Santorini, a ilha do vulcão e das praias exóticas.

Chegamos ao porto de Athinios, em Santorini, ainda de manhã. O trajeto Creta-Santorini foi super tranquilo, em um ferry grande e chiquezinho (ui) e durou pouco mais de duas horas. O pessoal do hotel foi buscar a gente lá no porto (em Sanorini e Mykonos eles costumam fazer isso), o que foi muito bom pois nas ilhas é meio difícil de usar o transporte público logo no começo.

Santorini é uma ilha montanhosa, cuja maior parte habitada fica no topo das montanhas. De frente para a ilha fica um vulcão (que ainda está em atividade, detalhe), que anos atrás entrou em uma grande erupção e dividiu o que era uma ilha só em três. A maior delas é Santorini, depois Thirássia e a outra é o próprio vulcão. Acredita-se que é daí que surge a história de Atlântida, a cidade que desapareceu no mar em um dia. Atlântida seria a civilização Minóica que habitava a ilha na época e que foi destruída por terremotos e tsunamis, deixando apenas uma cratera coberta de água entre as ilhas. Acredita-se que os moradores da ilha foram embora antes de ela sumir do mapa, provavelmente logo quando começaram os terremotos, pois não foram encontrados ossos humanos e nem objetos de ouro durante as escavações.

Fira, Santorini.

Fira, Santorini.

O Vulcão de Santorini

O Vulcão de Santorini

Ficamos hospedados em Fira, que é a principal vila, em um hotel chamado Vila Anemone. O hotel era bem legal e ficava a 10 minutos do centro, mas como a ilha é uma montanha, sendo que o centro é no topo, quanto mais afastado do centro for o local, mais se tem que subir, e a subida é bastante íngreme, então eu não recomendaria esse hotel só por isso.

Geralmente quem vai pra Santorini fica em Fira ou em Oia, que é uma outra vila. Fira é maior, mais movimentada e com mais opções de hotéis e restaurantes baratos. Oia tem mais hotéis luxuosos e os restaurantes são mais caros também. Em Fira fica a estação de onde partem os ônibus para todas as praias e os principais pontos de Santorini. O sistema de ônibus da ilha é muito bom, por sinal. Todos os ônibus são confortáveis e com ar-condicionado e o valor da tarifa varia entre 1,6 a 2,2 euros, dependendo do lugar para onde se está indo. Todos os pontos de ônibus têm uma timetable com os horários. Alugar carro/moto/ATV também é uma boa opção para circular pela ilha, e os preços são bons.

Já no primeiro dia, depois de chegar no hotel, largar as malas e botar o bikini, partimos para a praia de Kamari. As praias de Santorini são o que há de mais exótico na face da terra. Não sei se é por conta da tal história do vulcão, mas as praias de lá são as mais diferentes que já vi na vida.

Kamari é uma praia de areia preta e água azulzinha, que fica próxima à vila de Kamari. A praia é bem popular e cheia de espreguiçadeiras e sombreiros que dá pra alugar. Na beirada ficam vários restaurantes com preços até bons, e também lojas e hotéis chiques. Ficamos umas horas na praia e depois, como ainda faltava muito para escurecer, decidimos encarar a longa e interminável subida para o sítio arqueológico de Tira antiga, que é onde ficava a capital da ilha antigamente.

Kamari Beach

Kamari Beach

Vila Kamari

Vila Kamari

Muita chiquesa, mas eu fiquei foi na canga mesmo, haha.

Muita chiquesa, mas eu fiquei foi na canga mesmo, haha.

A subida (360m) é realmente muito íngreme e tem dois caminhos: 1. o do carro, que é pela pista, mais fácil e bem mais longo e 2. o bem mais curto, que é uma escalada pelas pedras, e quando chega no final, na verdade ainda está na metade (onde os dois caminhos se juntam e ainda tem subida como a zorra). No dia em que fomos estava ventando muito, e o vento empurrava a gente na direção do penhasco. Tinha horas que a gente tinha que ficar abaixado, de cócoras, esperando o vento passar, ou então ele ia levar a gente embora. Sério.

