A Catedral da Reconciliação.

Hoje é um dia importante aqui em Coventry. Dia de recordar o triste evento que aconteceu há 63 anos, quando 500 aviões nazistas bombardearam a cidade com o objetivo de destruir as “shadow factories”, fábricas que produziam peças de caças e equipamentos para a força aérea britânica. Coventry foi, de longe, a cidade mais bombardeada e mais afetada pela guerra. Junto com as fábricas, foi destruído todo o centro da cidade e mais de 4 mil casas. Os ataques começaram na noite do dia 14 de novembro de 1940 e só terminaram na manhã do dia seguinte.

Do pouco que sobrou, ficou o maior símbolo de recordação desse dia: as ruínas da Catedral de St. Michael. A antiga igreja, que foi construída há mais de 600 anos, e que era uma das maiores da Inglaterra, foi atingida pelas bombas e dela sobrou apenas a estrutura externa.

Catedral de St. Michael, em 1880.

Catedral de St. Michael, em 1880.

Interior da Catedral.

Interior da Catedral.

As bombas destruíram telhados, colunas, vitrais e tudo o mais que fazia parte do interior da Catedral. Restaram apenas a torre e as paredes externas. Obviamente, a devastação da antiga Catedral de Coventry foi motivo de grande comoção e tristeza, mas na manhã seguinte já estava decidido que ela seria reerguida, e se tornaria motivo de orgulho para as gerações futuras, assim como foi para as gerações passadas.

A Catedral, logo após os bombardeios.

A Catedral, logo após os bombardeios.

Ruínas da Catedral hoje em dia.

Ruínas da Catedral hoje em dia.

Mas, como se pode ver na foto acima, que tirei faz uns 6 dias, as ruínas da “Old Cathedral” continuam lá, do mesmo jeito que foram deixadas após os bombardeios. Ao invés de reconstruírem a igreja, foi decidido que uma nova Catedral de St. Michael seria erguida bem do lado da antiga, e que as ruínas permaneceriam lá, como símbolo de memória e reconciliação.

A Catedral de Coventry, nas mãos de seu primeiro bispo, que ali foi enterrado.

A Catedral de Coventry, nas mãos de seu primeiro bispo, que ali foi enterrado.

A torre, que sobreviveu aos bombardeios.

A torre, que sobreviveu aos bombardeios.

As duas catedrais de St. Michael, nova e antiga, lado a lado.

As duas catedrais de St. Michael, nova e antiga, lado a lado.

A Rainha Elizabeth foi quem lançou a pedra fundamental da nova catedral, que apesar de ser uma “reconstrução” da antiga, tem um aspecto totalmente diferente e moderno. Na parede externa, nas escadas que levam à entrada, fica uma escultura de St. Michael pisando na cabeça do diabo.

St. Michael e o diabo.

St. Michael e o diabo.

Hoje em dia, quando a catedral está aberta, sempre tem alguém passeando por lá, levando flores, fazendo 1 minuto de silêncio em datas especiais, etc. Uma coisa que me dei conta somente quando saí do Brasil e vim para cá, foi que para muitas pessoas daqui a guerra foi algo real, que elas viveram de perto, na qual perderam família, amigos, casa, dentre outras coisas. Por isso eles dão tanto valor ao que diz respeito a essas lembranças e fazem de tudo para preservar.

A catedral se tornou realmente um símbolo histórico para que todos possam se lembrar do que ocorreu nos dias 14 e 15 de novembro de 1940, não para incitar sentimentos de perda e de vingança, mas para trazer um sentimento de paz e de reconciliação.

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“Uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.”  Miquéias 4:3

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Dias de férias em Coventry

E aí que as aulas terminaram, as provas foram feitas, os trabalhos entregues e agora é só alegria até setembro. Durante esse intervalo estaremos trabalhando em um projeto escolhido por nós mesmos, com reuniões quinzenais com o orientador e uma vez por semana teremos que ir à faculdade para registrar presença, que é o que eles chamam de “check in”.

