Londres pela primeira vez

Se eu estivesse indo a Londres pela primeira vez, o que eu gostaria que me recomendassem?

Londres é uma cidade incrível, cheia de coisas para fazer e lugares para conhecer. A capital da Inglaterra tem programações para todos os gostos e estilos, por isso acho que vale a pena pesquisar bastante e montar seu próprio roteiro, de acordo com seus principais interesses. Dos pontos turísticos mais famosos, como o Big Ben, passando pelos bairros de feirinhas alternativas e até às programações mais culturais, como museus e galerias, as opções são muitas. Para simplificar, hoje vou começar com sugestões dos lugares que eu acho que são os pontos mais fotogênicos da cidade, e vou provar tudo com minhas próprias fotos! hehe

1. O Big Ben

Esse, com certeza, é o mais famoso de todos! O “Big Ben”, é o sino do relógio que fica na “Elizabeth Tower”, a torre que faz parte do Parlamento, e que continuou de pé mesmo após os bombardeios da segunda guerra, e, detalhe, o relógio não parou de funcionar por um segundo. Não se sabe ao certo de onde veio esse nome, mas uma das possibilidades é que seja uma referência a um boxeador inglês peso pesado chamado Benjamin Caunt.

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O Parlamento inglês e o Big Ben.

Para chegar ao Big Ben, basta seguir algum grupo de chineses descer na estação de Westminster, que fica bem de frente para o relógio.

2. London Eye

A roda gigante mais famosa do mundo, com 120 metros de diâmetro e 135 metros de altura no total, possui 32 “casinhas” e é, provavelmente, o local de onde se tem uma das mais belas vistas de Londres. Digo ‘provavelmente’, pois NUNCA cheguei a subir na roda gigante, já que deixei para fazer todas as coisas de turista na última semana antes de voltar para o Brasil e dei o azar inimaginável de cair bem na semana em que a London Eye estaria fechada #chora 😥

London Eye.

London Eye.

Então, vai um conselho: pesquise antes no site da London Eye e verifique o funcionamento no período de sua viagem, para não correr o risco de ela estar em manutenção. Para chegar à London Eye, basta chegar à mesma estação do Big Ben e atravessar a Ponte de Westminster (o melhor ponto para fotografar as atrações à beira do Tâmisa).

3. Tower Bridge

A ponte fica próxima à Torre de Londres e na vizinhança daqueles prédios modernos de vidro altíssimos e modernos da “City of London”, que é o centro financeiro e comercial da cidade. A ponte é daquele tipo que abre para cima quando vai passar alguma embarcação muito alta. Tem como entrar na ponte para ver uma exposição lá, mas eu não sei quanto custa e nem o que tem de bom para ser visto.

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Tower Bridge.

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Tower Bridge.

Para visitar a ponte é só chegar à estação de metrô Tower Hill e passar pela Torre de Londres.

4. Palácio de Buckingham

Outro lugar para encontrar chineses. O palácio não é lá dos mais bonitos, mas todo mundo gosta de ir conhecer, por ser a residência oficial da rainha Elizabeth, e também para ver a cerimônia de troca da guarda, que acontece todos os dias pela manhã. Em alguns períodos do ano o palácio fica aberto para visitação, mas é no período em que a rainha está fora curtindo as férias, para não correr o risco de ninguém cruzar com a rainha nos corredores e roubar suas jóias, sequestrá-la ou algo do tipo.

Palácio de Buckingham.

Palácio de Buckingham.

Para chegar ao Palácio, há algumas opções de estações de metrô, como Victoria, Hyde Park Corner e Green Park, mas, para mim, o melhor caminho é descer em St. James’s Park e ir caminhando pelo parque até chegar ao palácio.

5. St. James’s Park

Este faz parte de um conjunto de parques reais de Londres, dos quais esse é o mais bonitinho de todos. O parque tem uma variedade de animais que ficam soltos por lá e que gostam de interagir com os turistas, como os pelicanos exibidos e os esquilinhos que ficam esperando ganhar comida. O mais bonito do parque é a vista da London Eye e do estábulo da rainha ao longe.

Pelicanos em St. James's Park.

Pelicanos em St. James’s Park.

Lago do St. James's Park.

Lago do St. James’s Park.

Esquilinho pedindo comida.

Esquilinho pedindo comida.

6. Estábulo da Rainha

O estábulo é o local onde ficam guardados os cavalos (oooh!) da guarda real. Para quem morre de vontade de tirar fotos dos soldadinhos de chumbo da rainha, esse é o lugar perfeito. Mas, cuidado, pois se dizem que eles não se mexem nunca, quando eu estava lá um menino besta foi mexer em um dos cavalos guardados e o soldado virou com tudo pra cima dele e deu grito no ouvido do menino que ele deve ter se urinado completamente.

Estábulo da Rainha

Estábulo da Rainha

Soldado da Guarda Real.

Soldado da Guarda Real.

Soldado "keep out!"

Soldado “keep out!”

7. Oxford Street

A rua que é a perdição dos turistas. Na Oxford Street ficam as grandes lojas tipo Zara, John Lewis, H&M, etc. A Oxford St. está sempre cheia nos horários comerciais e volta e meia tem alguém fazendo alguma arte pra ganhar uns trocados, como rodinhas de hiphop, truques de mágica, etc. Em datas especiais e períodos festivos a rua ganha decorações especiais.

