Amsterdam, a Veneza do norte.

Chegamos a Amsterdam em uma tarde ensolarada e agradável de sábado, depois de 3 horas de viagem de Megabus, saindo de Bruxelas. No caminho, paisagens bem bonitas de terrenos alagados, vacas holandesas, moinhos de vento, etc, etc…

No dia em que chegamos, a cidade estava bem cheia pois era o último dia da parada gay. Na recepção do hotel, vimos várias pessoas chegarem e não encontrarem quartos disponíveis. “Talvez vocês encontrem hospedagem nas cidades vizinhas”, era o que a recepcionista dizia para eles.

Como todos os hostels estavam muito caros, ficamos hospedados em um hotel bem legalzinho e mais afastado do centro chamado West Side Inn. O sistema público de transporte de Amsterdam é bem eficiente e tudo pode ser feito de tram, que é tipo metrô, só que por cima. O day pass custa 7,5 euros, e tem validade de 24h, a partir da hora da validação. O passe é vendido dentro do tram, pelo cobrador ou motorista, e tem que ser validado tanto na entrada, quanto na saída, nas maquininhas que ficam ao lado das portas. Uma opção alternativa ao transporte público, é andar de bicicleta, como fazem os “Amsterdamers”. Para quem não é estabanado – como eu – e sabe andar de bicicleta, vale a pena alugar uma para rodar a cidade toda. Amsterdam é a cidade para se andar de bike, até eu fiquei com vontade de arrumar uma pra mim (mas aí lembrei de quando inventei que sabia nadar em Santorini e achei melhor deixar quieto).

Amsterdam é uma cidade tranquila e agradável, cheia de árvores e cortada por sete canais que formam uma paisagem linda e harmoniosa. As casas são tortinhas e inclinadas para a frente, efeito do solo meio que pantanoso sobre o qual foram construídas. Elas são todas encostadas umas nas outras que é pra melhorar a sustentação, e a inclinação pra frente é pra facilitar a subida de móveis, já que as escadas holandesas são famosas por serem estreitíssimas. Notei algo de estranho com as casas logo de cara quando chegamos à cidade, mas perguntei a Rafael e ele não percebeu (??? como pode?). Fiquei pensando que estava maluca, até que recebemos essa informação do pântano e a confirmação de que é tudo torto mesmo e não sou eu que estou doida sem fumar. Que bom.

Gente, não dá pra ver que tá tudo torto?

Gente, não dá pra ver que tá tudo torto?

E agora?

E agora?

E AGORA?

E AGORA?

Na primeira noite, pegamos um tram e descemos em Dam, na praça do palácio. Fomos andando aleatóriamente, seguindo o fluxo e, de repente nos encontramos em uma rua estreita, vitrine de um lado, vitrine do outro e, do lado de dentro, mulheres de roupa íntima desinibidamente se expondo para os olhos dos curiosos possíveis clientes. Estávamos no Red Light District. Me senti meio tímida naquele lugar. Nada de clima pesado nem tristeza, tudo parecia muito natural para todos. Mas eu fiquei com vergonha de olhar para elas, porque elas estavam sem roupa e olhavam de volta.

Prostituição é uma profissão legalizada na Holanda. As meninas tem idades e aparências variadas. A maioria tem um corpo bonito, mas um rosto nem tanto. Elas são registradas, pagam impostos e tem direitos como qualquer outro trabalhador. Teoricamente, são todas independentes. Cafetinagem é crime. O que elas ganham, elas levam. Um programa de 15 minutos custa, em média, 50 euros.

A história do bairro é de que, antigamente, bem próximo de lá, havia um porto, onde de tempos em tempos atracavam marinheiros cheios de dinheiro pra gastar e precisando de “carinho”. Sendo assim, as prostitutas já ficavam por ali mesmo, esperando por eles. O interessante é que, intencionalmente, no ponto onde termina o Red Light District existe uma igreja, que naquela época era católica, e que lucrava com as indulgências vendidas aos marinheiros, que depois de passarem meses trancados dentro de um navio, aprontavam bastante no Red Light e aí ali mesmo já pagavam, eram perdoados e saíam de alma limpa. Um inteligente esquema.

Não é aconselhável tirar fotos das moças, pois nem elas e nem seus seguranças gostam disso, e ambos podem reagir de maneira agressiva. Eles podem simplesmente xingar você e te obrigar a apagar as fotos, ou tomar a câmera/celular de sua mão e jogar no canal, etc. Não adianta ser esperto, o guia nos contou um caso de um cara que estava em um de seus tours e decidiu fingir que estava falando no celular, enquanto tirava foto de uma delas, quando foi surpreendido com um balde de flúidos despejado em sua cabeça. Vale ressaltar que elas não tem banheiro nos quartos.

Thanks to google.

Red Light District (thanks to google).

As moças.

As moças.

Outro local bem característico da cidade é o famoso I AMSTERDAM. Fomos lá tirar foto, para provar que estivemos em Amsterdam. Ô lugar difícil pra tirar uma foto! Tem gente que fica querendo subir em todas as 10 letras, e não libera pra mais ninguém (confesso que fiquei com inveja, pois tenho pernas curtas e jamais conseguiria subir também). Dica: Vá ao museu de Amsterdam. Lá dentro tem uma réplica menorzinha que tá sempre vazia, e dá para pessoas pequenas subirem nas letras também e se acharem.

Eu e meuzamigos.

Arrasei.

Arrasei.

De frente para o I AMSTERDAM original, na Museuplein (praça do museu), fica uma piscina com umas esculturas “modernas” onde as pessoas ficam sentadas molhando os pés e conversando, enquanto suas crianças brincam e mijam tudo. Tem também um gramado enorme onde o pessoal se espalha, em torno do qual ficam o lindíssimo museu de Van Gogh, o museu Rijks e o concert hall. Não entrei em nenhum deles, mas dormi que foi uma beleza na grama.

Piscina com obras de arte moderna.

Piscina com obras de arte moderna.

De todos os lugares que fui, o mais marcante de todos foi a casa de Anne Frank. Foi lá que se passou a história contada em um dos diários mais famosos do mundo. Foi onde Anne e sua família se esconderam durante dois anos, na tentativa de não serem capturados pelo regime nazista que dominava a Holanda. Eles se escondiam em um anexo da empresa de Otto Frank, o pai de Anne, cuja porta era tampada pelo lado de fora com uma estante de livros, de modo que não dava para perceber que existia mais casa para o outro lado. Algumas poucas pessoas os ajudavam, levando suprimentos e outras coisas. Anne, que queria ser escritora, decidiu relatar tudo em seu diário após ouvir no rádio um ministro holandês pedir para que as pessoas guardassem relatos e arquivos coletados durante os tempos de guerra, para registro histórico. O museu é uma reconstrução do lugar onde eles se escondiam, e de onde foram tirados à força pelos nazistas e levados aos campos de concentração, de onde somente Otto saiu vivo.

Outra experiência interessante foi ter ido visitar uma das igrejas católicas escondidas. Quando a Holanda se tornou um país protestante, as igrejas católicas tiveram suas cruzes e tudo o mais que representa o catolicismo arrancados e a religião protestante passou a ser imposta. Por conta disso, aqueles que não queriam se converter passaram a praticar sua religião de modo secreto, em igrejas que foram montadas dentro de casas. Por fora, uma casa normal. Por dentro, uma igreja com imagens, cruzes, terços, bancos e etc.

A casa por fora.

A casa por fora.

A igreja católica lá dentro.

A igreja católica lá dentro.

Algumas dessas igrejas foram facilmente descobertas, já que ao fim das missas todos saiam da casa de uma vez, e era de se estranhar que, todo domingo, em um mesmo horário, uma grande quantidade de pessoas se reunissem em frente a uma mesma casa. Mesmo sabendo, as autoridades deixavam pra lá. Afinal, eles estavam gerando dinheiro para o estado e a igreja era escondida, então, né. Essa é a lógica da permissividade holandesa: não bulir com quem está quieto e gerando lucros. É a mesma lógica que funciona hoje em dia na relação do governo com a maconha.

Fui embora de Amsterdam apaixonada pela cidade e fascinada em como uma capital européia pode ser tão peculiar e mente aberta. As casas tortas, as bicicletas, a liberalidade, a quebra de tabus… tudo em Amsterdam é descontraído e relaxado, como deve ser.

I AMsterdam :)

I AMsterdam 🙂

Beijos!

Lenita

 

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Sobre a ~maconha~ em Amsterdam.

Antes de começar a planejar a ida para Amsterdam, eu sabia muito pouco da cidade. Quando alguém falava em Amsterdam, duas coisas me vinham à cabeça: esculhambação e maconha liberada. Uma vez que comecei a pesquisar, logo esqueci de tudo isso e senti até vergonha da minha ignorância, afinal sempre achei ruim quando os gringos vinham com ideias erradas sobre o meu país e cá estava eu, fazendo a mesma coisa.

