Manaus, onde conheci um outro Brasil.

Minha mais recente viagem foi um “mochilão” pelo norte do país, mais especificamente nos estados do Amazonas e Pará. Foi uma daquelas viagens espremidinhas entre compromissos, por isso não pude conhecer todos os lugares que tinha pesquisado, mas fiquei com muita vontade de voltar e fazer um mochilão bem demorado, conhecer mais cidades e vilas e esticar até o Roraima também.

Como estava indo sozinha, poderia organizar a viagem ao meu modo, então decidi arriscar, comprando somente a passagem de ida, com chegada em Manaus, e a volta, por Belém. Esses seriam os limites da minha vida programada e cronometrada. Todo o resto seria decidido ao longo da própria viagem. Queria curtir com o máximo de liberdade. Não queria ter que sair de alguma cidade só pra não perder alguma passagem ou reserva de acomodação. Quantos dias em Manaus? Quantos dias em Santarém? Não sabia. Tudo seria resolvido no feeling. Deu certo.

Em Manaus foi onde passei a maioria dos dias. Fiquei encantada com a cidade. Em Manaus conheci o Teatro Amazonas, onde fiz um tour guiado completo e também assisti a um espetáculo de dança gratuito à noite, sentadinha naquelas cadeiras majestosas de almofadas vermelhas, me sentindo a madame fazendeira do látex em 1896. Comi o Tacacá da Gisela, o que me rendeu um momento constrangedor de confusão de como tomar aquela “sopa” com folhas e camarões sem uma colher, mas com dois palitos? Digo a vocês: não só comi tudo sem me humilhar a bancar a turistona e pedir uma colher de plástico, como saí de lá meio alucinada depois de mastigar aquelas plantinhas, e passei o resto do dia extremamente relaxada. Me disseram que não tinha nada a ver com a comida, mas eu juro que aquele tanto de jambu que eu comi me deu alguma coisa hahaha.

Teatro Amazonas, Manaus.

Teatro Amazonas, Manaus.

Tacacá, com jambú alucinógeno.

Tacacá, com jambú alucinógeno.

Fui ao INPA, vi o peixe-boi (lindo, gordinho e fofuxo), a ariranha, um peixe elétrico, umas plantas gigantescas e outras esquisitices. Fiz sélfie com as plantas e comprei colarzinho de açaí com as índias por lá também. Fiz amizade com duas biólogas, fomos ao MUSA, o Museu da Amazônia- lugar maravilhoso, com um mirante que dá pra ver a grandiosidade que é a floresta, com suas árvores compridíssimas e frondosas. Fomos ao Manauara, o shopping em formato de folha, que tem um buritizal bem no meio da praça de alimentação, onde comi o melhor hamburguer de tambaqui da minha VIDA. Perambulei pelo centro comercial fervente de Manaus, comprei bijouterias, vestido de hippie, pente de madeira, uma rede e um cadeado para o armário do hostel (que foi o que eu saí pra comprar, a princípio). Comi bananinha frita salgada, bananinha frita doce, pirarucú frito, sorvete de açaí e tapioca com castanha do pará – que lá não pode falar que é do Pará porquê “castanha é castanha, não é do Pará”. Corri de manhã cedo no parque Jeferson Peres, onde fui surpreendida por uma tempestade do cão, que apareceu DO NADA, e me fez voltar para o hostel encharcada.

Selfie com as árvores, no MUSA.

Selfie com as árvores, no MUSA.

Na minha última noite na cidade, fui ao famoso bar do Armando,  acompanhada de uma norueguesa, dois dinamarqueses, um casal não sei de onde e uma alemã, que depois descobri que era a minha colega de quarto, que chegava nas madrugadas tropeçando em tudo e insistindo em subir para a cama de cima do beliche, apesar de estarem livres todas as quatro camas de baixo, mais acessíveis a uma pessoa muito cansada/bêbada/drogada. Não me lembro como, do meio pro fim acabamos juntando as mesas com três manauaras (uma mulher, um homem e uma menina de uns 19 anos) e a partir daí a coisa foi ficando inusitada. No fim das contas, acabei no papel de interprete, formando dois casais, sendo que um deles era formado pela garota manauara e a minha querida colega de quarto. Loucuras de viagens.