Oxford Street.

Oxford Street.

Oxford Circus e Bond Street são as estações de metrô mais próximas da Oxford Street.

8. Kensington Gardens

Mais um dos parques reais de Londres, esse é o jardim do Palácio de Kensington, que esteve fechado durante algum tempo e agora já está aberto para visitação. O Palácio foi residência da famosa Princesa Diana e seus filhinhos William e Harry. Há um memorial em homenagem à princesa em Hyde Park, que fica ao lado do Kensington Gardens (nem sei quando começa um e termina o outro). Em frente ao Palácio tem um lago com vários cisnes tão grandes que dá até medo de chegar perto.

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Kensington Palace.

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Rainha Victória.

A estação de metrô mais próxima é Bayswater.

9. Greenwich Park

Sabe o meridiano de Greenwich, do qual tanto ouvimos falar lá pela 5a ou 6a série no colégio? Então, é lá no Greenwich Park que ele fica. A linha que divide o mundo em ocidente e oriente, e a partir da qual são definidos os fusos horários está desenhada lá em Greenwich, no Royal Observatory. Antes de chegar ao parque, vale a pena dar um passeio pela Universidade de Greenwich, que fica à beira do Tâmisa e tem uma vista linda para a City.

O parque tem uma colina onde fica o observatório, onde é preciso pagar para entrar e ver o desenho do meridiano. Ao lado do parque fica um museu de astronomia de entrada gratuita e muito interessante para adultos e crianças, todo interativo e tecnológico, vale a visita.

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Greenwich Park. A Universidade de Greenwich lá em baixo e a City ao fundo.

O parque fica no limite da zona 2, e é preciso pegar o DLR, que é um tipo diferente de metrô. Da primeira vez que fui ao parque, não levei em consideração o tempo que demora para chegar até aquele lado da cidade, e quando cheguei lá já eram 17h e pouca (que no inverno já é noite), e estava tudo escuro. Quando nos aproximamos do parque, que não tem nenhuma iluminação noturna, pois fecha por volta das 18h, vimos um feixe de luz verde bem forte que cruzava o céu. Brincamos que aquele era o meridiano, rimos e fomos embora. No dia seguinte, depois de uma pesquisa despretensiosa, descobrimos que é mesmo o meridiano de Greenwich!

A estação mais próxima é a de Greenwich. A viagem no DLR é como no metrô, só que pelo alto, e passa por uma Londres bem diferente do que o que a gente costuma ver no roteiro tradicional, o que é bem interessante.

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Então é isso, essa é a listinha dos lugares que quem está indo à Londres pela primeira vez não pode deixar de conhecer e fotografar. Tem ainda a Londres para quem gosta de museu e para quem é alternativo, mas dessa parte eu falo depois, vamos por etapas! hehe

Beijos!

Lenita 🙂

Meu reveillon em Londres

HAPPY NEW YEAR! ÊEEEEEH!

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Reveillon 2014, Londres.

Depois de passar 12 meses vivendo e sofrendo nessa Inglaterra, nada fazia mais sentido do que comemorar a virada de ano e iniciar 2014 por aqui mesmo. Essa foi uma das poucas vezes que passei o reveillon longe da praia, mas nem por isso deixou de ser especial. Pra falar a verdade, no Brasil é que a gente sabe como comemorar a virada. Vestir roupa branca, se arrumar, virar a noite comemorando o ano novo…tudo coisa nossa.

Meu ano novo em Londres foi maravilhoso, mas só teve mesmo 10 minutos de glamour, que foi durante a queima de fogos. Fora isso, foi chuva e espera no meio da muvuca. Pegamos o trem e fomos para Londres na tarde do dia 31 mesmo. Chegamos lá ainda cedo, então fomos passear em alguns lugares que ainda não conhecíamos, já andando em direção ao Tâmisa.

Eu tinha pesquisado bastante sobre como era o esquema de assistir aos fogos, e por isso já sabia que não tinha jeito, se quisesse garantir um lugar legal à beira do rio, teria que chegar lá bem cedo. Pois bem, por volta das 17h, paramos tudo o que estávamos fazendo e já fomos logo andando para as proximidades de Westminster. E foi quando começaram as aventuras do reveillon 2014:

Primeiramente, muitas das ruas que dão acesso às áreas dos fogos ficam interditadas pela polícia, por questões de segurança. Fomos andando sempre em direção à entrada seguinte e…OPA! Interditada. E assim foi, até que finalmente encontramos um caminho liberado. Fomos andando, andando e o caminho já estava cheio de gente. Quando chegamos à beira do rio, às 17:50h, já estava cheio!

Mas, calma, estava cheio mas ainda tinha muito espaço, era só ir chegando, se esquivando entre um e outro e deu pra conseguir um lugar bem legal, bem de frente para a London Eye e também atrás somente de pessoas não muito altas, o que é muito importante pra mim, hehe.