Assim como fui a Roma e não vi o papa, também fui a Amsterdam e não fumei maconha (desculpem a comparação). Mas nem por isso fiquei menos curiosa ou deixei de procurar saber como é que funciona a coisa toda e porque que eles decidiram “liberar” a marijuana. Como é algo muito diferente do que a gente tem no Brasil, achei que seria interessante escrever o que aprendi sobre como é que eles lidam com a liberação por lá.

Primeira coisa: A maconha lá NÃO é legalizada. O que ocorre é uma relação de tolerância ao consumo da droga, para que o governo possa ter um controle melhor de sua utilização, venda e produção. Desse modo, eles podem estabelecer normas, fazer vistorias e diminuir os riscos para os usuários (e também tirar uma lasquinha nos impostos, que ninguém é besta nem nada). E como funciona, então?

A maconha não pode ser comprada na mão de qualquer um que te ofereça. Existem lugares apropriados para a compra/consumo da erva, são os chamados coffeeshops. Cada indivíduo pode comprar no máximo 5g de maconha. Ser pego na rua portando mais do que essa quantia é crime.

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Peguei da internet viu gente, pfv.

Os coffeeshops (onde as pessoas não vão para tomar café) são estabelecimentos regularmentados onde se pode consumir livremente a droga. Não é permitida a venda de bebidas alcoólicas e nem a entrada de menores de 18 anos nesses locais. Os coffeeshops podem ter um estoque de, no máximo, 5kg de maconha por vez.

Coffeeshop.

Coffeeshop.

Não pode sair fumando maconha no meio da rua,  o consumo só é permitido dentro dos coffeeshops ou em sua própria casa/hotel – se o hotel permitir. Também é possível ter sua própria plantação em casa, mas tem uma quantidade certa de mudinhas que é permitida. As sementes também são vendidas nos coffeeshops.

Outra coisa que se pode comprar nos coffeeshops são os space cakes, que são bolinhos tipo muffins, só que com maconha dentro. Não sei se tem limite de quantidade de compra de bolinhos.

Space Cake.

Space Cake.

Cogumelos são proibidos, mas eu vi uma loja que tinha um cartaz bem grande escrito “Magic Mushrooms” (cogumelos mágicos).

É claro que não é tudo perfeitamente organizado. A Holanda passa por alguns problemas de luta contra o tráfico ilegal, e também brigas com os países vizinhos que são contra a liberação do uso da droga (a Holanda é o principal ponto de chegada de drogas na Europa por conta disso). Mas esse foi o jeito que eles encontraram para botar ordem, assim diminui-se a procura por maconha ilegal, consequentemente o tráfico ilegal e todos os problemas de violência que isso gera, e que a gente bem conhece no Brasil.

Teve uma época que foi considerada a possibilidade de proibir a venda da maconha para turistas, somente residentes com um passe poderiam comprar. Não sei se essa lei foi colocada em prática por algum tempo, mas hoje em dia ela já foi descartada, pois prejudicaria demais o turismo na cidade, que tem mais de 220 coffeeshops.

Conselho meio óbvio: Apesar de ser permitida a venda/consumo da droga por lá, não tente dar uma de João-sem-braço e embarcar com um bocadinho de maconha na bagagem, porque você pode ir parar na cadeia. O pessoal do aeroporto de lá sabe bem como é turista, e é 10x mais esperto que você.

OBS: Não estou dizendo que sou a favor, nem estou dizendo que sou contra. Estou apenas relatando como a coisa funciona na Holanda (mais especificamente em Amsterdam, que é a única cidade que eu conheço). Não tenho opinião formada. Sou dessas, bjs.

Bruxelas, a capital do chocolate e da cerveja.

Olá, pessoal!

Nem bem terminei de postar sobre a Grécia e já fiz mais uma viagem. Nada de praia dessa vez (oooh :(), fui conhecer Bruxelas, Amsterdam e Berlim. Fui de ônibus com a National Express de Londres até Bruxelas, em uma viagem de 10 horas bem tranquilas e com um motorista super gente boa e animado. Eu estava super ansiosa pra passar pelo Eurotúnel (túnel por baixo da terra, por baixo do mar, que liga a Inglaterra à França), mas a passagem dura somente 35 minutos e é meio que no escuro então nem teve muita graça pra mim. Já para a menina claustrofóbica que estava do meu lado deve ter sido bastante emocionante.

Alugamos apartamento em Bruxelas, em um local cujo nome não me lembro, mas que ficava próximo do Jardim Botânico. Não precisamos usar o transporte público, conhecemos tudo a pé mesmo. A cidade estava insuportávelmente quente e o nosso apartamento não tinha ar condicionado, nem ventilador, nem fogão e nem máquina de lavar, ou seja.

Apartamento: Parte de cima/Parte de baixo.

Já no primeiro dia fomos em busca do tal Delirium, o bar com mais de 2 mil tipos de cervejas. Encontramos 2 outros Deliriums pelo caminho, mas não encontramos o certo. Desistimos e fomos comer pizza. A pizzaria ficava bem próxima à Galerie de La Reine, que é uma galeria com várias lojas de coisas belgas, muitas de chocolate. Uma delas é a que fornece os chocolates para a família real (sim, a Bélgica tem rei!), a Mary Chocolatier. Passe direto, porque é absurdamente cara. Compramos chocolates com preço bom na Corne (uma barra média por 3.2 euros).

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Loja de chocolates Corne.

Fomos passear na Grand Place, que é uma praça linda, cercada de prédios antigos que ficam iluminados à noite. Cada prédio tem a sua história, mas a mais legal é a do Town Hall, que é esse prédio lindo aqui embaixo:

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Town Hall à noite.

Town Hall de dia.

Reza a lenda que o cara que projetou essa belezura, ao ver a construção concluída, correu para dentro do prédio, subiu até a mais alta janela e depois se jogou lá de cima e morreu. Porque? Basta olhar novamente para a imagem e perceber que o prédio é totalmente assimétrico. Um lado é bem maior que o outro. Isso aconteceu porque o lado esquerdo foi construído primeiro, e na hora de construir o outro lado, já haviam duas outras casas próximas, e aí não teve jeito…

Na falta de Torre Eiffel e grama, à noite os belgas se espalham em grupos pelo chão da praça e ficam sentados, olhando os prédios em volta. A cada 2 anos, no mês de agosto é estendido um tapete de flores que toma toda a praça. Pena que a gente deu azar de ir logo no ano-não.

Grand Place

Mais do que a capital do chocolate e da cerveja, Bruxelas também é famosa pelos cartoons e por aqueles bichinhos azuis de touca, os “Schtroumpfs”, também conhecidos como Smurfs. Lá também foram criadas as Aventuras de Tintim, de Hergé, que é motivo de orgulho para os Belgas. Eles realmente levam a sério essa coisa de desenho e isso pode ser notado pelas paredes pintadas, espalhadas pela cidade. Para quem se interessa de verdade, vale a pena seguir o mapa e conferir todas as paredes com os desenhos.

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Wall Art

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Tintim 🙂

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Sim, eles são um casal gay. Depois de reclamações, o artista colocou um brinco na orelha e aumentou o quadril do moreno para disfarçar e dizer que é só um casal hétero normal. Clique na imagem para ver maior.

Segundo os Belgas, a batata frita, que é internacionalmente conhecida como French fries, deveria ser chamada de Belgian fries, pois também é invenção deles. O caso é que, quando alguns soldados norte-americanos, que passavam pela Bélgica, comeram as Belgian fries, eles não sabiam realmente onde estavam. Como as pessoas em volta deles falavam francês, eles acharam que estavam na França e então passaram a chamar as batatas fritas pelo nome que hoje é o conhecido. Burrice típica de estadunidense, né.

Batata frita é batata frita em qualquer canto do mundo, mas com os waffles a história já muda. Em todo canto em Bruxelas tem alguma bodega vendendo waffles, que eles comem puros, ou somente com açúcar refinado por cima, mas as lanchonetes conhecem as invenções dos turistas e vendem também com sorvete, creme, caldas, morangos e o que mais for solicitado. O lugar mais barato para comer é na rua que tem o Manneken Pis, onde o waffle puro ou só com açúcar custa 1 euro.

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Waffle delícia!

O “Manneken Pis” (menino mijando), é conhecida como a atração mais decepcionante de Bruxelas, mas também a mais querida de todas. Basicamente, é uma estátua de 60cm de um menininho fazendo xixi. As pessoas se decepcionam porque ele é muito pequeno, mas, sinceramente, grande ou pequeno, uma pessoa que vai a Bruxelas animada para ver uma estátua de um menino mijando não tem o direito de se decepcionar com nada nessa vida.