Hoje vai ser completada a minha primeira semana de “férias” e nada de muito útil foi feito até agora. Durante esses sete dias, o que eu mais fiz foi dormir. Meus planos iniciais eram outros, tinham algumas coisas na minha listinha mental que eu vinha adiando e que poderiam ter sido feitas nesses sete dias de preguiça, mas o tempo aqui de Coventry não está ajudando nadinha. Algumas semanas atrás começou a fazer sol aqui na cidade. Tivemos uns quatro dias ensolarados e a temperatura chegou aos 23 graus, uma maravilha! Tirei os shorts que trouxe do Brasil de dentro da mala (pensei que nunca fosse usar, então já deixei lá pra facilitar a mala da volta, haha), comprei até umas duas blusinhas sem manga na Primark, pretendendo pernas e braços bronzeadinhos do jeito que eu gosto. Quem disse? Depois daqueles poucos dias de esperança choveu muito, choveu granizo, o céu ficou fechado o dia todo, todos os dias, uma tristeza só. Quando chove aqui, é a realização daquele ditado: Está na chuva? é para se molhar! A chuva sempre vem acompanhada de muito vento, e ele vem em todas as direções, é impossível usar a sombrinha. O pior de tudo era sair na rua e ver o vento sacudindo as árvores com toda a força, levando embora as folhinhas coloridas que demoraram tanto tempo a aparecer. E eu ainda nem tinha saído pela cidade com minha super câmera para registrar a primavera em Coventry :(.

Chovendo, ventando muito e sem ter aulas, para quê mesmo que eu vou sair de casa? Para quê mesmo que eu vou acordar? O mais interessante é que aqui normalmente depois de um dia inteiro de chuva, quando começa a anoitecer, o sol aparece, para ficar por umas poucas horinhas e depois sumir de novo. O que não adianta muita coisa, porque aqui em Coventry a cidade simplesmente morre a partir das 18h. De verdade, nenhum comércio continua aberto depois disso, o city centre fica vazio, vazio. Não é motivo de surpresa se você estiver em uma loja e, de repente, às 18h em ponto as luzes se apagarem e os vendedores mandarem você ir embora. E o mais estranho é que nessa época o dia vai até as oito e tantas da noite, fica tudo claro, mas ninguém quer saber disso. Só tem dois lugares que continuam abertos depois das 18h: A faculdade de engenharia e…a academia. Bem, eu não estou tendo mais aulas, o que significa que não preciso ficar indo à faculdade, mas continuo comendo, o que significa que preciso ficar indo à academia.

Academia aqui em Coventry é um negócio engraçado. Os ingleses naturalmente tem umas peculiaridades de comportamento com as quais jamais conseguirei me acostumar. Eles vão à academia calçando All Stars (já vi gente de sapato também). Outro dia eu entrei na academia e estava lá uma mulher correndo na esteira de calças jeans, e no mesmo dia tinha uma menina usando meia-calça preta. E só. Não era legging, era só meia-calça mesmo. Nos vestiários, tem velha pelada por todo canto. Nunca vi tanta pelanca solta em toda a minha vida. As inglesas não saem nem chegam na academia com roupa de malhar, como fazemos no Brasil. Depois de malhar, suadas ou não, elas colocam a mesma roupa com a qual vieram vestidas, pra depois sair na rua. No começo eu ficava meio envergonhada em sair na rua com roupa de malhar porque eu sentia que as pessoas olhavam estranho. Mas, bem, do jeito que as meninas se vestem aqui, ninguém tem o direito de falar um pio sobre mim.

Uma das coisas que me chamam atenção é a quantidade de idosos e deficientes fisicos que frequentam a academia. Nos horários que eu costumo ir sempre tem muitos idosos e pelo menos um cadeirante ou deficiente visual. Os deficientes físicos aqui em Coventry saem muito nas ruas, provavelmente porque a cidade é toda acessível, com rampas e sinalização para os cegos em todos os lugares. Os velhinhos aqui andam para cima e para baixo com carrinhos motorizados onde vão a todos os lugares. Enquanto no Brasil os jovens ficam impacientes com os velhinhos que andam devagar nas ruas, aqui é exatamente o contrário, eles que andam nos carrinhos apressados e quem quiser que se pique da frente.

electric wheelchair

Logo quando eu cheguei na cidade, quando ia ao mercado eu sempre via vários velhinhos na fila e ficava pensando “opa, aqui é a fila dos idosos.”, mas não tinha nenhuma sinalização. Depois eu descobri que aqui não tem prioridade para idosos, é todo mundo igual. Aqui tem muito velhinho trabalhando como faxineiro, motorista de ônibus, caixa de supermercado, etc. Idosos aqui pagam passagem de ônibus também.