Durante o tempo que passei em Manaus, fiquei hospedada no Hostel Manaus e achei perfeito. Me movimentei pela cidade de ônibus e não tive dificuldade alguma. Bastava dar uma pesquisada na internet, e já encontrava as opções de ônibus, às vezes no próprio site do local onde queria ir, como no caso do INPA. Na ida do aeroporo ao hostel, fui de ônibus também e foi bem tranquilo. Não gastei muito dinheiro por lá. A hospedagem, comida e tickets de entrada nos lugares saíram por um preço bem legal. Os manauaras são muito gentis e receptivos, me lembraram um pouco o jeito baiano de receber as pessoas.

Manaus tem parque, tem museu de floresta e tem museu-museu. A cidade ainda tem praia de rio, shopping, arena da Amazônia e bar flutuante. Manaus é cidade grande e desenvolvida e há muito o que fazer, mas em nada se parece com as outras cidades grandes aqui do Brasil. O norte é como um outro país, com outros hábitos, outras comidas, outras características étnicas e outros valores. O turismo em Manaus me pareceu ser mais valorizado pelos estrangeiros do que pelos próprios brasileiros. Quando falei para os meus amigos que iria para lá, muitos ficaram intrigados. Conhecer esse outro Brasil é abrir a mente, é experimentar e viver coisas novas.

Saí de Manaus de barco, rumo a Santarém, no Pará (daí a necessidade de comprar uma rede no meio do mochilão, não sou doida). Não vou mentir, fiquei com vontade de esticar por mais uns dias, mas também queria conhecer selva, queria me enfiar no meio do mato, aquilo ainda estava muito civilizado pra mim hahaha.

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Um dia para Conhecer Ilhéus

Em Janeiro do ano passado, fui a Ilhéus na “ponga”, com a família de uma amiga. Foi meio que de surpresa, pois estávamos voltando do reveillon e então eles decidiram dar uma passada lá para visitar a família. Adorei o desvio de caminho, pois ainda não conhecia a cidade histórica do cacau e estava muito curiosa. Minha passagem por Ilhéus foi breve, praticamente um dia só, mas deu pra ver muita coisa legal e sentir o clima do lugar. Fiquei com muita vontade de voltar e ficar mais tempo. Depois dar um pulinho em Itacaré, porque né…

O centro histórico da cidade se mistura com o centro comercial, e fica tudo pertinho da orla, num clima bem descontraído e praiano. A gente vai passeando pelas lojas, e daqui a pouco, OPA!, aquilo ali é a casa de Jorge Amado? Anda mais um pouquinho e EPA!, é o Vesúvio ali mesmo? Bem assim, tudo ao mesmo tempo.

Bataclan, Ilhéus.

Bataclan, Ilhéus.

Começamos o passeio pelo famosíssimo Bataclan. O cabaré que ficou famoso graças ao romance Gabriela, Cravo e Canela, onde parte do dinheiro do ciclo do cacau foi dignamente gasto. Hoje em dia, lá funciona um restaurante bem chiquezinho, todo decorado com muitas plumas em tons de rosa choque, quadros com dançarinas de can can e tudo o que lembre os tempos antigos da propriedade de Maria Machadão.

Interior do Bataclan.

Interior do Bataclan.

Bataclan, Ilhéus.

Bataclan, Ilhéus.

Dizem que existe uma passagem secreta entre o Bataclan e o Vesúvio, o bar do “seu Nacib”. Os coronéis diziam às esposas que estavam apenas indo tomar umas ali no bar, e iam mesmo, mas depois seguiam direto para o cabaré. Práticos e espertos.

Vesúvio, Ilhéus.

Bar Vesúvio

Por ali também fica a lindíssima Catedral de São Sebastião. Bem de frente para o Bataclan e para o bar.

Catedral de São Bento.

Catedral de São Bento.

Andando mais um pouquinho, chegamos à casa onde morou Jorge Amado. A Casa de Cultura foi uma das coisas que mais gostei por lá. Tem tudo da história do escritor, a visita é guiada e a entrada é muito baratinha (menos de 5 reais, se não me engano). Sou apaixonada por Jorge Amado. Um dos meus livros preferidos da vida é Capitães da Areia. Lá eu descobri uma novela chamada “Lenita”, amei. Preciso ler.

Casa da Cultura de Jorge Amado.

Casa da Cultura de Jorge Amado.

Janela com vista para a Catedral.

Janela com vista para a Catedral.

Meu nome, meu nome, meu nome!

Meu nome, meu nome, meu nome!