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Manneken Pis

Ele foi criado no século dezesseis, mas teve que ser substituído várias vezes pois as pessoas roubavam ele e levavam embora (estudantes bêbados, provavelmente)Em datas comemorativas, ele ganha roupas. O governo mantém uma mulher cuja única obrigação é costurar roupas para o Manneken Pis de vez em quando, e tem até uma exposição com todas as roupinhas dele no museu. Por ter sido roubado diversas vezes, trataram de colocar até câmeras para vigiar a estátua. O mais curioso é que ninguém sabe ao certo porque diabos colocaram essa estátua lá, há tantos anos atrás. Diversas estórias tentam justificar o menino mijando. Uma delas é a de que a Bélgica teve um rei que era apenas uma criança, e em um momento de guerra contra um reino inimigo, colocaram o menino dentro de uma cesta, e a cesta em cima da árvore, para encorajar a tropa, e aí quando os inimigos chegaram, o menino começou a urinar em cima deles e aí eles perderam a guerra. Tem também uma outra história de um menino que estava fazendo xixi na porta da casa de uma mulher, e aí, como ela era uma bruxa, ao abrir a porta e dar de cara com aquilo, ela resolveu transformar a criança em pedra.

Em vários lugares na cidade eles vendem réplicas da estátua em tamanho real (o que não é muito grande), e em várias lojas e restaurantes, lá está o Manneken Pis.

Manneken Pis comendo waffle.

Manneken Pis comendo waffle.

Manneken Pis mijando cerveja.

Manneken Pis mijando cerveja.

Fomos também conhecer o parque da cidade, o Palácio Real e um jardim bonito que fica no caminho para o centro. Como nenhum de nós estava muito interessado em cruzar a cidade para ir conhecer o Atomium, só vimos o negócio de longe, quando estávamos chegando à cidade no ônibus (o negócio é gigantesco). O Atomium é um monumento que representa um cristal de ferro ampliado em 165 bilhões de vezes, e que foi construído especialmente para a Expo 58. Tem quem diga que é a Torre Eiffel de Bruxelas. Pffff…

Atomium (foto que peguei do google).

Atomium (foto que peguei do google).

Na nossa última noite em Bruxelas, finalmente encontramos o Delirium certo e fomos conferir o bar que saiu no livro dos recordes com a maior variedade de cervejas do mundo. O local estava bem cheio, mas, como a maioria das pessoas gosta de ficar em pé do lado de fora, foi tranquilo pra achar lugar pra sentar em um dos barris que servem de mesa. A decoração toda do lugar é bem legal, com tampas, rótulos e copos espalhados, e eles tem um catálogo que mais parece um livro, com todas as opções de cerveja, belgas e de todos os lugares do mundo. Das que provei, a que mais gostei foi a de banana.

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Delirium Bar.

Cerveja de banana!

Cerveja de banana!

Para conhecer a história da cidade, fizemos o free walking tour com os Sandemans (fizemos com eles em Amsterdam e Berlim também). Achei os tours ótimos, eles são divertidos, falam de coisas atuais, mas também falam bastante de história. Só achei que os grupos são muito grandes (mais de 30 pessoas), e acho que atrapalha um pouco e faz com que seja mais demorado. De qualquer modo, por ser “de graça”, é melhor do que não fazer.

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Serclaes, o herói de Bruxelas.

Antes de irmos embora, voltamos à Grand Place para alisar o braço desse cara aí em cima, porque dizem que dá sorte e garante a sua volta à Bruxelas. Depois, de barriga e mochilas cheias de chocolates, fomos bem felizes pegar o Megabus para Amsterdam, onde as coisas são um pouco diferentes.

Beijos!

Lenita

Santorini, a ilha do vulcão e das praias exóticas.

Chegamos ao porto de Athinios, em Santorini, ainda de manhã. O trajeto Creta-Santorini foi super tranquilo, em um ferry grande e chiquezinho (ui) e durou pouco mais de duas horas. O pessoal do hotel foi buscar a gente lá no porto (em Sanorini e Mykonos eles costumam fazer isso), o que foi muito bom pois nas ilhas é meio difícil de usar o transporte público logo no começo.

Santorini é uma ilha montanhosa, cuja maior parte habitada fica no topo das montanhas. De frente para a ilha fica um vulcão (que ainda está em atividade, detalhe), que anos atrás entrou em uma grande erupção e dividiu o que era uma ilha só em três. A maior delas é Santorini, depois Thirássia e a outra é o próprio vulcão. Acredita-se que é daí que surge a história de Atlântida, a cidade que desapareceu no mar em um dia. Atlântida seria a civilização Minóica que habitava a ilha na época e que foi destruída por terremotos e tsunamis, deixando apenas uma cratera coberta de água entre as ilhas. Acredita-se que os moradores da ilha foram embora antes de ela sumir do mapa, provavelmente logo quando começaram os terremotos, pois não foram encontrados ossos humanos e nem objetos de ouro durante as escavações.

Fira, Santorini.

Fira, Santorini.

O Vulcão de Santorini

O Vulcão de Santorini

Ficamos hospedados em Fira, que é a principal vila, em um hotel chamado Vila Anemone. O hotel era bem legal e ficava a 10 minutos do centro, mas como a ilha é uma montanha, sendo que o centro é no topo, quanto mais afastado do centro for o local, mais se tem que subir, e a subida é bastante íngreme, então eu não recomendaria esse hotel só por isso.

Geralmente quem vai pra Santorini fica em Fira ou em Oia, que é uma outra vila. Fira é maior, mais movimentada e com mais opções de hotéis e restaurantes baratos. Oia tem mais hotéis luxuosos e os restaurantes são mais caros também. Em Fira fica a estação de onde partem os ônibus para todas as praias e os principais pontos de Santorini. O sistema de ônibus da ilha é muito bom, por sinal. Todos os ônibus são confortáveis e com ar-condicionado e o valor da tarifa varia entre 1,6 a 2,2 euros, dependendo do lugar para onde se está indo. Todos os pontos de ônibus têm uma timetable com os horários. Alugar carro/moto/ATV também é uma boa opção para circular pela ilha, e os preços são bons.

Já no primeiro dia, depois de chegar no hotel, largar as malas e botar o bikini, partimos para a praia de Kamari. As praias de Santorini são o que há de mais exótico na face da terra. Não sei se é por conta da tal história do vulcão, mas as praias de lá são as mais diferentes que já vi na vida.

Kamari é uma praia de areia preta e água azulzinha, que fica próxima à vila de Kamari. A praia é bem popular e cheia de espreguiçadeiras e sombreiros que dá pra alugar. Na beirada ficam vários restaurantes com preços até bons, e também lojas e hotéis chiques. Ficamos umas horas na praia e depois, como ainda faltava muito para escurecer, decidimos encarar a longa e interminável subida para o sítio arqueológico de Tira antiga, que é onde ficava a capital da ilha antigamente.

Kamari Beach

Kamari Beach

Vila Kamari

Vila Kamari

Muita chiquesa, mas eu fiquei foi na canga mesmo, haha.

Muita chiquesa, mas eu fiquei foi na canga mesmo, haha.

A subida (360m) é realmente muito íngreme e tem dois caminhos: 1. o do carro, que é pela pista, mais fácil e bem mais longo e 2. o bem mais curto, que é uma escalada pelas pedras, e quando chega no final, na verdade ainda está na metade (onde os dois caminhos se juntam e ainda tem subida como a zorra). No dia em que fomos estava ventando muito, e o vento empurrava a gente na direção do penhasco. Tinha horas que a gente tinha que ficar abaixado, de cócoras, esperando o vento passar, ou então ele ia levar a gente embora. Sério.

Fira antiga, 35 min.

Fira antiga, 35 min.

Na metade do caminho.

Na metade do caminho.

Depois de muito subir, chegamos lá e damos de cara com o museu fechado. Pelo menos valeu a vista de Kamari lá de cima.

No dia seguinte foi a vez da Red Beach (os próprios gregos chamam assim). A praia realmente é vermelha!

O ônibus deixou a gente no pé de uma praia próxima, e de lá tivemos que andar por cima de umas pedras para conseguir chegar até lá. No meio do caminho, nos perdemos (a gente sempre se perde, mesmo quando não tem como se perder) e aí um cachorrinho nos encontrou e nos ajudou a chegar à praia. Como já disse, as ilhas gregas são entupidas de cachorros que não são de ninguém, e são de todo mundo ao mesmo tempo. Eles encostam em um turista, e seguem ele forever, até que apareça alguém mais interessante. Ouvi dizer que já teve muito turista que foi seguido na caminhada de Fira até Oia (mais de 10km).