Comecei a enxergar Coventry com bons olhos na primavera. Durante o inverno, quando eu só via um monte de galho seco coberto de neve, eu pensava que nunca seria possível essa cidade se tornar um lugar agradável. Mas, bem, até que não é tão péssimo assim. Agora as árvores estão todas cheias e há flores por toda parte. Ontem o tempo ruim deu uma trégua e eu chamei Rafael para um passeio pela cidade e, claro, aproveitei para finalmente tirar umas fotos antes que as árvores estejam todas depenadas novamente.

Em um parque perto da minha casa.

Em um parque perto da minha casa.

Flores.

Flores.

Floreees.

Oh, como sou espontânea e adoro a natureza.

Oh, como sou espontânea e adoro a natureza.

City Centre vazio, depois das 18h.

City Centre vazio, depois das 18h.

Coventry é uma cidade histórica por já ter se ferrado muito na vida. Existe um termo famoso aqui no Reino Unido que, quando alguém é ignorado e as pessoas tratam como se ele não existisse, ele foi “sent to Coventry” (enviado para Coventry).  Durante a segunda guerra, a cidade foi quase que completamente destruída pelos nazistas. As paredes da antiga catedral de St. Michael foram uma das poucas coisas que ficaram de pé após os bombardeios, e foi o que serviu de referência para a reconstrução do centro. Hoje em dia, Coventry é uma potência industrial, principalmente no setor automotivo. É aqui que são fabricados os famosos Cabs ingleses e também é onde fica a sede da Jaguar.

Ruínas da catedral após os bombardeios.

Ruínas da catedral após os bombardeios.

Foto que tirei ontem das ruínas. Ao invés de reconstruir a igreja, eles construiram uma novinha bem em frente e mantiveram a estrutura da antiga.

Foto que tirei ontem das ruínas. Ao invés de reconstruir a igreja, eles construiram uma novinha bem em frente e mantiveram a estrutura da antiga.

Na parede da nova catedral: A vitória de St. Michael sobre o diabo.

Na parede da nova catedral: A vitória de St. Michael sobre o diabo.

A partir dessa semana, já vou dar início ao meu projeto (tenho que decidir o que vou fazer pra ontem!) e também vou começar a planejar as próximas viagens, já que eu só tenho mais alguns meses por aqui e o tempo está passando muito rápido.  Já estou ansiosíssima para colocar minha mochilona nas costas e me mandar para algum lugar bem ensolarado e quentinho, de preferência com lindas praias e comida boa. OI? Ouvi alguém gritar “Itália!”?

Hahaha, quem sabe… 🙂

Beijos!!

Lenita

Aos que estão vindo para cá.

Na semana passada, o CNPQ divulgou a lista com os nomes dos novos bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras. Aos que foram aprovados, meus parabéns e sejam bem vindos ao clube. Preparei esse post especialmente para vocês, com algumas diquinhas e informações importantes, para que vocês não se sintam tão perdidos quanto eu estava quando cheguei aqui. Tudo o que eu escrevi foi baseado nas experiências que já tive e que estou tendo agora, e espero que sejam úteis para vocês.

Me lembro bem do dia em que eu estava sentada no sofá da sala, lá em Salvador, esperando sair o resultado final do CNPQ, já antecipando a felicidade de ler o meu nome e o do meu namorado na lista. Primeiro eu ligaria para ele, para contar a grande novidade, depois eu esperaria os meus pais chegarem em casa, e contaria para eles também, e para minhas irmãs. Depois eu contaria para os meus amigos e amigas, e para toda a minha família, e para quem mais aparecesse em minha frente na rua. Mas aí saiu a lista. E o meu nome não estava lá.

Chorei muito, fiquei arrasada, depois aceitei que a vida era assim mesmo e fui pra aula no dia seguinte. Ao que parece, houve uma falha do UUK em enviar os documentos para CU, e por conta disso, foi como se eles nem tivessem nos aceitado. Mais de 30 estudantes estavam passando pelo mesmo problema que eu.

Depois de algumas semanas de desespero e depressão, nosso problema foi resolvido, e saiu uma retificação no diário oficial com a lista correta.

Por conta desses ocorridos, nós, que já estavamos com um prazo bastante apertado para providenciar o visto, ficamos ainda mais atrasados e tivemos que correr com os documentos. Coventry nos ajudou bastante com isso, pois logo eles enviaram pra gente um formulário para preenchermos e depois nos enviaram o nosso CAS.

Já que falei do CAS, vou contar logo pra vocês sobre o visto.