Pronto, uma vez que tinhamos encontrado o nosso spot, era só ficar quetinho e aguardar. Faltavam ainda 6h para a virada e o momento mágico dos fogos. 15 minutos depois eu já estava morrendo de tédio, tentando me controlar para não olhar no relógio de 5 em 5 minutos. Vou descrever melhor o cenário da espera: Algumas pessoas não queriam muito ficar no aperto, mas também faziam questão de ter uma visão boa do “show”, por isso elas ficavam mais afastadas da borda, no meio da rua, sentadas no chão com seus amigos conversando e bebendo de boa. Já outras pareciam estar ali desde muito cedo, coladas na grade de retenção, com várias merendas e farofas, algumas de pé, outras sentadas no chão em grupos (teve um cara que dormiu no meu pé por várias horas, e só acordou quando jogaram uns bagulhos na cabeça dele).

As primeiras duas horas foram um martírio. Um tédio extremo. Mas aí, por volta das 20h a coisa começou a mudar. Primeiro jogaram um sonzão lá, o pessoal começou a ficar animado, os indianos perto da gente começaram a cantar e de vez em quando o DJ da “festa” falava umas coisas, mandava a gente gritar, etc.

O “New years eve” desse ano foi patrocinado pela Vodafone, e tinha um tema “multisensorial”. Eles jogaram umas bolsinhas de plástico pra galera toda, e lá dentro tinham docinhos coloridos *.* que era a parte do “taste”. Aí do nada eles jogaram a projeção de um morango gigantesco em um prédio ao lado da London Eye e mandaram a gente gritar. Quanto mais a gente gritava, o morango ia enchendo, enchendo, até que ele explodiu, e aí soltaram umas fumacinhas com cheirinho de morango! Eu sei, muita palhaçada, mas pra quem estava em pé durante muito tempo, morrendo de tédio e a todo momento contando todas as cabines da London Eye para garantir que nenhuma delas tinha sumido desde os últimos 10 minutos, aquilo foi o máximo!

Banana no prédio: O MÁXIMO!

Banana no prédio: O MÁXIMO!

Depois o prefeito apareceu também, em uma mensagem gravada na projeção, falou várias coisas que ninguém entendeu e depois se mandou. E aí depois eles botaram uns vídeos, fizeram mais umas coisas e de repente faltavam somente 30 minutos! uhuuuu!

E foi aí que começou a chover. Choveu mesmo, choveu FORTE. Não vou dizer que foi uma decepção total pra mim e meus babyliss, afinal de contas eu tinha levado minha sombrinha porque era Londres, né. E aí, que a hora foi se aproximando e nada de a chuva parar. Aí começou a contagem e ainda estava chovendo, mais fraco, mas chuva ainda. Mas ninguém quis saber, todo mundo estava ali há horas! “Abaixem os guarda-chuvas!” Eu tratei logo de guardar o meu. Não quis molhar a câmera, mas passei o meu celular para Rafael (que tem muitos centimetros de altura em vantagem) filmar tudo, e contei: 5, 4, 3, 2, 1…

Ok, não vou ficar descrevendo fogos aqui. Mas foi uma coisa extravagante e única. Não sei qual foi a bruxaria que eles fizeram, mas parecia que os fogos saíam da roda gigante, tudo bem simétrico e sincronizado com as badaladas do Big Ben. Foi lindo demais.

Reveillon 2014, Londres.

Reveillon 2014, Londres.

Reveillon 2014, Londres.

Reveillon 2014, Londres.

E aí pronto, acabaram os fogos, acabou a festa. Todo mundo juntou seus trapos e se mandou. O DJ ainda implorava, “fiquem mais!”, “não vão agora”, conselho da organização para que as pessoas não fossem todas pegar o metrô de uma vez só e evitar confusões na estação. Enfim, a multidão toda se dispersou muito rapidamente e eu fiquei livre para tirar minhas fotinhas no Tâmisa 🙂

Dicas aleatórias para quem for passar o reveillon em Londres:

1. Chegue cedo se quiser pegar um lugar bem na frente, e se não se importar, chegue ao menos antes das 21h, pois, uma vez que as áreas de vizualização dos fogos estão cheias, a polícia fecha todas as entradas e quem ficar do lado de fora, ficou. Eu cheguei antes das 18h, mas tiveram amigos meus que chegaram depois das 19h e conseguiram lugares bons, e outros que chegaram depois das 20h e conseguiram ao menos entrar na área de vizualização e ver os fogos.

2. Leve sua água e comida, pois não tem ambulante vendendo churrasquinho, nem “5 piriguete por 4 real” não. Ao contrário dos outros dias do ano, na véspera é permitido beber nas ruas, mas teoricamente é proibído andar com garrafas de vidro (todo mundo ao meu redor estava com garrafas de vidro sem problemas).

3. Nas proximidades do rio são colocados vários banheiros químicos de uso gratuito.

4. Somente na madrugada entre os dias 31 e 01 o transporte público é totalmente gratuito, a partir das 23:45 às 4:30h. As estações ficam bem lotadas antes das 2 da manhã (e algumas estações fecham), com longas filas para entrar, então é bom esperar um pouco antes de voltar para casa.

5. Se for cedo, carregue o celular e vá mentalmente preparado para o téeeedio sem fim, haha!

Novamente: Feliz ano novo para todos, e que 2014 seja um ano de muitas emoções!

Beijos!

Lenita

A Catedral da Reconciliação.