O Cão-Tour seguindo Rafael

O Cão-Tour seguindo Rafael

Tinha lido na internet que a praia ficava super lotada depois do meio dia, então acordamos bem cedinho e pegamos o primeiro ônibus que ia pra lá. Quando chegamos lá, a praia estava bem vazia, uma beleza. A praia é maravilhosa. A areia é vermelha e a água é azul bem clarinha. Quando estávamos indo embora, paramos no alto da montanha para tirar fotos, e era engraçado ouvir as pessoas que acabavam de subir olharem lá pra baixo e dizerem “Oh, my God!”, impressionados com o lugar.

Red Beach, Santorini.

Red Beach, Santorini.

Bem próximo à praia fica o sítio arqueológico de Akrotiri, que era uma cidade que foi destruída pelos terremotos e pela erupção do vulcão. Como toda a cidade ficou coberta de material vulcânico, ficou tudo muito bem conservado mesmo depois de tantos anos. Dessa vez não precisamos fazer escaladas perigosas, mas quando chegamos lá estava fechado e tinha um aviso de que os funcionários tinham entrado em greve.

No centro de Fira tem várias agências de turismos, oferecendo diversas opções de tours pelas ilhas. Compramos o tour para o vulcão por 15 euros (estava em promoção, o preço normal é 19 euros), e em todas as empresas o valor era igual. Tinham duas opções de tour que incluíam o vulcão, uma era em um barco grande que tinha o chão de vidro que as crianças gostavam de ficar olhando e incluía uma visita aos hot springs, que é um lugar que tem as águas quentes por causa do vulcão, e depois a visita ao próprio; e o outro era em um barquinho de madeira, de tardinha, que passava pelo vulcão, mas não podia descer lá, e que terminava em Oia, pra ver o pôr-do-sol. Esse último custava 25 euros. É claro que a gente preferiu pegar o que tem a opção de descer no vulcão e ainda por cima é mais barato.

O tour foi incrível, exceto pelo fato de que o áudio guia estava com um som abafado e não dava para ouvir nem entender nem uma palavra. O barco saiu do porto antigo, e pra chegar lá tivemos que descer uma escada sem fim e cheia de mulas. E, como onde tem mula tem cocô de mula também, tivemos que aguentar 588 degrais de puro fedor. Maaaaas…a vista é linda :).

Escada para o porto antigo de Fira.

Escada para o porto antigo de Fira.

A primeira parada do barco foi nos hot springs, onde quase morri afogada no mar. Explico: Eu não sei nadar, só sei “nadar” cachorrinho. Quando eu perguntei para o carinha da empresa se ele tinha alguma bóia ou colete ele disse que não, mas que eu podia ficar no barco mesmo, como muitas pessoas ficam. E teria sido uma boa escolha. Mas só que eu queria muito aproveitar tudo o que eu pudesse da Grécia, e, na minha cabeça, seria o máximo nadar nas águas quentes e vermelhas do vulcão. Primeiro eu fiquei olhando as pessoas descerem do barco e saírem nadando. Me pareceu uma coisa tão simples e espontânea, que eu simplesmente pulei no mar e fui também.

Hot Springs

Hot Springs

Pra encurtar a história: Não aguentei 3 min “nadando” e já estava muito cansada, tive que pegar carona em Rafael, que estava indo devagarzinho do meu lado (e, por isso, cansado também). Levamos mil anos para chegar até a parte rasa e quente. E se eu não aguentei a ida, a volta foi pior ainda. Fiquei nervosa, engoli água e quase morri lembrando que estava em um lugar muito fundo, e que se eu parasse ali, já era. Rafael também estava cansado (servindo de guincho, coitado) e continuamos os dois, nadando, nadando e parecia que o barco se afastava e eu não queria nem morrer, nem balançar os braços pra cima pedindo ajuda, já que eu ainda não estava me afogando de verdade. Por fim, conseguimos alcançar o barco e eu decidi que preciso tomar aulas de natação urgentemente, e até lá jamais me arriscarei a nadar novamente.

Depois dos hot springs, seguimos no barco até o vulcão, onde fomos deixados por 1.5h, para explorar à vontade. Para entrar na ilha tem que pagar uma taxa de 2 euros, de preservação ambiental. O vulcão é bem grande e interessante de olhar, mas não tem lavas borbulhantes como nos filmes (ooh :(). Em vários pontos tem instrumentos de monitoramento do vulcão, que são energizados por painéis solares em miniatura. A última vez que o vulcão entrou em erupção foi em 1956, e muito provavelmente isso ainda vai ocorrer mais vezes no futuro, por isso o monitoramento.

Dentro do Vulcão, aimeudeus.

Dentro do Vulcão, aimeudeus.

Na volta, como a gente é raça ruim, decidimos subir os 588 degrais até Fira, e depois ficamos lá de cima, tirando fotos das casinhas e do vulcão. Pra mim, o lugar mais bonito de Santorini é no topo daquela escada. Quando chegamos no hotel, estava passando Avenida Brasil na tv Alpha. Em português mesmo, com legendas em grego. Tive que assistir, né! haha

quinhentos-e-oitenta-e-oito fucking degraus.

quinhentos-e-oitenta-e-oito-fucking-degraus.

As mulas

As mulas

Na manhã seguinte, fomos à praia de Perissa, que parece muito com Kamari. A areia é preta e a água é cristalina. A areia não é tão arenosa quanto a das praias que a gente está acostumado. Parecem mais umas pedrinhas pretas bem pequenininhas, e quando bate qualquer vento elas voam, pinicando o corpo da gente todo, é uma droga. Fiquei até sem querer tirar fotos, pois toda hora vinha uma chuva de pedrinhas e eu ficava com medo de pegar na lente da câmera e arranhar. Por causa disso, fiquei a maior parte do tempo na água mesmo, treinando natação.

Perissa, Santorini.

Perissa, Santorini.

Á tarde, decidimos fazer a tão famosa peregrinação de Fira a Oia, para então assistirmos ao pôr-do-sol de lá. Nenhum cachorro nos seguiu. Quando chegamos em Oia, já fomos logo garantir o nosso lugarzinho para assistir ao pôr-do-sol, pois eu tinha lido que ficava muito cheio e era bom chegar umas duas horas antes. As pessoas falam tanto desse pôr-do-sol, que eu estava esperando algo esplêndido, magnífico, mas quando finalmente aconteceu, achei tão normal, que nem bati palmas nem nada. Quem já viu o sol se pondo no Farol da Barra é que sabe o que é pôr-do-sol bonito..

Pôr-do-Sol em Oia.

Pôr-do-Sol em Oia.

Voltamos de Oia em um ônibus socado de gente e, no dia seguinte, acordamos cedo e pegamos o bus para o porto. 3 horas depois chegamos em Mykonos, a ilha da loucura-loucura-loucuraa.

Beijos!

Lenita

Roma, onde não vi o Papa.

Já faz um tempo que eu estava doida pra conhecer a Itália. Eu não queria só comer macarrão e aproveitar alguns dias de um verão de verdade, mas também conhecer aqueles lugares históricos e aprender sobre a cultura romana, da qual tanto ouvi falar na época do colégio. Recebi uns amigos do Brasil aqui em casa, e eles queriam conhecer Paris e mais um outro lugar, além de Londres. Decidimos então ir pra Roma, e acertamos em cheio :).

Como decidimos tudo apenas dois dias antes de começarmos a viagem Paris-Roma, os preços dos Hostels estavam bem salgados, então Rafael teve a brilhante ideia de alugarmos apartamento, pois estaríamos em 4 pessoas e poderíamos ter mais conforto, segurança e privacidade também (sem ter que dividir banheiro com pessoas estranhas). No começo eu achei um pouco arriscado, afinal teríamos que pagar o valor total no ato da reserva e ainda teríamos complicações como contactar o dono da casa, chegar no horário para pegar as chaves, etc. Mas foi super tranquilo e valeu muitíssimo a pena, afinal nós nos sentimos em casa durante toda a viagem (tanto em Paris, quanto em Roma), e não foi necessário conviver com estrangeiros sem noção e seus hábitos esquisitos (usar o secador de cabelo no quarto às 6 da manhã, ficar de sutiã na frente do namorado alheio, passear de cueca, etc).