Primeiramente, gostaria de esclarecer pra quem está imaginando o que dizer quando chegar lá, ensaiando frases, etc.: Não existe entrevista. Ninguém vai te interrogar, analisar suas respostas e nem verificar se você está olhando para a esquerda ou para a direita enquanto pensa, para saber se você está ativando a lembrança ou a criação no seu cérebro. A pessoa malmente vai olhar na sua cara, então não tem porque se preocupar. Não com a entrevista.

Tirei o meu visto em Brasília e foi relativamente tranquilo. O visto é agendado online, e o pagamento também tem que ser feito online, com cartão de crédito. O pagamento é feito em dólares, e custa o equivalente a uns mil reais (é caro, mas se economizar na passagem de vinda dá pra recuperar todo o money investido). Verifique se o seu cartão pode fazer compras internacionais antes de pagar, e, se necessário ligue para o cartão e peça para eles liberarem. O meu cartão foi bloqueado por conta disso :). Marquei o visto para a mesma semana que recebi o CAS, e tinham muitas vagas e horários disponíveis em vários dias próximos. Não se pode marcar visto com mais de três meses de antecedência da data prevista da viagem.

O visto pode ser tirado em 3 locais diferentes: Brasília, São Paulo e Rio. O visto é, de fato, processado no Rio, enquanto que os outros locais são apenas para você dar entrada com seus documentos. Se você for tirar o visto em SP ou Brasília, vai ter que pagar pelo sedex de envio dos documentos para o Rio, além de pagar pelo envio do visto (aceito ou não), juntamente com os seus documentos, de volta para sua casinha. Outra vantagem de fazer no Rio, é que muita gente recebeu o visto com menos de uma semana do dia da “entrevista”. Alguns até receberam no mesmo dia.

É necessário levar uma cópia de todos os seus documentos, caso contrário, eles vão manter os seus originais com eles, e você precisará desses documentos para se matricular na sua universidade. Todos os seus documentos vão ficar lá com eles, inclusive o seu passaporte, e depois eles te enviam tudo de volta em um envelope gigante de plástico. Vai vir tudo amassado, se prepare para isso. As fotos que eles pedem não são 3×4, mas você pode tirar lá mesmo na hora. A foto vai aparecer em seu visto, então tente ir bonito e arrumadinho. Eles te obrigam a pagar pelo serviço de SMS com atualizações do seu status, o que custa uns 8 reais. Se eu não me engano, o valor de tudo (sedex pro rio, sedex pra casa, fotos e sms) ficou em torno de 120 reais que eu paguei com cartão mesmo lá na hora.

Eles vão oferecer o serviço de prioridade, que custa 300 conto e não é tão necessário, já que quem é do CsF já tem prioridade. Ouvi dizer que lá em SP eles ficavam pressionando para que o pessoal pagasse a taxa, mesmo que não fosse necessário, então fiquem espertos.

No dia do visto eu cheguei bem cedo, mas não adiantou nada porque eles não deixaram subir nem 5 min antes do horário. Chegando lá uma mulher me revistou muito bem revistado, olhou tudo dentro da minha bolsa e mandou eu desligar o celular. A moça da Worldbridge que recolhe os documentos fica atrás de um vidro blindado, e ela não responde suas perguntas, dizendo que não está autorizada a dar informações sobre quais documentos você deve enviar ou não. Ela não diz se está faltando algo, se tem documento errado, nada, então vá bem certo do que deve enviar ou não. Ah, e por favor, não pensem que o visto é tirado na embaixada, porque não é! É no escritório da Worldbridge.

A “entrevista” foi bem rápida. Dei entrada com os meus documentos no dia 17 de dezembro e só recebi o visto em casa no dia 13 de janeiro, 4 dias antes da viagem. Vale ressaltar que eu peguei todos os dias de festas de fim de ano, e também a greve dos correios.

Antes mesmo de dar entrada no visto, eu já tinha comprado minha passagem de vinda. Como já falei, comprei somente a vinda, porque vou ficar mais de um ano aqui, e não teria como aproveitar a passagem de volta. Muitas vezes, a passagem de ida+volta sai pelo mesmo preço da de ida sozinha, mas a minha eu comprei multidestinos e aí saíu bem barato (menos de 2000 reais). Em compensação, passei o maior perrengue com a companhia aérea (KLM), mas essa parte eu conto depois porque a indignação é grande, hehe.