Hoje é um dia importante aqui em Coventry. Dia de recordar o triste evento que aconteceu há 63 anos, quando 500 aviões nazistas bombardearam a cidade com o objetivo de destruir as “shadow factories”, fábricas que produziam peças de caças e equipamentos para a força aérea britânica. Coventry foi, de longe, a cidade mais bombardeada e mais afetada pela guerra. Junto com as fábricas, foi destruído todo o centro da cidade e mais de 4 mil casas. Os ataques começaram na noite do dia 14 de novembro de 1940 e só terminaram na manhã do dia seguinte.

Do pouco que sobrou, ficou o maior símbolo de recordação desse dia: as ruínas da Catedral de St. Michael. A antiga igreja, que foi construída há mais de 600 anos, e que era uma das maiores da Inglaterra, foi atingida pelas bombas e dela sobrou apenas a estrutura externa.

Catedral de St. Michael, em 1880.

Catedral de St. Michael, em 1880.

Interior da Catedral.

Interior da Catedral.

As bombas destruíram telhados, colunas, vitrais e tudo o mais que fazia parte do interior da Catedral. Restaram apenas a torre e as paredes externas. Obviamente, a devastação da antiga Catedral de Coventry foi motivo de grande comoção e tristeza, mas na manhã seguinte já estava decidido que ela seria reerguida, e se tornaria motivo de orgulho para as gerações futuras, assim como foi para as gerações passadas.

A Catedral, logo após os bombardeios.

A Catedral, logo após os bombardeios.

Ruínas da Catedral hoje em dia.

Ruínas da Catedral hoje em dia.

Mas, como se pode ver na foto acima, que tirei faz uns 6 dias, as ruínas da “Old Cathedral” continuam lá, do mesmo jeito que foram deixadas após os bombardeios. Ao invés de reconstruírem a igreja, foi decidido que uma nova Catedral de St. Michael seria erguida bem do lado da antiga, e que as ruínas permaneceriam lá, como símbolo de memória e reconciliação.

A Catedral de Coventry, nas mãos de seu primeiro bispo, que ali foi enterrado.

A Catedral de Coventry, nas mãos de seu primeiro bispo, que ali foi enterrado.

A torre, que sobreviveu aos bombardeios.

A torre, que sobreviveu aos bombardeios.

As duas catedrais de St. Michael, nova e antiga, lado a lado.

As duas catedrais de St. Michael, nova e antiga, lado a lado.

A Rainha Elizabeth foi quem lançou a pedra fundamental da nova catedral, que apesar de ser uma “reconstrução” da antiga, tem um aspecto totalmente diferente e moderno. Na parede externa, nas escadas que levam à entrada, fica uma escultura de St. Michael pisando na cabeça do diabo.

St. Michael e o diabo.

St. Michael e o diabo.

Hoje em dia, quando a catedral está aberta, sempre tem alguém passeando por lá, levando flores, fazendo 1 minuto de silêncio em datas especiais, etc. Uma coisa que me dei conta somente quando saí do Brasil e vim para cá, foi que para muitas pessoas daqui a guerra foi algo real, que elas viveram de perto, na qual perderam família, amigos, casa, dentre outras coisas. Por isso eles dão tanto valor ao que diz respeito a essas lembranças e fazem de tudo para preservar.

A catedral se tornou realmente um símbolo histórico para que todos possam se lembrar do que ocorreu nos dias 14 e 15 de novembro de 1940, não para incitar sentimentos de perda e de vingança, mas para trazer um sentimento de paz e de reconciliação.

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“Uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.”  Miquéias 4:3

“And, then, while I’m away, I’ll write home everyday and I’ll send all my loving to you.”

Uma coisa bem legal aqui da universidade é que eles incentivam a gente a conhecer outros cantos da Inglaterra, promovendo as Social Trips. Algumas vezes por mês, eles liberam um ônibus para levar os alunos a alguma cidade nas redondezas, partindo de manhã e voltando no fim da tarde.

Fomos em uma dessas trips para Liverpool, a cidade dos Beatles. Ok, não fomos lá animados exatamente por causa dos Beatles, mas porque olhamos na internet e vimos que lá tinha uma churrascaria brasileira, e aí começamos a mentalizar carnes e mais carnes, farofa, feijão e guaraná antártica… Oh, God, como não ir?

Saímos de Coventry cedo, mas só fomos chegar lá quase ao meio dia, então não tivemos muito tempo para conhecer realmente a cidade (teríamos que estar de volta ao ônibus às 17:30h). Decidimos que iríamos primeiro comer todo o churrasco que o estômago pudesse aguentar, é claro, e só depois resolveríamos o que fazer da vida.

Almoçamos na churrascaria Bem Brasil, onde pagamos £13,95 por um rodízio muito bom e ao som de Zeca Pagodinho :). Gastamos bastante tempo por lá, para fazer valer o money investido, e depois decidimos ir ao museu dos Beatles, que não ficava muito longe dali.

Nos arrastamos até o Albert Dock, que parece ser a principal atração de Liverpool, onde fica o museu dos Beatles e também o museu marítimo da cidade.

No Albert Dock

No Albert Dock

Carrinho de Sorvete

Carrinho de Sorvete

Para a nossa sorte, estava tendo uma exibição gratuita das fotos de um cara que acabou ficando amigo do grupo e que tirava umas fotos deles no backstage em momentos íntimos de descontração. Tirei algumas fotos das fotos, mas nenhuma ficou boa porque estava muito ensolarado e as paredes lá são de vidro então não tinha como evitar o reflexo :/.