Alugamos apartamento na região de Cipro, bem atrás dos muros do Vaticano. Era só subir uma escada e, pronto, lá estava o papa fazendo a missa. Ficamos bem próximos à estação de metrô e a vários restaurantes e lojas também. A irmã do dono da casa, Sabrina, foi quem apareceu pra nos mostrar a casa, e nos explicou tudo minuciosamente (como ligar o fogão, como mudar os canais da tv, como ligar o ar condicionado…), a impressão que deu foi a de que ela não sabia que no Brasil nós também temos acesso a todas essas tecnologias maravilhosas. Sem contar que ela não sabia falar muito bem em inglês, então ela começava em inglês e depois ia falando em italiano mesmo e aí a gente entendia as coisas pelo contexto. Tivemos que pagar uma taxa de 2 euros por pessoa, por diária (coisa do governo de Roma), que não estava descrita no site do House Trip e também não tivemos internet, como estava descrito no site. Ainda assim, tivemos uma casa completa e confortável, com 2 quartos, 2 banheiros, cozinha equipada e máquina de lavar por 4 dias em Roma por um preço bem razoável. Falei tudo sobre alugar apartamentos nesse post.

Estátua do Papa João Paulo II em Termini.

    Roma tem dois aeroportos: Fiumicino e Ciampino. Chegamos à cidade pelo aeroporto de Fiumicino e fomos embora pelo aeroporto de Ciampino. Do aeroporto tem uma infinidade de shuttles que levam ao terminal central de ônibus e metrô de Roma, o Termini. Praticamente todos cobravam o mesmo preço, 4 euros. Ainda no aeroporto, no guichê de informações turísticas compramos o Roma Pass. Eu raramente gasto meu dinheirinho com esses cartões de turísmo, porque muitos deles não valem a pena se você não estiver planejando entrar em tudo quanto é museu. Eu sempre prefiro comprar só os passes livres de metrô e/ou ônibus e pronto, o resto eu vejo se cabe no meu orçamento ou não. Mas esse vale muito a pena, pois custa apenas 34 euros, e dá o direito de usar o transporte público de Roma ilimitadamente por 3 dias e também dá o direito a entrar em duas atrações gratuitamente (tentamos entrar em uma terceira no espírito do “vai que cola?” e colou).

O Roma Pass. Vem em uma embalagem bonitinha, com um mapa da cidade e uns folders com informações de alguns museus.

Durante os quatro dias fez o maior solzão e a cidade estava muito quente também. No primeiro dia fomos à Piazza di Spagna, que estava socada de gente. As ruas em volta da praça são cheias de lojas (as mais caras) e tem muita madame subindo e descendo com os braços cheios de sacolas de lojas de grife. Eu, que não sou rica e nem estou perto de ser, comprei meu chinelinho de 5 euros na H&M e saí de lá mais do que feliz.

É nessa praça que fica a ” Scalinata”, também conhecida como “Spanish steps”, que é essa escadinha que sobe da praça até a igreja Trinita dei Monti. Uma coisa que eu achei bem legal em Roma, e muito importante também, por conta do calor, é o fato de terem fontes de água bebível em todos os pontos turísticos. Eu já saía de casa com minha garrafinha dentro da bolsa, e aí em todo canto era só dar uma paradinha pra reabastecer e pronto. A primeira fonte que vimos em Roma foi a Barcaccia, que é uma fonte em formato de barco. Diz a lenda que uma vez o rio encheu e transbordou, e aí um barco veio parar bem nessa praça, e aí o Papa Urbano VIII achou bonito e mandou construir a Barcaccia no lugar.

"Spaish Steps".

“Spanish Steps”.

A Barcaccia.

A Barcaccia.

Bem próximo dali, andando pelas ruas cheias de lojas, fomos parar na Piazza del Popolo, onde tiramos foto em cima do leãozinho.

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Eu e Carol em cima do Leãozinho :).

Piazza del Popolo.

Piazza del Popolo.

Saindo da praça, pegamos o metrô para o Coliseu. O metrô de Roma é bem pequeno e tem somente duas linhas: A e B. O meio de transporte mais utilizado é o bom e velho ônibus mesmo. Apesar de não ser o meio principal, o metrô é muito útil para os turistas pois passa por muitos dos principais pontos turísticos da cidade.

Foi emocionante sair da estação de metrô e dar de cara com o tão famoso Coliseu lá, grandão e faltando um pedaço como eu estava acostumada a ver nas fotos. Na entrada tem varios guias oferencendo tours em grupos, e acho que vale a pena para quem se interessa por história, porque lá dentro as informações são meio que espalhadas e eu não consegui encontrar onde pegava os fones de ouvido que estavam sinalizados em alguns pontos do museu. De qualquer forma, o legal era olhar os objetos encontrados nas escavações e também as ilustrações de como o local era utilizado antigamente.

Eu, felizona no Coliseu.

Eu, felizona no Coliseu.

Lá dentro.

Lá dentro.

Bem ao lado do Coliseu ficam o Palatino e o Foro Romano. Foi o segundo local onde entramos com o Roma Pass. Começamos subindo o Palatino, passando pelas ruínas do palácio de Augustus. Foi lá no Palatino que Rômulo e Remo foram encontrados pela Loba, dentro de uma caverna.

Logo abaixo do Palatino fica o Foro Romano, que foi o centro do império romano por séculos, onde aconteciam os discursos, as festas e as brigas de gladiadores (quando o coliseu ainda não tinha sido construído). O Foro é repleto de ruínas de prédios antigos importantes, e é muito legal ficar ali olhando para o que parece uma cidade destruída e imaginar tudo funcionando, com pessoas caminhando, conversando e comprando coisas nos mercados de rua.

Foro Romano.

Foro Romano.

De tardinha fomos ao castelo de Sant’Angelo, que já fica do outro lado do rio, mais perto da nossa casa (e do Papa, hehe). Como esses dias longuíssimos de verão da Europa enganam muito, nem percebemos que chegamos lá já passava das sete e o castelo estava fechado :(. Mesmo assim, foi legal passear um pouco ali por fora mesmo, e foi o tempo certinho para chegarmos na ponte de Sant’Angelo e encontrarmos o que menos esperávamos: o “Olodum” da Itália fechando a ponte com a batucada baiana. Foi muito lindo de ver a gringada toda lá, feliz da vida se requebrando ao som dos tambores. A banda era muito boa e o pessoal estava super animado. Toda hora o maestro gritava “Bahia, Bahia!”. Ficamos lá no meio da muvuca até eles irem embora junto com o sol, foi bem legal.

Castelo de Sant'Angelo.

Castelo de Sant’Angelo.

Ponte de Sant'Angelo.

Ponte de Sant’Angelo.

O Olodum da Itália.

O Olodum da Itália.

No dia seguinte, fomos à Fontana di Trevi, que eu ameei mais que tudo em Roma! A fonte tem esse nome porque fica no encontro de três vias (Tre Vie) e as estátuas mostram a história de quando foi encontrado o ponto inicial de um aqueduto que serviu água para Roma durante mais de 400 anos. O ruim é que é lá fica cheio de gente o tempo todo. Ainda assim, eu gostei tanto que insisti para que voltássemos lá na nossa última noite na cidade, para ver como ficava com a iluminação. Mesmo depois tendo que voltar de lá até em casa andando, pois já passava de 1 da madrugada e os onibus param de circular depois da meia noite (andamos uns bons quilômetros), valeu a pena. Queria até ter jogado uma moeda na fonte, e desejar voltar a Roma em breve, mas só tinha moeda de 2 euros na carteira, e aí vcs sabem como funciona, né.

Fontana de Trevi.

Fontana de Trevi. As estátuas mostram os romanos procurando pela fonte de água com a ajuda da virgem.

Depois da Fonte fomos conhecer as Termas de Caracalla, que era um complexo de piscinas aquecidas, construída a mando do imperador Caracalla. A água era aquecida no subsolo, onde eram queimados madeira e carvão. O local é bem grande (na época, tinha até uma biblioteca dentro), e somente uma pequena parte está aberta para visitação, o resto fica interditado por conta das escavações. Durante o verão acontecem encenações e apresentações de ópera. Quando fomos lá, tinha um palco todo decorado, mas não estava tendo apresentação nenhuma. Para entrar lá tem que pagar (8 euros, se não me engano), mas aí a gente arriscou passar o Roma Pass, depois de já termos usado no Coliseu e Palatino, e funcionou normalmente.

Termas de Caracalla.

Termas de Caracalla.

Ilustração de como era o local na época do Império Romano.

Ilustração de como era o local na época do Império Romano.

Próximo às Termas, ficava o segundo lugar que eu mais queria conhecer em Roma: A Via Appia. Eu tinha visto uma foto muito bonita no instagram, de uma “via” que é a mais antiga estrada que funciona até hoje, construída em 312 antes de Cristo, e guardei aquilo na minha cabeça. Quando cheguei lá em Roma foi que eu lembrei que era a Via Appia, e aí não poderia perder a oportunidade de conhecer. Fomos andando das Termas até lá, perguntando a um e outro como chegar, e depois de muito tempo encontramos. Andamos muito lá dentro, tentando chegar ao local da foto (sou dessas), mas não conseguimos. Pesquisando depois, li uma citação de um poeta romano que dizia que “A via Appia é a rainha das estradas longas.” Então, né, ainda bem que depois de certo tempo, desistimos e fomos esperar na sombra pelo ônibus que passava de cajú em cajú para voltar pra casa, porque senão até hoje estaríamos lá, procurando o local da foto.