Outra preocupação que eu tive, e que foi a melhor preocupação da minha vida, foi quando caiu o dinheiro da bolsa em minha conta. Teve gente que se preocupou logo em sair contratando a primeira corretora de câmbio que viu pela frente pra fazer o VTM (Visa Travel Money), e teve gente preguiçosa que deixou pra fazer isso um dia antes da viagem (eu).

Primeiro eu fiz com a CI, porque ficava perto da minha casa, e é uma empresa de confiança e tal, mas nessa eu perdi dinheiro, porque a cotação deles é absurdamente mais cara que o normal. A sorte é que eu carreguei só uma pequena parte do dinheiro nessa corretora, porque eu já sabia que podia conseguir cotação melhor. A corretora de câmbio com a qual eu troquei todo o resto do meu dinheiro, e recomendo, foi a Flexchange, que é de Recife. Fizemos todo o contato pela internet, e foi bem tranquilo, e a cotação deles era sempre muito boa. Fiz dois VTMs, um de libra e um de euro, que eu já carreguei com um dinheirinho que eu tinha juntado no Brasil.

Não vale a pena comprar cash, porque é mais caro e você pode sacar assim que chegar ao aeroporto daqui. Em todo canto tem cash machine por aqui, então não esquente com isso.

Existem alguns cartões de desconto para estudantes aqui do UK que valem muito a pena se fazer. Um deles é o Railcard, que serve para andar de trem com desconto de 1/3 do valor da passagem normal e custa 28 libras. Assim que chegar aqui, na estação mesmo, você já vai logo fazer o seu cartão, que é pra já economizar na passagem. Traga do Brasil as fotos que sobrarem do visto, elas serão muito úteis por aqui. Um outro cartão que vale a pena fazer é o NUS Extra ISIC, que te dá descontos em muitas lojas, restaurantes e atrações (ex: 50% na eurodisney), mas esse só dá pra fazer depois de matriculado. Pra quem tem mais de 25 anos, o Railcard também só dá pra fazer depois da matrícula. Quer ter uma idéia de quanto custa uma passagem de trem de Londres para sua cidade? Pesquisa no site da National Railways, aqui.

Algumas universidades oferecem o serviço de irem buscar os alunos no aeroporto gratuitamente. Já vá pesquisando se a sua universidade oferece esse serviço, e quais são os dias que eles fazem isso, antes de comprar sua passagem ;).

Quando vocês chegarem aqui, vai ser necessário se apresentar na polícia (não bastasse o visto, você também tem que pagar por isso, custa 34 libras), e pode ser que não seja possível fazer isso em sua cidade. Leve suas fotos do visto também. Você terá 7 dias para se apresentar, contando a partir do dia de chegada, então já venha pensando nisso. No seu visto vai estar escrita essa informação. Exclusivamente o meu visto não veio com esse aviso, então quando eu cheguei lá em Birmingham, e mostrei meu passaporte para a policial, que não estava bem humorada, ela falou que eu não precisava, e gritou “Next!”. Aí eu perguntei a ela porque que eu não precisava, já que todo mundo que veio precisou se registrar, aí ela me respondeu “Não sei, pergunte a quem te deu o visto”. Tum Dum Tsss. Tchau, moça, obrigada.

Se você tem uma mãe preocupada em casa, seguem algumas coisas que ela vai gostar de saber.

Aqui no UK nós temos o direito de usufruir do sistema público de saúde, o NHS. Para usar os serviços, você vai precisar da carteirinha. Eu fiz a minha na própria universidade e levou mais de um mês pra chegar, enquanto que quem fez em posto de saúde recebeu muito mais rápido. Ainda não precisei usar o NHS (ainda bem), mas já ouvi dois depoimentos diferentes de quem precisou usar: Um achou muito bom e outro achou uma porcaria. O NHS dá alguns remédios de graça, incluindo pílulas anticoncepcionais. Aqui em Coventry, na própria universidade tem um consultório médico que os alunos podem usar.

Nós recebemos o dinheiro do seguro saúde/viagem incluso na bolsa, e é obrigatório comprar o seguro e apresentar a apólice para o CNPQ depois. Mesmo tendo o NHS aqui no UK, o seguro pode ser útil nas viagens pelo mundão, então é bom pesquisar com calma antes de escolher a empresa. Sai muito mais barato fazer o seguro aqui, como morador do UK, então para economizar dindin eu comprei somente o primeiro mês de seguro no Brasil, e fiz mais um ano de seguro aqui.