A menos pior de todas.

A foto menos pior de todas.

Compramos os ingressos para entrar no museu, que fica em outro prédio, do outro lado do Albert Dock, na lojinha dos Beatles, que também vende umas coisas de Elvis. O ingresso custou £9.5 com desconto de estudante e dava direito a entrar no museu e também a assistir um filmezinho em 4D que é bem sem graça e no final ainda jogam água na sua cara.

Escada que dá para a lojinha dos Beatles.

Escada que dá para a lojinha dos Beatles.

Fantasias de Elvis

Fantasias de Elvis

Finalmente fomos ao museu, que levamos um tempo até conseguir encontrar, porque fica meio que no subsolo e a entrada é pela parte de trás do prédio.

Museu dos Beatles em Liverpool.

Museu dos Beatles em Liverpool.

O museu é muito bom, conta a história todinha deles, desde o começo até depois de eles seguirem em suas carreiras independentes. Recomendo pegar o áudio guia, para ouvir todas as histórias – e são muitas. Para quem é fã dos Beatles, esse é o lugar perfeito para acompanhar toda a vida deles e observar objetos pessoais e fotografias. E para quem nunca foi fã, como eu, é legal também pra aprender sobre a história deles.

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Último show juntos.

Último show juntos.

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E isso foi tudo o que vimos de Liverpool. Como o museu é grandinho, quando saímos de lá já estava na hora de nos dispedirmos da cidade e pegar o ônibus de volta para Coventry.

Beijos!

Lenita

Um dia em Londres com 15 conto no bolso.

Pela milésima vez, lá fui eu para mais uma day trip to London, gastar os few pounds que me restaram, depois de quase ter ido à falência na Grécia. Como só estarei recuperada financeiramente lá pra outubro, estou tendo que viver com um orçamento bem apertadinho e contar cada penny. Até os Nectar points – programa de fidelidade do supermercado- estão dentro do meu orçamento (já acumulei o equilvalente a £5,13, uhuuu!).

Enfim, o caso é que na semana passada eu e Rafael recebemos visitas do Brasil, e aí fomos passar o dia em Londres para mostrar a cidade a eles. Como Coventry fica a apenas 1h de trem, fomos e voltamos no mesmo dia, assim não teríamos que gastar com acomodação. Para não fugir do meu planejamento financeiro, me determinei a gastar o mínimo possível, mas sem precisar passar fome ou almoçar biscoito. Me permiti, então, gastar 15 pounds e só. O dinheiro deu e deu confortavelmente, por isso decidi fazer uma narração de como foi aqui no blog. Vamos a ela:

SALDO INICIAL: £15,00

Começamos o dia na estação de Euston, onde eu não resisti quando vi a loja da Millie’s cookies, e já fui fazendo uma boquinha, pra enganar o estômago até a hora do almoço, comendo um cookie bem gostoso que me custou 99p.

Cookie eu gosto.

Cookie eu gosto.

Na estação de metrô, compramos o off peak Day Travel Card, que é mais barato que o anytime Day Travel Card. A diferença entre os dois é que com o primeiro, você só pode usar o serviço a partir das 9:30h, por isso ele é mais barato. Ambos permitem a utilização de todos os tipos de transporte público por um dia, até as 4:30 da manhã do dia seguinte. O ticket para usar o transporte foi o maior gasto do dia: £7,30.

Pegamos o metrô para Bayswater e fomos passear no Kensington Garden, já que o tempo estava muito bom, fazendo sol e até um calorzinho de leve. Da última/primeira vez que estivemos lá para um picnic, era inverno ainda então estava muuuito gelado e, já que não dava certo comer de luvas, tivemos que engolir tudo bem rápido,  com uma mão de luva e a outra sem e aí eu entendi porque é que nego não inventa de fazer picnic no inverno :(. Passeamos pelo parque, tiramos fotos do laguinho, tiramos fotos dos cisnes, do Palácio de Kensington e das pessoas dormindo. Quando deu a hora do almoço, enchemos a garrafinha de água no bebedouro e fomos embora.

Cisnes.

Cisnes.

Rainha Vic.

Rainha Vic.

Esquilo.

Esquilo.

Pessoas dormindo.

Pessoas dormindo.

Fomos almoçar em Camden Town, o bairro alternativo de Londres, um dos meus lugares preferidos na cidade. Confesso que eu, que não sou alternativa nem nada, gosto de ir lá mais pela comida. Em Camden dá pra encontrar comida para todos os gostos e comida de tudo que é canto – ok, principalmente comida oriental de tudo que é canto do oriente – e até mesmo (pausa dramática) BRIGADEIRO e BEIJINHO!

Almoçamos por £4,00 em uma das barraquinhas de comida oriental e depois fomos apreciar as esquisitices do local. Camden também é ótima para comprar coisas aleatórias e lembrancinhas para os parentes. Blusas engraçadas, roupas de emo, perucas, sapatos doidos, drogas…Lá se encontra de tudo. Fora as pessoas que frequentam o local, que são uma atração à parte.

Camden Town.

Lojas com decoração 3D em Camden.

Comidaaas.

Comidaaas.

Barracas com umas roupas legais e outras nem tanto.