Na Via Appia.

Na Via Appia.

"The Appian Way is the queen of the long roads".

“The Appian Way is the queen of the long roads”.

Como ainda estava claro (como em qualquer hora antes das 23:00), fomos ao Pantheon também. O lugar estava tão socado de gente, que mais parecia um formigueiro. O jeito foi tomar um gelato bem gostoso por lá e depois ir pra casa.

Pantheon socado.

Pantheon socado.

À noite fomos em busca de Pizza, em um restaurante que tivesse Wifi. Notei que isso não muito comum em Roma, pois os estabelecimentos que tinham, colocavam avisos bem visíveis pra mostrar e atrair clientes. Depois de certo tempo de procura, fomos parar em um lugar perfeito, em uma daquelas vielas típicas italianas. Depois, de cabeça e barriga cheias, foi que voltamos à Fontana di Trevi (e depois andamos até em casa).

Fontana de Trevi à noite.

Fontana de Trevi à noite.

O dia seguinte já era o dia de virmos embora. A gente acabou se atrapalhando com os horários do voô (pensamos que seria às 17 h, mas era às 11h), e aí não deu pra cumprir com o planejado, que era de conhecermos o Vaticano na manhã do último dia. Sendo assim, acordamos beeem cedinho pra pelo menos ver a cidade do Vaticano, mesmo sem ter tempo pra entrar na basílica e no museu. Valeu a pena, só de ter entrado e visto como é lá dentro, e olhado a basílica de fora.

Eu e Rafael de mochila no Vaticano.

Eu e Rafael, no Vaticano, de mochila nas costas.

Amei ter conhecido Roma, e acho que gostaria até de passar mas dias por lá. Já ouvi relatos de pessoas que não gostaram muito da cidade, mas pra mim foi um destino interessantíssimo. Enquanto escrevia aqui, lembrando de todos os momentos, dos lugares bonitos e arborizados, do calor e da comida italiana, já fiquei com saudades de Roma e espero voltar muito em breve.

A única parte ruim, pra mim, foi ter ido à Roma e não ter conhecido o Papa.

Beijos!

Lenita

 

 

 

 

“Hostel, nunca mais!” – Alugando apartamentos para curtir o Holiday.

Esse post de hoje é dedicado aos mochileiros de plantão que querem economizar, mas com dignidade. Depois daquela viagem louca de 21 dias que fiz durante o Easter break, passei a me considerar uma especialista em hostels. Isso porque vivi todo o tipo de experiências boas e ruins que se pode imaginar (relacionadas ao tema hostel) e em um período muito curto de tempo.

Para quem não sabe, um HOSTEL é como um hotel de baixa qualidade, no qual ao invés de alugar um quarto, se aluga uma cama em um determinado quarto, que você possivelmente dividirá com estranhos. Geralmente, tem-se várias opções de quartos, variando a quantidade de camas e o gênero permitido (feminino, masculino ou misto). Uma das vantagens de se viajar em grupo é que as vezes dá pra fechar um quarto só com conhecidos e evitar certos tipos de preocupações.

Para ilustrar as preocupações, vou citar aqui algumas das minhas experiências pitorescas em hostels pelo mundo:

Em Londres, fiquei hospedada em um hostel chamado Hyde Park, em um quarto misto que dividi com VINTE E UMA pessoas, que só possuía DUAS tomadas e o cara que dormia na cama abaixo da minha era muito flatulento. Foi a primeira de muitas vezes que vi caras estranhos de cueca. Vi caras de cueca correndo pelos corredores do hostel, vi caras de cueca saindo do banho… Também já tive que ver piriguetes sem noção trocando de roupa no meio do quarto como se estivessem sozinhas. Como viajamos geralmente eu e Rafael, sempre pegamos quartos mistos, para podermos ficar juntos.

Em Frankfurt, apesar do hostel super limpo e organizado, enquanto tomava banho pela manhã me assustei com o dono do hostel batendo em minha porta e gritando para eu sair do banho que estava demorando demais, e depois me dando bronca dizendo que eu deveria tomar banho à noite, antes de dormir, e não pela manhã, quando tem muita gente querendo usar o banheiro. Isso porque eu era a única pessoa do sexo feminino no local, e ele decidiu que todos os banheiros seriam unissex, por conta da demanda. Também não era permitido carregar a bateria da câmera nas tomadas do hostel, e nem lavar peças íntimas no banheiro (como ter calçolas infinitas para 21 dias de viagem?).

Já fiquei em locais em que não tinha segurança alguma, não tinham armários para guardar a mochila, alguns quartos ficavam abertos para quem quisesse entrar, outros cobravam pelo cobertor (2 euros, o dia!), alguns cobravam para ter acesso ao Wifi, ou tinha horário para dormir, etc.

E em Paris tive uma quase experiência bastante ruim, que narrei nesse post.

Sei que hostel é uma opção barata para aqueles que estão sempre com o orçamento apertadinho e que abrem mão de certas frescuras  para poder aproveitar mais e gastar menos nas viagens, e tem muito hostel bacana por aí e com preço bom, mas às vezes existem meios melhores de economizar com estadia como, por exemplo, alugando apartamentos.

Gente, alugar apartamento é tudo de bom! Falo pelas duas experiências que tive até agora em Paris e em Roma. Não precisei dividir quarto com gente esquisita, não precisei ficar em fila para usar o banheiro, tive máquina de lavar e cozinha à disposição, internet boa, roupa de cama, toalhas, TV, e o mais importante: sem preocupações em levarem minhas coisas embora enquanto eu estou passeando. É realmente muito incomodo sair do quarto e largar a mochila lá para quem quiser vir e roubar minhas roupas, meu secador de cabelos, maquiagens, etc. Depois que uma colega me contou que roubaram sua escova de dentes e pasta de dentro de sua mala, eu não duvido de mais nada do que possam me roubar em um hostel.

Estávamos planejando receber dois amigos do Brasil, que ficariam aqui com a gente por 10 dias. Como planejamos tudo muito em cima da hora, os hostels estavam custando os olhos da cara e alugar apartamento seria uma opção bem mais em conta. Fizemos o aluguel pelo Housetripque nos tinha sido recomendado. Pelo site dá pra olhar todos os detalhes da casa, ler as reviews de quem já alugou, entrar em contato com o dono e fechar o negócio. Tem que ser feito o pagamento completo para que o apto fique reservado. Não tem como que se preocupar, o dinheiro só cai na conta do dono dois dias depois do check in, pra o caso de qualquer problema você poder contactar o House Trip e pedir o refund.

A reserva pelo site é fácil de fazer, como em hostel, só que é necessário ficar atento em pegar a opção “entire apartment” ao invés de “private bedroom”, para não ter que dividir a casa com pessoas estranhas ou até com o próprio dono. O site tem vários filtros de pesquisa, dá pra escolher só entre apartamento com estrutura para cadeirante, ou que tem internet, piscina, que pode levar animais e mais outras coisas. Depois de escolher o apartamento (levando em consideração todas as reviews, sempre), ao invés de fazer a reserva direto, o site bota você em contato com o dono do local, para saber se estará disponível ou não. Se estiver, ele permite que a reserva seja feita, você faz o pagamento e pronto. O próprio site recomenda que se entre em contato com 3 ou mais “Hosts” ao mesmo tempo, para o caso de alguns demorarem a dar uma resposta. O House Trip cobra uma taxa de 3 por cento do valor do aluguel.

Bem, vamos às experiências que tive até o presente momento:

1. Paris

Já tinhamos ido a Paris antes, mas fomos novamente pois nossos amigos queriam conhecer, e nós também não tivemos muito tempo para ir a todos os lugares legais da última vez (contei tudo aqui). A maioria dos apartamentos disponíveis no House Trip ficavam na região de Montmartre, que é próximo de onde ficamos antes, então já sabíamos que era um local legal. Pegamos um apartamento para 4 pessoas, com um quarto com cama de casal e uma sala com sofá-cama. A casa é bem apertadinha, mas completa, com uma cozinha equipada, máquina de lavar, TV e internet boa. Ficamos a poucos metros da estação de metrô, e próximo a lanchonetes, mercadinhos e lojas. A única desvantagem é que o apto fica no quarto andar e não tem elevador. Fizemos a reserva dois dias antes de ir para Paris. Pagamos 280 euros por 3 noites, para 4 pessoas, ou seja, 23.3 euros a diária por pessoa. Lembrando que isso foi em uma época de alta estação. Tirei umas fotos do apartamento, clique na imagem para ver melhor.