Outra coisa que vira preocupação para as mães é como fazer pra saber se o filho está vivo. Se a sua mãe também não acerta usar o skype, não tem problema, compra um chip da Lebara. Assim que chegamos aqui, nós compramos um chip da Lebara e colocamos em um celular velho que Rafael trouxe do Brasil (se serviu naquele celular, vai servir em qualquer um que você trouxer). As ligações para o Brasil saem bem baratinhas, principalmente ligações para telefone fixo. E no aeroporto mesmo eu vi vendendo o chip e o crédito em uma máquina daquelas de botar moedas, como se fosse comida. Se você não tiver pressa para ligar para casa, pode comprar o chip depois, na Poundland, por 1 pound.

Para se comunicar com o pessoal daqui e usar a internet 3G, a operadora que eu recomento é a Giffgaff. No pré-pago, com 12 libras você tem direito a 250 min em ligações, internet com boa cobertura “ilimitada” (eles chamam de ilimitada, mas tem um limite que é bem alto e difícil de atingir, mas eu conheço gente que já conseguiu e a internet foi bloqueada), sms ilimitados e ligações de graça de Giffgaff para Giffgaff. Também dá pra comprar o chip na Poundland.

Já que falamos em Poundland, vamos falar sobre o custo de vida aqui. Quando eu cheguei aqui, achei tudo incrivelmente barato, e sempre quando eu ia no mercado, queria comprar tudo, queria testar tudo o que aparecia pela frente. Na verdade, as coisas não são tão baratas assim, mas se você souber aproveitar bem o seu dinheiro e pesquisar os produtos dá pra ter uma economia boa no fim do mês. Com o tempo, comprando em mercados diferentes, a gente vai sabendo o que comprar em cada lugar e quais produtos prestam ou não.

Tem algumas coisas sobre os mercados daqui que são bem interessantes e que eu vou comentar. A primeira coisa, é o tal do “Mix & Match”, e outras promoções do tipo. Enquanto no Brasil as pessoas vão ao mercado para fazer as compras do mês, e saem de lá com dois carrinhos cheios de comidas, aqui no UK o pessoal faz as compras aos pouquinhos, à medida que vão precisando. Uma vez um professor meu, na época do colégio, explicou que como o Brasil já passou por alguns períodos de variações monstruosas de inflação, as pessoas criaram o hábito de irem ao mercado fazerem grandes compras e estocarem tudo em casa, para o caso de os preços subirem. Como aqui não tem isso, as pessoas realmente só compram o que precisam de imediato, então os mercados colocam nas prateleiras alimentos com prazo de validade muito curtos (imagino que não tenham tantos conservantes, como no Brasil), e criam diversas promoções para incentivar as pessoas a comprarem em maior quantidade. Por exemplo, uma bandeija de 400g de peito de frango custa uns 4,5 pounds, mas na embalagem tem um adesivinho vermelho escrito “Mix and Match, 3 for 10”, e aí sai bem mais em conta levar 3 bandeijas de frango – ou, 1 de frango, 1 de carne moída e 1 de peito de perú (mix and match é isso, gente). Também tem muitas promoções de levar dois sucos pela metade do preço, ou três iogurtes pelo preço de dois, e por aí vai.

"Mix & Match"

“Mix & Match”

Promoções

Promoções

No mercado eles vendem saladas frescas, lavadas e cortadas dentro de uma embalagem. O pacote custa cerca de 1 pound e vem salada pra uns 4 dias. Para vocês terem uma idéia dos valores: um pacote com 2,5kg de batata custa 1,9 pounds, 2,5 litros de leite custam 1,3 pounds, um pacote de cookies custa 0,60 pounds e 250g de manteiga custam 1 pound.

No mercado vende feijão igual ao do Brasil, nesquick chocolate, leite condensado (o brigadeiro está garantido), dentre outras coisas que vocês poderiam sentir falta.

Uma coisa bem legal dos mercados daqui é que eles vendem produtos com a sua própria marca, com a mesma qualidade dos outros produtos, mas com preços muitíssimo mais baratos. Por exemplo, biscoito cream cracker Jacobs custa 1,2 pounds, enquanto que o mesmo biscoito, só que com a marca do Sainsbury’s (mercado onde faço compras), custa 0,40 pounds. Todas as redes grandes de mercado tem seus próprios produtos, e normalmente eles valem muito a pena. Vocês podem dar uma olhada nos preços das coisas nos sites do Sainsbury’s, Morrisons, Tesco e Asda, que são as maiores redes aqui do UK, para terem uma idéia do custo com alimentação.

