as histórias e até desejei que ele calasse a boca um pouquinho na volta pois estava com muito sono, hehe). No geral, gostei bastante dessa empresa e recomendo :).

Beijos!

Lenita

A Edimburgo onde nasceram Sherlock Holmes e Harry Potter.

Não na história, mas na vida real. Quer prova maior de que a capital escocesa é simplesmente a cidade mais inspiradora de toda a Europa? E te digo, os escritores que são principal motivo de orgulho para eles nem são Conan Doyle, nem tampouco J. K. Rowlling (até porque ela nem é escocesa nem nada). Para eles, importantes mesmo foram Robert Burns, Robert Louis Stevenson e (Sir) Walter Scott. Esse último é o mais idolatrado, tem até um monumento gigantesco que parece um foguete com a estátua dele sentado lá dentro bem no meio da Princes Street. Deus no céu, Scott na terra, quem já esteve em Edimburgo sabe como é. E eu nunca nem tinha ouvido falar desses caras antes de ir à Escócia.

Scott Monument

Scott Monument

Mas vamos ao que interessa de verdade: aos dois personagens tão característicos que conquistaram o mundo inteiro, fazendo o maior sucesso principalmente através dos livros, mas também por meio de filmes que já foram/serão regravados muitas vezes ao longo das gerações, porque as histórias são realmente muito contagiantes para ficarem velhas (alguma dúvida de que daqui a alguns anos Harry Potter vai ganhar remake?).

Foi na Universidade de Edimburgo que o estudante de medicina Arthur Conan Doyle conheceu aquele que seria a inspiração para a criação do personagem Sherlock Holmes. Ela veio através de um professor que gostava de ensinar aos alunos o método dedutivo que tanto aparece nas estórias. Diz-se que um de seus hobbies era olhar para uma pessoa estranha e, por dedução, tentar desvendar sua vida, qual era o seu emprego, de onde era, onde morava, etc. Soa familiar, não?

Doyle nasceu em Edimburgo, na casa de número 11, na Picardy Place, que fica na parte da new town (fui lá procurar onde era gente, haha) e depois da graduação se mandou da cidade e foi morar fora. Foi fora de Edimburgo que ele começou a escrever sobre Holmes e Watson, que fizeram o maior sucesso rapidamente entre os ingleses, e depois explodiram no mundo todo. Algum tempo depois, Doyle ficou de saco cheio de escrever as histórias do detetive e decidiu matá-lo nas cataratas de Reichenbach, na Suíça. Lágrimas.

Estátua de Holmes, na Picardy Place.

Estátua de Holmes na Picardy Place.

Depois ele resolveu “ressucitar” Holmes, por conta da pressão popular e escreveu mais algumas estórias. Bem perto de onde ficava a casa de Doyle, antes de ser demolida para a construção de um prédio quadrado, feio e sem decoração, existe um Pub chamado “The Conan Doyle”.

The Conan Doyle.

The Conan Doyle.

Outro Pub bem famoso na cidade é o The Elephant House, que se gaba de ter sido um dos locais escolhidos por J. K. Rowling para escrever as estórias de Harry Potter. A escritora chegou em Edimburgo desiludida da vida, depois de um divórcio, sem emprego e com uma filha para criar. A situação estava tão feia que ela vivia graças à assistência do governo aos pobres e ~dizem~ chegou até a tentar suicídio. Como ela não tinha dinheiro nem mesmo pra alugar uma casa com aquecedor, durante o dia ela ia para os pubs e ficava horas escrevendo por lá.

The Elephant House.

The Elephant House.

Bem pertinho desse pub fica o Greyfriars Kirkyard, que é um cemitério bem lindinho que fica na old town. Nunca me imaginei passeando em cemitérios, mas parece que é algo que o pessoal gosta de fazer por aqui (cemitério = parque). Cemitérios também são lugares inspiradores para quem está escrevendo um livro e precisa de nomes legais para dar aos seus personagens, nomes diferentes, nos quais eles nunca tinham pensado, e que são nomes plausíveis, digamos, já que alguém que já viveu e andou sobre esse planeta já foi chamado daquela forma.

Pois bem, passeando pelo Greyfriars Kirkyard é possível encontrar vários dos nomes e sobrenomes dos personagens do livro ( Mcgonagall é o único que eu me lembro, mas tem vários outros, é só procurar). Como não sou exatamente fã, nem me dei ao trabalho de sair catando, já que eu não ia reconhecer nenhum nome mesmo… Ah, mas, pera, tem esse aqui, acho que esse aqui todo mundo conhece né:

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“Vocêsabequem”

O cemitério tem uma entrada pela George Heriot’s School que, novamente, ~dizem~ ter sido a grande inspiração na criação de Hogwarts. A explicação é bem convincente já que, em uma época em que somente quem tinha boas condições financeiras podia estudar, essa escola magnífica e linda foi criada especialmente para oferecer educação gratuita para crianças órfãs e pobres.

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George Heriot’s School (foto da internet).

A vista das janelas do Elephant House, que fica meio que no alto, dá para o cemitério e para a escola, ou seja.

Com certeza devem ter muito mais coisas em Edimburgo que inspiraram os dois escritores na criação de suas estórias, porque a cidade toda é simplesmente fascinante.

E pra quem se interessar em conhecer mais sobre os famosos escritores de Edimburgo, vale a pena visitar o museu dos escritores, o Writers’ Museum, do qual falarei um pouco mais em outro post.

Beijos!

Lenita