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2. Roma

Em Roma, fomos vizinhos do Papa por 4 dias. O prédio ficava bem próximo ao vaticano, era só subir uma escadona. O apartamento era muito bem localizado, próximo à estação de metrô e em frente a um ponto de ônibus (o metrô de Roma não é muito grande, o meio de transporte mais usado é o ônibus), e bem no meio do comércio, com uma infinidade de lojas e restaurantes bem próximos da gente. A casa era bem legal, abrigava até seis pessoas, com dois quartos, dois banheiros e uma cozinha com máquina de lavar. Também tinha ar condicionado nos quartos (ainda bem, porque estava fazendo um calor danado). A diária custou por volta de 85 euros, ou, seja, 28 euros e pouco por pessoa. Seguem as fotos do apartamento.

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Nos dois locais nós nos comunicamos com os “Hosts” por mensagem de celular para marcar de pegar a chave e conhecer a casa. Os dois foram super solícitos e nos ajudaram em tudo o que foi necessário.  No apartamento de Roma tivemos um pequeno estresse, por conta de uma taxa extra que o governo cobra dos turistas (2 euros por dia de estadia na cidade) e que não constava na descrição do site, o que acontecia em outras opções de apartamentos. Fora isso, e o inglês bastante italiano da dona do apto, tudo deu certo.

De um modo geral, achei muito mais vantajoso alugar um apartamento bem localizado do que ficar hospedada em hostel. E ainda  compramos tudo em cima da hora, mas pesquisando os preços no site com antecedência, dá pra pagar uma pechincha para se hospedar em apartamentos bem bacanas. O slogan do site é “Why stay in a city, when you can live in it?”, e, realmente, eu me senti bem mais à vontade vivendo uns dias como moradora em Paris e Roma, do que eu me sentiria me hospedando em um hostel. Meus passeios foram mais tranquilos e despreocupados, fizemos café da manhã, tivemos privacidade e até ferro para passar a roupa!

Adorei minhas experiências iniciais em aluguel de apartamento, espero que também dê certo nas próximas :).

Beijos!

Lenita

Budapeste, onde paguei 8 mil de multa.

Depois de me mandar de Genebra, feliz da vida, em um avião todo cor de rosa da Wizz Air, segui para Budapest. Estava fazendo muito frio e o céu estava completamente fechado quando chegamos lá. Para chegar à cidade, tivemos que pegar um ônibus que, em poucos minutos, nos deixou na estação de metrô de Kobanya Kispest, de onde partiríamos para a estação Corvin-negyed e andaríamos até o hostel. Esse foi o roteiro que o google maps nos deu e que tivemos o cuidado de anotar no celular ainda em Genebra.

O roteiro estava correto e funcionou, mas, bem, não poderia funcionar lindamente, porque sempre algo tem que dar errado, para que a viagem seja inesquecível e eu tenha o que escrever aqui depois.

Antes de sair do aeroporto, fomos ao posto de informações turísticas para catar um mapinha grátis 🙂 e confirmar o local onde pegaríamos o tal ônibus para Kispest. O carinha do posto nos informou que o ônibus a gente pegava bem perto da porta do aeroporto mesmo, que era só ficar lá fora esperando, e que as passagens teriam que ser compradas antes de entrar no ônibus, em uma maquininha que ficava lá fora, logo na saída. E que estava quebrada, mas isso ele não falou pra gente.

Encontramos a maquininha, selecionamos as opções e tentamos colocar o dinheiro dentro, mas ela não puxava. Tentamos algumas vezes e nada. Tudo bem, um pouco mais à frente tinha outra máquina, bem no lugar onde pegaríamos o ônibus. Fomos até lá, mas a máquina só aceitava moedas e não tinha a opção que queríamos, do cartão de passagem válido por 48h, só vendia a passagem única. Voltamos ao posto de informações e o carinha disse que podíamos comprar as passagens na banca de revista que ficava logo ao lado. Na banca de revista também só vendia a passagem única, então compramos somente uma para cada um e fomos pegar o ônibus. Na estação de metrô pararíamos na outra maquininha e compraríamos o bilhete de 48h, que saía muito mais em conta.

Dentro do ônibus tinha uma máquina pequena onde todos iam, colocavam o bilhete dentro e depois tiravam de volta. É o que eles chamam de “validar” a passagem e é obrigatório fazer isso. O ticket fica carimbado com a data e o horário em que o transporte foi usado. O ônibus deixou a gente em um ponto na beira da estrada que dava para uma escada que todo mundo estava seguindo e nós fomos junto. No topo da escada, avistei um carinha fardado com uma roupa preta, com um bloquinho na mão, e algumas pessoas passavam por ele e mostravam o bilhete. Como nós estávamos cheios de mochilas e sacolas na mão, passamos direto e nem ligamos para o que era aquilo. Chegamos à estação e o metrô já estava lá, prestes a partir. Entramos rapidamente naquela lata velha e pixada que saculejava o tempo todo como se fosse desmontar no meio do caminho e fomos embora. Nem olhamos se na estação tinha máquina de ticket ou não, decidimos comprar o risco e, se fosse necessário a gente mostrava o mesmo ticket do ônibus e dava uma de João sem braço.

Chegando lá na estação, bem no topo das escadas rolantes, um time de carinhas fardados nos aguardavam. Eu passei primeiro, uma mulher gordinha pediu para ver o ticket, eu mostrei a ela, ela disse “tudo bem” e eu me mandei. Mas aí Rafael passou depois e um velho gordo com a malícia nos olhos pegou o ticket dele e viu que tinha sido usado no ônibus, e não no metrô, e aí falou “peraê, peraê” para mim (mochilinhas iguais :() e aí eu já sabia que estava tudo ferrado.

O cara chamou a gordinha, deu uma bronca nela em húngaro e depois fechou uma rodinha em torno da gente. Claro, fingimos que não sabíamos que era assim, dissemos que não tínhamos entendido que precisava de tickets diferentes, etc, etc. A gente falou até que não tinha dinheiro, aí ele disse que não tinha problema, um de nós dois podia ir na casa de câmbio na estação mesmo e comprar a moeda e voltar para pagar o que devíamos. A multa era de 8000 forints para cada um. Calma, 8000 forints não é exatamente muito dinheiro. Não foi necessário vendermos nossos celulares e câmera para pagarmos a multa. 8000 forints é o equivalente a uns 20 pounds, que é bastante dinheiro, mas nada que fosse nos levar à falência. Quando chegamos à conclusão que não tinha jeito e não valia continuar aquele constrangimento no meio da estação, entregamos nosso dinheiro sofrido, pegamos nossos recibos e saímos de lá xingando em português e sorrindo.

Moral da história: Não dê uma de espertinho no país dos outros.

Andamos o caminho todo até o hostel, com a promessa de que não pegaríamos nenhum meio de transporte naquela cidade para compensar o gasto imprevisto. Recebemos a orientação de que o hostel Black Apple ficava no primeiro andar de um prédio antigo e  que não tinha nenhuma placa de sinalização, mas que era só tocar o interfone no número x que eles abriam o portão. Entramos em um prédio errado primeiro, que ficava bem perto do correto (tocamos o interfone e alguém abriu pra nós, depois saímos de lá correndo com medo porque o lugar era assustador) e depois finalmente encontramos o prédio certo.

O hostel era bem pequeno e simples, mas aconchegante. Funcionava dentro de um prédio residencial, mas que também tinha outros tipos de estabelecimentos (uma clínica dentária muito suspeita, por exemplo). Lá dentro tem somente uns 3 ou 4 quartos. Pegamos um quarto duplo e saiu bem baratinho. Tinham dois banheiros e dois chuveiros e a cozinha era boa. A moça da recepção era legal também, e ficava dormindo no sofá e vendo filme durante o dia e aí quando alguém chegava ela levantava assustada, com a cara amassada e o cabelo bagunçado para atender. O hostel era assim, bem antiprofissional e sem regras. A internet era nota 10 e funcionava no quarto (provavelmente porque tinham poucos hóspedes para usar). Não tinha café da manhã incluso.

“Sinalização” do Hostel

Cozinha.

Recadinho amigável no banheiro.

A localização do hostel era próximo de boa, ou seja, tivemos que andar bastante para chegar aos locais (já que não pegamos transporte em momento algum, exceto na volta para o aeroporto). Como sempre, no primeiro dia fomos conhecer o terreno e aproveitamos para comprar comidas para a noite o café da manhã seguinte e depois voltamos para descansar e planejar o dia seguinte.