Comer na rua é caro. Enquanto você está aí no Brasil, vai aproveitando para aprender umas receitinhas com sua mãe pra quando chegar aqui poder cozinhar sua própria comida. Na rua eles vendem muita comida apimentada, e tudo vem acompanhado de chips (batata frita). A comida muitas vezes é sem sal, e os preços variam bastante, claro, mas aqui em Coventry fica em torno de uns 4,5 pounds o almoço. No Subway, um sanduíche com suco de garrafa custa 3,3 pounds, enquanto que no Burger King uma promoção custa uns 6 pounds. No restaurante da universidade, uma refeição custa entre 3 e 4 pounds, mas vem tão pouca comida que não vale a pena.

Aqui no UK tem uma rede de lojas chamada Poundland, onde tudo custa 1 pound. Eles vendem tudo o que você puder imaginar, de eletrônicos, a alimentícios, de produtos de higiene a livros, e por aí vai. Quando vocês chegarem aqui e precisarem de adaptador, não pensem duas vezes, comprem na Poundland. Chocolates, doces, cereais, leite? comprem na Poundland. Nutella? Poundland.

Poundland

Poundland

Poundland s2

Poundland s2

Eletrônicos aqui no UK não são muito baratos. Custam menos que no Brasil, claro, mas não é tão fácil encontrar pechinchas boas. Uma coisa que eu observei, depois de ter visitado quatro cidades diferentes aqui da Inglaterra, é que não existem muitas lojas regionais, como no Brasil. Aqui, você vai encontrar exatamente as mesmas lojas em todos os lugares que você for.

Em compensação, aqui vale muito a pena comprar coisas pela internet, porque na maioria esmagadora das vezes, eles não cobram pelo frete e as promoções são realmente boas. Para ficar sabendo das melhores promoções, todos os dias, eu recomendo seguir essa página do facebook.

Aqui no UK as universidades providenciam as residencias para os alunos morarem. Os modelos das residências variam bastante. Enquanto que uns moram em quarto en suite (com banheiro), com direito a cozinha e máquina de lavar, outros moram em quartos no alojamento da universidade, sem direito a cozinha e com banheiro compartilhado. O que importa mesmo é ter um cantinho pra dormir.

Aqui em Coventry eu não gasto nada com transporte, faço tudo andando. Uma passagem de ônibus aqui custa em torno de 2 pounds, o que eu considero extremamente caro, já que a cidade é tão pequena. Já o taxi, nas poucas vezes que eu peguei, achei barato. Alguns colegas compraram bicicletas para se movimentarem pela cidade, uma bicicleta nova custa menos de 70 pounds. Como eu não tenho muitas habilidades com bicicletas, eu continuo fazendo minhas caminhadas diárias de 27 min pra ir e 27 min pra voltar da faculdade todos os dias.

Bem, pessoal, isso é tudo o que eu lembro por agora. Espero que esse post tenha ajudado vocês a se familiarizarem com o que vão encontrar por aqui daqui a alguns meses. Se quiserem saber mais alguma coisa podem perguntar aqui nos comentários mesmo, ficarei feliz em ajudar no que for possível :).

Beijos e boa sorte!

Lenita

Onde estou morando e o que faço por aqui, alem de passar frio.

Tudo comecou três meses atrás, quando eu saí do calorzão de Salvador e vim parar nessa pequena cidade onde hoje resido. Logo quando cheguei, Coventry estava passando por um período de frio não usual, segundo me contou o gerente do banco onde abri conta, e estava absolutamente coberta de neve. Eu não conseguia dar dois passos na rua sem quase escorregar. “Mas não se preocupe”, disse ele, “No verão a gente ás vezes chega a até 20 graus!!”. UAU.

O inverno aqui é violento. Às quatro da tarde o comércio ja começa a fechar e já está quase tudo escuro. Sete da noite as ruas ficam completamente desertas e às dez da manhã ainda tá tudo fechado. Não é que o povo daqui seja preguicoso, eu entendo eles. Quando eu acordava às sete da manhã, aquecedor desligado, e tinha que levantar da minha cama quentinha e pular debaixo do chuveiro, já pensando no frio que eu ia enfrentar na minha longa caminhada de 30 minutos até a faculdade, dava vontade chorar. Dava vontade de pegar um avião e voltar pro Brasil.

Com o passar do tempo eu fui me acostumando e pegando o jeito da coisa (e a temperatura foi subindo tambem). Hoje em dia eu me sinto em casa. As vezes eu ate almoco feijão.