Fira antiga, 35 min.

Fira antiga, 35 min.

Na metade do caminho.

Na metade do caminho.

Depois de muito subir, chegamos lá e damos de cara com o museu fechado. Pelo menos valeu a vista de Kamari lá de cima.

No dia seguinte foi a vez da Red Beach (os próprios gregos chamam assim). A praia realmente é vermelha!

O ônibus deixou a gente no pé de uma praia próxima, e de lá tivemos que andar por cima de umas pedras para conseguir chegar até lá. No meio do caminho, nos perdemos (a gente sempre se perde, mesmo quando não tem como se perder) e aí um cachorrinho nos encontrou e nos ajudou a chegar à praia. Como já disse, as ilhas gregas são entupidas de cachorros que não são de ninguém, e são de todo mundo ao mesmo tempo. Eles encostam em um turista, e seguem ele forever, até que apareça alguém mais interessante. Ouvi dizer que já teve muito turista que foi seguido na caminhada de Fira até Oia (mais de 10km).

O Cão-Tour seguindo Rafael

O Cão-Tour seguindo Rafael

Tinha lido na internet que a praia ficava super lotada depois do meio dia, então acordamos bem cedinho e pegamos o primeiro ônibus que ia pra lá. Quando chegamos lá, a praia estava bem vazia, uma beleza. A praia é maravilhosa. A areia é vermelha e a água é azul bem clarinha. Quando estávamos indo embora, paramos no alto da montanha para tirar fotos, e era engraçado ouvir as pessoas que acabavam de subir olharem lá pra baixo e dizerem “Oh, my God!”, impressionados com o lugar.

Red Beach, Santorini.

Red Beach, Santorini.

Bem próximo à praia fica o sítio arqueológico de Akrotiri, que era uma cidade que foi destruída pelos terremotos e pela erupção do vulcão. Como toda a cidade ficou coberta de material vulcânico, ficou tudo muito bem conservado mesmo depois de tantos anos. Dessa vez não precisamos fazer escaladas perigosas, mas quando chegamos lá estava fechado e tinha um aviso de que os funcionários tinham entrado em greve.

No centro de Fira tem várias agências de turismos, oferecendo diversas opções de tours pelas ilhas. Compramos o tour para o vulcão por 15 euros (estava em promoção, o preço normal é 19 euros), e em todas as empresas o valor era igual. Tinham duas opções de tour que incluíam o vulcão, uma era em um barco grande que tinha o chão de vidro que as crianças gostavam de ficar olhando e incluía uma visita aos hot springs, que é um lugar que tem as águas quentes por causa do vulcão, e depois a visita ao próprio; e o outro era em um barquinho de madeira, de tardinha, que passava pelo vulcão, mas não podia descer lá, e que terminava em Oia, pra ver o pôr-do-sol. Esse último custava 25 euros. É claro que a gente preferiu pegar o que tem a opção de descer no vulcão e ainda por cima é mais barato.

O tour foi incrível, exceto pelo fato de que o áudio guia estava com um som abafado e não dava para ouvir nem entender nem uma palavra. O barco saiu do porto antigo, e pra chegar lá tivemos que descer uma escada sem fim e cheia de mulas. E, como onde tem mula tem cocô de mula também, tivemos que aguentar 588 degrais de puro fedor. Maaaaas…a vista é linda :).

Escada para o porto antigo de Fira.

Escada para o porto antigo de Fira.

A primeira parada do barco foi nos hot springs, onde quase morri afogada no mar. Explico: Eu não sei nadar, só sei “nadar” cachorrinho. Quando eu perguntei para o carinha da empresa se ele tinha alguma bóia ou colete ele disse que não, mas que eu podia ficar no barco mesmo, como muitas pessoas ficam. E teria sido uma boa escolha. Mas só que eu queria muito aproveitar tudo o que eu pudesse da Grécia, e, na minha cabeça, seria o máximo nadar nas águas quentes e vermelhas do vulcão. Primeiro eu fiquei olhando as pessoas descerem do barco e saírem nadando. Me pareceu uma coisa tão simples e espontânea, que eu simplesmente pulei no mar e fui também.