Barracas com umas roupas legais e outras nem tanto.

Antes de ir embora, não podíamos deixar de passar na barraca do Brazuca e garantir o pão de queijo pra mais tarde (£1,20).

SALDO PARCIAL: £15,00 -0,99 -7,30 -4,00 -1,20 =  £1,51

Ainda com muito dinheiro pra gastar, fomos, finalmente, conhecer a Tower Bridge. Digo finalmente, pois já faz sete meses que eu estou aqui, já fui em Londres várias vezes e nunca me dei ao trabalho de pegar o metrô e descer em Tower Hill para conhecer a tal da ponte.

No caminho, paramos em King’s Cross para TENTAR tirar a foto na plataforma 9 3/4, mas a fila de adolescentes zuadentos estava tão grande que a gente combinou com nossos amigos que voltaríamos mais tarde (mesmo sabendo que quem ia voltar mais tarde era o coelho).

Bitch.

Bitch.

Quando começou a anoitecer, chegamos à Tower Bridge. Amei. Achei lindo. Tirei fotos.

London Bridge.

Tower Bridge.

De lá, pegamos ônibus aleatórios (adoro fazer isso em Londres), até que chegamos a Waterloo -ou Westminster, sempre confundo porque os dois começam com ‘W’- onde tirei minhas fotos “semi-profissionais” da London Eye, Big Ben e do parlamento. Ficamos um pouco por lá até dar a hora de ir pra Victoria, pra pegar o buzu de volta pra Coventry, que sairía às 23h.

London Eye *.*

London Eye *.*

Na estação de Victoria, me dei conta que ainda tinha £1,51 sobrando, mas não queria gastar com besteira. Sendo assim, fui no Sainsbury’s da estação de trem e comprei 2L de leite (£1,29) pra trazer pra casa, porque né.

SALDO FINAL: £15,00 -0,99 (cookie) -7,30 (transporte) -4,00 (almoço) -1,20 (pão de queijo) – 1,29 (2 L de leite)=  £0,22

Moral da história: Me diverti em Londres, conheci a Tower Bridge, comi bem, merendei, garanti o leite da semana e ainda saí por cima, com 22 centavos no bolso pra gastar como quiser.

Obs: MENTIRA, voltei pra casa com bem mais dinheiro, pois o meu ticket do transporte só me custou £5,90, porque eu apresentei o meu RailCard na hora da compra. CsFers, fica a dica.

Beijos!

Lenita

Dias de férias em Coventry

E aí que as aulas terminaram, as provas foram feitas, os trabalhos entregues e agora é só alegria até setembro. Durante esse intervalo estaremos trabalhando em um projeto escolhido por nós mesmos, com reuniões quinzenais com o orientador e uma vez por semana teremos que ir à faculdade para registrar presença, que é o que eles chamam de “check in”.

Hoje vai ser completada a minha primeira semana de “férias” e nada de muito útil foi feito até agora. Durante esses sete dias, o que eu mais fiz foi dormir. Meus planos iniciais eram outros, tinham algumas coisas na minha listinha mental que eu vinha adiando e que poderiam ter sido feitas nesses sete dias de preguiça, mas o tempo aqui de Coventry não está ajudando nadinha. Algumas semanas atrás começou a fazer sol aqui na cidade. Tivemos uns quatro dias ensolarados e a temperatura chegou aos 23 graus, uma maravilha! Tirei os shorts que trouxe do Brasil de dentro da mala (pensei que nunca fosse usar, então já deixei lá pra facilitar a mala da volta, haha), comprei até umas duas blusinhas sem manga na Primark, pretendendo pernas e braços bronzeadinhos do jeito que eu gosto. Quem disse? Depois daqueles poucos dias de esperança choveu muito, choveu granizo, o céu ficou fechado o dia todo, todos os dias, uma tristeza só. Quando chove aqui, é a realização daquele ditado: Está na chuva? é para se molhar! A chuva sempre vem acompanhada de muito vento, e ele vem em todas as direções, é impossível usar a sombrinha. O pior de tudo era sair na rua e ver o vento sacudindo as árvores com toda a força, levando embora as folhinhas coloridas que demoraram tanto tempo a aparecer. E eu ainda nem tinha saído pela cidade com minha super câmera para registrar a primavera em Coventry :(.

Chovendo, ventando muito e sem ter aulas, para quê mesmo que eu vou sair de casa? Para quê mesmo que eu vou acordar? O mais interessante é que aqui normalmente depois de um dia inteiro de chuva, quando começa a anoitecer, o sol aparece, para ficar por umas poucas horinhas e depois sumir de novo. O que não adianta muita coisa, porque aqui em Coventry a cidade simplesmente morre a partir das 18h. De verdade, nenhum comércio continua aberto depois disso, o city centre fica vazio, vazio. Não é motivo de surpresa se você estiver em uma loja e, de repente, às 18h em ponto as luzes se apagarem e os vendedores mandarem você ir embora. E o mais estranho é que nessa época o dia vai até as oito e tantas da noite, fica tudo claro, mas ninguém quer saber disso. Só tem dois lugares que continuam abertos depois das 18h: A faculdade de engenharia e…a academia. Bem, eu não estou tendo mais aulas, o que significa que não preciso ficar indo à faculdade, mas continuo comendo, o que significa que preciso ficar indo à academia.