A casa onde eu moro fica um pouco afastada do centro e meio longe da universidade. A ideia inicial era morarmos na residência universitária, onde teríamos um quartinho ovo sem banheiro e, na cozinha compartilhada, apenas geladeira e microondas. Teríamos direito a dez refeições diárias no restaurante da universidade, logo, não precisaríamos cozinhar. Mas estaríamos limitados a comer o que os ingleses chamam de comida. E que nao é comida. É uma gororoba qualquer apimentada, acompanhada de batatas fritas.

Graças a Deus, esse planejamento inicial não deu certo, então viemos morar em residências que não pertencem à universidade, mas são alugadas por ela e que, no caso da minha, se divide em flats. Cada flat tem 4 quartos, cada um com seu banheiro individual, e a cozinha é compartilhada. Minha casa tem 6 flats. Em dois flats moram apenas brasileiros e nos outros quatro moram nigerianos simpáticos, porem muito barulhentos e que fritam peixe todos os dias, deixando a area comum com um cheiro peculiar. Aqui em Coventry tem muitos nigerianos, muitos mesmo. E chineses (leia-se: chineses, coreanos, japoneses, tailandeses…Nunca sei identificar). Ah, e, claro, indianos.

Meu Quarto

Cozinha

Cozinha

Como vocês podem ver, a cozinha tem tudo (inclusive máquina de lavar), então dá pra cozinhar tranquilamente. Obviamente, a cozinha tem tudo, mas não veio com tudo. Todos os utensílios, panelas, produtos, etc, nós mesmos que compramos. Eu cozinho meu próprio almoco todo santo dia, o que é bom porque eu economizo dinheiro, me alimento melhor e ainda me torno uma menina prendada 😉 . E não infarto do coração comendo 1kg de pimenta por semana. No mercado aqui eles já vendem as carnes cortadinhas e em porções pequenas e as saladas já vem lavadas e prontas para comer. Cozinhar aqui não é problema.

Esqueci de explicar antes o porquê de eu estar aqui no Reino Unido. Eu consegui uma bolsa no programa Ciência sem Fronteiras, que é uma iniciativa do governo que tem como objetivo a internacionalização da ciência e da tecnologia, pra tornar o Brasil mais competitivo no âmbito internacional. Basicamente, eles estão enviando vários estudantes de graduação e pós-graduação para universidades no exterior. É o que eles chamam de “graduação sanduíche”. A gente interrompe o curso no Brasil, vem pra cá, faz uma parte do curso aqui e volta pro Brasil pra terminar. A gente assina contrato se comprometendo a voltar e continuar o curso, etc. Não, não tem a possibilidade de eu me casar, comprar uma casa, um carro e ficar morando aqui pra sempre.

Na universidade, estou cursando disciplinas do mestrado em engenharia elétrica. Isso porque o esquema da graduação aqui é diferente. Eles ofereceram pra gente a possibilidade de entrar no Year1 da graduação, onde a gente pegaria matérias muito básicas e a ideia da “graduação sanduíche” perderia todo o sentido. Por isso entrei no mestrado, onde há maior possibilidade de eu conseguir eliminar matérias quando voltar para o Brasil. Estou estudando na universidade de Coventry (Coventry University), que eles carinhosamente chamam de CU. Eles vendem casacos “I ♥ CU”.

A universidade é bem legal. O prédio de engenharia foi recentemente construído, em formato de colmeia, então tudo é muito novinho e conservado.

Miniatura da Colmeia

Colmeia

A cidade aqui é meio parada, mas também não é interiorzinho como no Brasil. Aqui as lojas estão concentradas no City Centre, que é uma área de livre circulação de pedestres, nada de carros, onde tem muitas lojas e se econtra praticamente tudo… o que há de mais esquisito na terra. Depois eu faço uma postagem sobre a cidade, com fotos e histórias interessantes.

Agora que estamos no final de Abril, a temperatura já subiu bastante. Já dá pra sair na rua com apenas uma camada de roupa tranquilamente. Ás vezes eu fico até com calor dentro de casa (mas aí eu lembro de desligar o aquecedor e o calor passa). Os dias também estão muito mais longos. O sol só começa a se pôr lá pras oito da noite, e eu imagino que no verão fique ainda melhor.

Então é isso, agora vocês já sabem o que tá rolando por aqui. Com o tempo vou contando mais coisas.

Beijos!

Lenita