Budapeste é dividida pelo rio Danúbio em Buda e Peste. Acredito que o melhor lugar para se hospedar é em Peste, como fizemos, porque tem mais movimento, mais restaurantes e lojas, enquanto Buda é legal para passear, mas os dois locais tem muita coisa para conhecer e visitar. Ficamos em Budapeste por 4 noites e não conseguimos ir a todos os locais que queríamos porque a cidade é cheia de lugares lindos, com vistas maravilhosas e muita história para conhecer.

Para a nossa alegria, Budapest é cheia daqueles esquemas de Walking Tours, que eu já falei para vocês como funciona. Pegamos o tour saindo da Vorosmarty Square, com duração de 2:30h. Esse tour foi um dos melhores, pois a guia primeiro nos contou toda a história da Hungria, desde quando era apenas uma aldeia, até os tempos atuais e ela não falava apenas sobre as curiosidades, mas contava os fatos históricos com detalhes e também era muito engraçada.

Na Hungria eles têm um idioma próprio, do qual se orgulham muito, que é o húngaro (ou magyar), e que é muito esquisito e complicadíssimo. Em todos os lugares que visitamos, mesmo que não dominássemos o idioma, dava para entender alguma das palavras por conta de algumas semelhanças. Na Hungria não tivemos isso em momento algum. Segundo a guia, a dificuldade está no fato de que toda uma frase em húngaro é aglutinada em uma só palavra. Por exemplo, se eu quero dizer vou ao cinema, ao invés de dizer três palavras, eu falo uma só, com tudo dentro.

Ela também disse que a lingua falada pelo mestre Yoda em Star Wars tem a ver com o húngaro, e que eles meio que entendem o que ele fala (o câmera principal, que esteve presente em todos os filmes era húngaro), e eles também entendem a língua falada pelos ETs em alguns filmes (essa parte eu fiquei na dúvida se era mesmo verdade, haha). Quando fomos comprar água no mercado, tinham vários tipos de cores de tampas, e não tinha como identificar em húngaro qual delas era sem gás. Na dúvida, compramos de dois tipos, e descobrimos que a da tampa rosa é a sem gás. A da tampa azul tinha escrito “szénsavas”, e a rosa tinha escrito “szénsavmentes” que significa água sem gás, imagino.

Outra coisa interessante sobre a Hungria é o dinheiro. O dinheiro da Hungria é o mais legal de todos (para quem não é húngaro), por que a moeda é desvalorizadíssima, e por isso as coisas lá são muito baratas. Dá pra almoçar em restaurante chique, gourmet, e comer muito bem com pouco dinheiro. Depois de passar fome em Genebra, tiramos a barriga da miséria em grande estilo na Hungria :D. Segundo a guia, é por isso que eles não conseguiram entrar definitivamente para a União Européia ainda, porque estão completamente quebrados. Nas palavras dela: “Dinheiro Húngaro é como dinheiro de banco imobiliário: notas altas, bonitas, você pode brincar com elas, mas não servem para comprar nada”.

Inclusive, por experiência própria, aconselho quem for visitar a Hungria a deixar para comprar a moeda lá mesmo, porque é mais desvalorizada ainda e a gente sai lucrando com isso ;). Compre mesmo só uma parte antes, para alguma despesa emergencial, lanche, ou pagamento de multa, hehe. Um dia desses, esvaziando minha bolsa encontrei um papel dobrado e quando abri, olhem só o que era:

Hungarian Forint.

Hungarian Forint.

Estou tentando passar para qualquer um por 1 pound (interessados, me procurem).

Começamos o tour em Peste, depois atravessamos a Chain Bridge (claro!), e passamos para Buda.

A Chain Bridge (ponte das correntes) foi desenhada por um engenheiro inglês (por isso a semelhança com a Tower Bridge de Londres), foi bombardeada e destruída na segunda guerra, e reconstruída e inaugurada 100 anos depois.

Chain Bridge

Chain Bridge

Em Buda, logo depois que atravessamos a ponte, subimos uma série de escadas que levam para a parte alta da cidade, onde ficam o Buda Castle (o castelo de Buda), Fishermen’s Bastion, Mathias Church, e outras construções muito bonitas. O Fishermen’s Bastion é um castelinho muito fofo, que foi construído para substituir uma antiga fortaleza que ocupava esse lugar, que é bem estratégico, pois fica no alto e na beira do Danúbio. O lugar é cheio de arcos e janelões de onde dá pra ver o parlamento, que fica em Peste.

Fishermen's Bastion

Fishermen’s Bastion.

Vista do parlamento lá longe.

Buda Castle

Buda Castle.

Igreja de São Mathias

Igreja de São Mathias – Esse telhado é muito lindo e é típico de lá.

A cidade toda é dividida em distritos, que são tipo bairros. Nós ficamos hospedados no VIII discrict, e no VII é onde ficam alguns dos pontos turísticos de Peste. O distrito onde ficam as construções da foto é o Buda Castle District. No dia seguinte, voltamos a esses locais à noite e, pra mim, essa foi a parte mais sensacional da viagem. Budapeste é conhecida como “A Paris do Oriente”, porque à noite a cidade ganha brilho e fica completamente iluminada, mas, na verdade, se eu tivesse que escolher entre uma das duas, elegeria Budapeste a mais deslumbrante com toda a certeza. Só de olhar as fotos, já fico com saudade daquele lugar.

Chain Bridge à noite.

Chain Bridge à noite.

Peste, vista do Buda Castle à noite.

Peste, vista do Buda Castle à noite.

Gresham Palace. Olhem que coisa linda é esse hotel à noite.

Gresham Palace. Olhem que coisa linda é esse hotel à noite.

O Parlamento, que parece mais um castelo da Disney.

O Parlamento, que parece um castelo da Disney.

Pela manhã, um lugar lindo de visitar é o Gellert Hill, que é um parque enorme que toma toda uma montanha e durante a subida tem várias “varandinhas” para se sentar e ficar apreciando a paisagem em volta do Danúbio. Lá em cima tem a estátua da liberdade da Hungria e mais uma estátua de um carinha triste com um cavalo e abraçando um castelinho, que eu não sei o que representa, pois não entendo húngaro, mas achei bonitinho assim mesmo.

Gellert Hill.

Gellert Hill.

Voltando para o lado de Peste, ainda tem muitos locais incríveis para conhecer. Um deles é a igreja de St. Stephens, que foi o primeiro rei da Hungria, e que é o santo mais popular do país. Dizem que dentro da igreja está a mão direita dele, e que outras partes de seu corpo estão espalhadas por outros países, de tão querido que ele era. A igreja é mesmo muito linda e rica em detalhes. De vários pontos da cidade dá pra ver a igreja porque ela é muito grande e alta.

Igreja de St. Stephens.

Igreja de St. Stephens.

Na beira do rio circula a linha 2 do metrô, que é considerada a linha mais bela do mundo. Ela percorre todo o Danúbio pelo lado de Peste, passando, dentre outros locais, pelo parlamento, e custa somente o preço da tarifa normal (350 forints, se não me engano). Vale muito mais a pena do que pagar um sightseeing. Inclusive, andar pela beira do Danúbio é perigoso, em qualquer hora do dia, e em qualquer um dos lados, então não vale a pena arriscar uma caminhada a pé.

Linha 2.

Linha 2.

Próximo ao Pest Redout, que é outro prédio lindo onde funciona um concert hall, tem uma feirinha de comidas e artesanatos típicos que funciona durante toda a semana, mas aos sábados é ainda mais legal. É um excelente lugar para provar comidas típicas e comprar lembrancinhas. Tudo é muito colorido, os cheiros das comidas é delicioso e os preços não são caros. Foi nessa feirinha que comprei vários docinhos lindos, grandes e coloridos, e aí quando fui comer parecia massinha de modelar só que doce, uma coisa horrível.

Feirinha.

Feirinha.

Artesanatos coloridos.

Artesanatos coloridos.

Docinhos para olhar.

Docinhos para olhar apenas.

Nesse dia teve até música ao vivo, estava acontecendo um festival da primavera, foi bem legal e durou até a noite.

Para encerrar o post, mais uma curiosidade aprendida na Hungria: O “Alô”, que tanto usamos para atender o telefone, e que não temos idéia de onde surgiu, na verdade é de uma saudação Húngara (“Hallo, que eles pronunciam como “Alô” mesmo) que significa “Eu sei que você está aí” ou algo semelhante, por conta do assistente de Thomas Edison, que era Húngaro e usava essa palavra para testar o telefone. Legal, né?

Budapeste é um destino que eu super indico, porque é um lugar lindo, de custo muito baixo e com muita coisa para fazer. Vale a pena pesquisar antes os locais interessantes para visitar (e são muitos), para não acabar se perdendo pela cidade com tanto lugar legal para conhecer.

Ah, e não esqueçam de comprar e validar seus tíckets!

Beijos,

Lenita