Academia aqui em Coventry é um negócio engraçado. Os ingleses naturalmente tem umas peculiaridades de comportamento com as quais jamais conseguirei me acostumar. Eles vão à academia calçando All Stars (já vi gente de sapato também). Outro dia eu entrei na academia e estava lá uma mulher correndo na esteira de calças jeans, e no mesmo dia tinha uma menina usando meia-calça preta. E só. Não era legging, era só meia-calça mesmo. Nos vestiários, tem velha pelada por todo canto. Nunca vi tanta pelanca solta em toda a minha vida. As inglesas não saem nem chegam na academia com roupa de malhar, como fazemos no Brasil. Depois de malhar, suadas ou não, elas colocam a mesma roupa com a qual vieram vestidas, pra depois sair na rua. No começo eu ficava meio envergonhada em sair na rua com roupa de malhar porque eu sentia que as pessoas olhavam estranho. Mas, bem, do jeito que as meninas se vestem aqui, ninguém tem o direito de falar um pio sobre mim.

Uma das coisas que me chamam atenção é a quantidade de idosos e deficientes fisicos que frequentam a academia. Nos horários que eu costumo ir sempre tem muitos idosos e pelo menos um cadeirante ou deficiente visual. Os deficientes físicos aqui em Coventry saem muito nas ruas, provavelmente porque a cidade é toda acessível, com rampas e sinalização para os cegos em todos os lugares. Os velhinhos aqui andam para cima e para baixo com carrinhos motorizados onde vão a todos os lugares. Enquanto no Brasil os jovens ficam impacientes com os velhinhos que andam devagar nas ruas, aqui é exatamente o contrário, eles que andam nos carrinhos apressados e quem quiser que se pique da frente.

electric wheelchair

Logo quando eu cheguei na cidade, quando ia ao mercado eu sempre via vários velhinhos na fila e ficava pensando “opa, aqui é a fila dos idosos.”, mas não tinha nenhuma sinalização. Depois eu descobri que aqui não tem prioridade para idosos, é todo mundo igual. Aqui tem muito velhinho trabalhando como faxineiro, motorista de ônibus, caixa de supermercado, etc. Idosos aqui pagam passagem de ônibus também.

Comecei a enxergar Coventry com bons olhos na primavera. Durante o inverno, quando eu só via um monte de galho seco coberto de neve, eu pensava que nunca seria possível essa cidade se tornar um lugar agradável. Mas, bem, até que não é tão péssimo assim. Agora as árvores estão todas cheias e há flores por toda parte. Ontem o tempo ruim deu uma trégua e eu chamei Rafael para um passeio pela cidade e, claro, aproveitei para finalmente tirar umas fotos antes que as árvores estejam todas depenadas novamente.

Em um parque perto da minha casa.

Em um parque perto da minha casa.

Flores.

Flores.

Floreees.

Oh, como sou espontânea e adoro a natureza.

Oh, como sou espontânea e adoro a natureza.

City Centre vazio, depois das 18h.

City Centre vazio, depois das 18h.

Coventry é uma cidade histórica por já ter se ferrado muito na vida. Existe um termo famoso aqui no Reino Unido que, quando alguém é ignorado e as pessoas tratam como se ele não existisse, ele foi “sent to Coventry” (enviado para Coventry).  Durante a segunda guerra, a cidade foi quase que completamente destruída pelos nazistas. As paredes da antiga catedral de St. Michael foram uma das poucas coisas que ficaram de pé após os bombardeios, e foi o que serviu de referência para a reconstrução do centro. Hoje em dia, Coventry é uma potência industrial, principalmente no setor automotivo. É aqui que são fabricados os famosos Cabs ingleses e também é onde fica a sede da Jaguar.

Ruínas da catedral após os bombardeios.

Ruínas da catedral após os bombardeios.

Foto que tirei ontem das ruínas. Ao invés de reconstruir a igreja, eles construiram uma novinha bem em frente e mantiveram a estrutura da antiga.

Foto que tirei ontem das ruínas. Ao invés de reconstruir a igreja, eles construiram uma novinha bem em frente e mantiveram a estrutura da antiga.

Na parede da nova catedral: A vitória de St. Michael sobre o diabo.

Na parede da nova catedral: A vitória de St. Michael sobre o diabo.

A partir dessa semana, já vou dar início ao meu projeto (tenho que decidir o que vou fazer pra ontem!) e também vou começar a planejar as próximas viagens, já que eu só tenho mais alguns meses por aqui e o tempo está passando muito rápido.  Já estou ansiosíssima para colocar minha mochilona nas costas e me mandar para algum lugar bem ensolarado e quentinho, de preferência com lindas praias e comida boa. OI? Ouvi alguém gritar “Itália!”?

Hahaha, quem sabe… 🙂

Beijos!!

Lenita

Onde estou morando e o que faço por aqui, alem de passar frio.

Tudo comecou três meses atrás, quando eu saí do calorzão de Salvador e vim parar nessa pequena cidade onde hoje resido. Logo quando cheguei, Coventry estava passando por um período de frio não usual, segundo me contou o gerente do banco onde abri conta, e estava absolutamente coberta de neve. Eu não conseguia dar dois passos na rua sem quase escorregar. “Mas não se preocupe”, disse ele, “No verão a gente ás vezes chega a até 20 graus!!”. UAU.