Hot Springs

Hot Springs

Pra encurtar a história: Não aguentei 3 min “nadando” e já estava muito cansada, tive que pegar carona em Rafael, que estava indo devagarzinho do meu lado (e, por isso, cansado também). Levamos mil anos para chegar até a parte rasa e quente. E se eu não aguentei a ida, a volta foi pior ainda. Fiquei nervosa, engoli água e quase morri lembrando que estava em um lugar muito fundo, e que se eu parasse ali, já era. Rafael também estava cansado (servindo de guincho, coitado) e continuamos os dois, nadando, nadando e parecia que o barco se afastava e eu não queria nem morrer, nem balançar os braços pra cima pedindo ajuda, já que eu ainda não estava me afogando de verdade. Por fim, conseguimos alcançar o barco e eu decidi que preciso tomar aulas de natação urgentemente, e até lá jamais me arriscarei a nadar novamente.

Depois dos hot springs, seguimos no barco até o vulcão, onde fomos deixados por 1.5h, para explorar à vontade. Para entrar na ilha tem que pagar uma taxa de 2 euros, de preservação ambiental. O vulcão é bem grande e interessante de olhar, mas não tem lavas borbulhantes como nos filmes (ooh :(). Em vários pontos tem instrumentos de monitoramento do vulcão, que são energizados por painéis solares em miniatura. A última vez que o vulcão entrou em erupção foi em 1956, e muito provavelmente isso ainda vai ocorrer mais vezes no futuro, por isso o monitoramento.

Dentro do Vulcão, aimeudeus.

Dentro do Vulcão, aimeudeus.

Na volta, como a gente é raça ruim, decidimos subir os 588 degrais até Fira, e depois ficamos lá de cima, tirando fotos das casinhas e do vulcão. Pra mim, o lugar mais bonito de Santorini é no topo daquela escada. Quando chegamos no hotel, estava passando Avenida Brasil na tv Alpha. Em português mesmo, com legendas em grego. Tive que assistir, né! haha

quinhentos-e-oitenta-e-oito fucking degraus.

quinhentos-e-oitenta-e-oito-fucking-degraus.

As mulas

As mulas

Na manhã seguinte, fomos à praia de Perissa, que parece muito com Kamari. A areia é preta e a água é cristalina. A areia não é tão arenosa quanto a das praias que a gente está acostumado. Parecem mais umas pedrinhas pretas bem pequenininhas, e quando bate qualquer vento elas voam, pinicando o corpo da gente todo, é uma droga. Fiquei até sem querer tirar fotos, pois toda hora vinha uma chuva de pedrinhas e eu ficava com medo de pegar na lente da câmera e arranhar. Por causa disso, fiquei a maior parte do tempo na água mesmo, treinando natação.

Perissa, Santorini.

Perissa, Santorini.

Á tarde, decidimos fazer a tão famosa peregrinação de Fira a Oia, para então assistirmos ao pôr-do-sol de lá. Nenhum cachorro nos seguiu. Quando chegamos em Oia, já fomos logo garantir o nosso lugarzinho para assistir ao pôr-do-sol, pois eu tinha lido que ficava muito cheio e era bom chegar umas duas horas antes. As pessoas falam tanto desse pôr-do-sol, que eu estava esperando algo esplêndido, magnífico, mas quando finalmente aconteceu, achei tão normal, que nem bati palmas nem nada. Quem já viu o sol se pondo no Farol da Barra é que sabe o que é pôr-do-sol bonito..

Pôr-do-Sol em Oia.

Pôr-do-Sol em Oia.

Voltamos de Oia em um ônibus socado de gente e, no dia seguinte, acordamos cedo e pegamos o bus para o porto. 3 horas depois chegamos em Mykonos, a ilha da loucura-loucura-loucuraa.

Beijos!

Lenita