Trilha da Cachoeira da Fumaça – Chapada Diamantina

Há um tempinho atrás, fui com uns amigos ao Vale do Capão, na Chapada Diamantina. Alugamos uma casa em uma aldeia hippie sem eletricidade, mas com um precinho que cabia no nosso orçamento de estudantes, e ficamos quase uma semana por lá. Além de curtir a natureza e fugir de sermos mordidos/picados por ela, também fizemos trilhas e conhecemos algumas das belas cachoeiras da Chapada.

Uma trilha maravilhosa e que dá pra fazer sem guia é a da Cachoeira da Fumaça. Subimos uma altura de 340m, em uma trilha que durou umas 3h para chegar ao topo da segunda maior cachoeira do Brasil.

Vista maravilhosa da fumaça

Vista maravilhosa da fumaça

A trilha é bem demarcada e fácil de encontrar. Quando estávamos no início, tinha um carinha na porta de um restaurantezinho, no pé da montanha, recitando poesias doidas, de como a Fumaça desafia a lei da gravidade e faz Isaac Newton “se remexer no túmulo”. Rimos da cara dele. Sabe nada de física. Voltando à trilha, o difícil é mesmo a subida, que é muito íngreme e as pedras são bem lisas e escorregadias. Ao longo do percurso, tem alguns pontos de onde temos uma vista linda do Vale lá em baixo, e dá pra sentar um pouquinho para recuperar o fôlego.

Quase na metade já.

Quase na metade já.

Não é preciso muito preparo físico, mas equilíbrio e um pouco de persistência para aguentar a subida sem fim. Depois de muito tempo subindo, já tínhamos parado umas duas vezes para descansar, e então encontramos um casal descendo. Quando perguntamos a eles se já estava perto de chegarmos à cachoeira, a mulher respondeu que nós estávamos “quase na metade do caminho”. Lágrimas de dor.

Quando já estava pensando que a trilha não teria fim, começou a chuviscar. Já estava abrindo a boca para resmungar. Olhei pro céu, tudo limpo e ensolarado. Não era a chuva, era a cachoeira jorrando água para cima.

Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça

A Cachoeira fica em um ponto tão elevado que, antes de chegar lá em baixo, o vento empurra toda a água para cima, em gotinhas perfeitamente esféricas, como se não houvesse gravidade mesmo. A vista é maravilhosa, fiquei encantada. Se a gente chegar beeem na pontinha da pedra, dá pra ver que lá em baixo só tem uma poça pequena, provavelmente de água da chuva, já que não cai nada da cachoeira lá. Fiquei lá na pedra, tirando várias fotos, até que o guardinha de segurança (que eu nem sabia da existência) me deu um grito, falando pra eu me afastar da borda. Tomei um susto que quase caio. Fiquei até com medo de voltar pra beira do abismo, mas depois voltei para tirar aquela foto clássica de aventureira.

uhuuuu na borda

uhuuuu na borda