O inverno aqui é violento. Às quatro da tarde o comércio ja começa a fechar e já está quase tudo escuro. Sete da noite as ruas ficam completamente desertas e às dez da manhã ainda tá tudo fechado. Não é que o povo daqui seja preguicoso, eu entendo eles. Quando eu acordava às sete da manhã, aquecedor desligado, e tinha que levantar da minha cama quentinha e pular debaixo do chuveiro, já pensando no frio que eu ia enfrentar na minha longa caminhada de 30 minutos até a faculdade, dava vontade chorar. Dava vontade de pegar um avião e voltar pro Brasil.

Com o passar do tempo eu fui me acostumando e pegando o jeito da coisa (e a temperatura foi subindo tambem). Hoje em dia eu me sinto em casa. As vezes eu ate almoco feijão.

A casa onde eu moro fica um pouco afastada do centro e meio longe da universidade. A ideia inicial era morarmos na residência universitária, onde teríamos um quartinho ovo sem banheiro e, na cozinha compartilhada, apenas geladeira e microondas. Teríamos direito a dez refeições diárias no restaurante da universidade, logo, não precisaríamos cozinhar. Mas estaríamos limitados a comer o que os ingleses chamam de comida. E que nao é comida. É uma gororoba qualquer apimentada, acompanhada de batatas fritas.

Graças a Deus, esse planejamento inicial não deu certo, então viemos morar em residências que não pertencem à universidade, mas são alugadas por ela e que, no caso da minha, se divide em flats. Cada flat tem 4 quartos, cada um com seu banheiro individual, e a cozinha é compartilhada. Minha casa tem 6 flats. Em dois flats moram apenas brasileiros e nos outros quatro moram nigerianos simpáticos, porem muito barulhentos e que fritam peixe todos os dias, deixando a area comum com um cheiro peculiar. Aqui em Coventry tem muitos nigerianos, muitos mesmo. E chineses (leia-se: chineses, coreanos, japoneses, tailandeses…Nunca sei identificar). Ah, e, claro, indianos.

Meu Quarto

Cozinha

Cozinha

Como vocês podem ver, a cozinha tem tudo (inclusive máquina de lavar), então dá pra cozinhar tranquilamente. Obviamente, a cozinha tem tudo, mas não veio com tudo. Todos os utensílios, panelas, produtos, etc, nós mesmos que compramos. Eu cozinho meu próprio almoco todo santo dia, o que é bom porque eu economizo dinheiro, me alimento melhor e ainda me torno uma menina prendada 😉 . E não infarto do coração comendo 1kg de pimenta por semana. No mercado aqui eles já vendem as carnes cortadinhas e em porções pequenas e as saladas já vem lavadas e prontas para comer. Cozinhar aqui não é problema.

Esqueci de explicar antes o porquê de eu estar aqui no Reino Unido. Eu consegui uma bolsa no programa Ciência sem Fronteiras, que é uma iniciativa do governo que tem como objetivo a internacionalização da ciência e da tecnologia, pra tornar o Brasil mais competitivo no âmbito internacional. Basicamente, eles estão enviando vários estudantes de graduação e pós-graduação para universidades no exterior. É o que eles chamam de “graduação sanduíche”. A gente interrompe o curso no Brasil, vem pra cá, faz uma parte do curso aqui e volta pro Brasil pra terminar. A gente assina contrato se comprometendo a voltar e continuar o curso, etc. Não, não tem a possibilidade de eu me casar, comprar uma casa, um carro e ficar morando aqui pra sempre.

Na universidade, estou cursando disciplinas do mestrado em engenharia elétrica. Isso porque o esquema da graduação aqui é diferente. Eles ofereceram pra gente a possibilidade de entrar no Year1 da graduação, onde a gente pegaria matérias muito básicas e a ideia da “graduação sanduíche” perderia todo o sentido. Por isso entrei no mestrado, onde há maior possibilidade de eu conseguir eliminar matérias quando voltar para o Brasil. Estou estudando na universidade de Coventry (Coventry University), que eles carinhosamente chamam de CU. Eles vendem casacos “I ♥ CU”.

A universidade é bem legal. O prédio de engenharia foi recentemente construído, em formato de colmeia, então tudo é muito novinho e conservado.

Miniatura da Colmeia

Colmeia

A cidade aqui é meio parada, mas também não é interiorzinho como no Brasil. Aqui as lojas estão concentradas no City Centre, que é uma área de livre circulação de pedestres, nada de carros, onde tem muitas lojas e se econtra praticamente tudo… o que há de mais esquisito na terra. Depois eu faço uma postagem sobre a cidade, com fotos e histórias interessantes.

Agora que estamos no final de Abril, a temperatura já subiu bastante. Já dá pra sair na rua com apenas uma camada de roupa tranquilamente. Ás vezes eu fico até com calor dentro de casa (mas aí eu lembro de desligar o aquecedor e o calor passa). Os dias também estão muito mais longos. O sol só começa a se pôr lá pras oito da noite, e eu imagino que no verão fique ainda melhor.

Então é isso, agora vocês já sabem o que tá rolando por aqui. Com o tempo vou contando mais coisas.

Beijos!

Lenita