O último ponto que visitamos foi o Cristo, que fica na Praia do Cristo. Não tem muito o que falar, é só uma estátua no meio do estacionamento. Olhamos, tiramos foto, depois fomos tomar sorvete. Esqueci o nome da sorveteria, mas ela fica bem em frente ao vesúvio e o sorvete é muuito bom!!

No fim da tarde ainda fomos passear em uma praia cujo nome não lembro. Gostei muito da cidade e fiquei com vontade de voltar, até porque não comprei nenhum daqueles chocolates com formatos interessantes. Fiquei devendo isso pras amigas.

Fim de Tarde no Cristo Redentor

Na primeira vez que fui ao Rio de Janeiro, não fui ao Pão de Açúcar, nem ao Cristo Redentor (mesma coisa que não ir ao Rio de Janeiro). Estava apenas de passagem, rumo a Paraty. O pouco do que vi, foi lucro. Na segunda vez que fui ao Rio, realmente fui ao Rio. Me permiti uma semana na Cidade Maravilhosa, para garantir que teria tempo suficiente para fazer não só os programas mais turísticos, mas também outros que tinha pesquisado e achado interessantes.

Levei anotada uma lista de tudo o que eu queria conhecer na cidade. Esse foi todo o meu planejamento. Não tinha um roteiro definido. Faria o que me desse vontade, na hora que desejasse. Essa é uma das vantagens de viajar sozinha. Acordava cedo, decidia o lugar por onde começariam minhas andanças, e o resto eu negociava comigo mesma ao longo do dia. Fiz uma programação ao meu modo, demorando bastante em cada lugar que visitava e curtindo de verdade minha viagem.

No meu terceiro dia no Rio, eu tinha acordado bem cedo, passeado pelo Comércio, Lapa, Cinelândia, Escadaria de Selaron, etc, e, depois de um almoço às 3 da tarde, estava buscando um progama mais tranquilo para fechar o dia. Voltei ao hostel para descansar um pouco e, conversando com um pessoal, descobri que o lugar de onde partiam as vans para o Corcovado ficava bem pertinho dali, na Praça do Lido. Ainda estava cedo, dava tempo de tomar um banho para renovar as energias e partir para conhecer o mais famoso cartão postal do Rio de Janeiro. Last, but not least.

Rapidinho, cheguei à Praça do Lido, localizei a bilheteria, que estava vazia, comprei o ingresso e fui direto para a van. Fiquei surpresa. Achei que ia encontrar uma fila gigantesca, e que iria ter que esperar uns 20 minutos para pegar a van. Também pensei que o programa fosse me custar R$ 62, mas, como estava em baixa temporada, paguei “somente” R$ 51. Onze reais mais rica. Yay.

Em poucos minutos, já estava ziguezagueando nas curvas do Corcovado, e chegamos aos pés do Cristo, eu e meu pau de sélfie. Lá em cima estava bem tranquilo, não tinha muita gente, e o entardecer deixava a paisagem ainda mais bonita.

O próprio.

O próprio.

Morri com uma vista dessas.

Morri com uma vista dessas.

As fotos que tirei no celular foram por água abaixo literalmente, por conta desse triste episódio, mas, por sorte, eu tinha levado a câmera boa, então ainda fiquei com uma parte dos registros do passeio. Perdi minhas sélfies. Lágrimas. Mas aí eu conheci um tailandês lá, que veio falar comigo, porque pensou que eu fosse tailandesa também. Não é a primeira vez que isso acontece (preciso conversar com meus pais sobre isso, não pareço com nenhum dos dois). Aí, fizemos aquela velha troca de favores fotográficos. Obviamente, as fotos que eu tirei dele ficaram muito boas, harmoniosas e bem enquadradas, enquanto que eu ganhei isso em troca:

Zoom na cara da tailandesa

Zoom na cara da tailandesa

Ele até que foi legal, e se ofereceu para deitar no chão e tirar aquela foto clássica pegando o cristo todo, mas eu premeditei que não daria certo, e eu ainda teria que retribuir o favor e deitar no chão também, então No, thank you e bye.

Fiquei por lá, esperando o sol se por, observando o céu mudando de cor, até que uma menina pequena que aparentava ter uns 7 anos (ou 6, ou 5, não sei dizer idade de criança), se instalou do meu lado e começamos a conversar sobre blush e batom. Quando a conversa estava ficando boa, a mãe dela apareceu, meio desesperada, achando que a menina já tinha descido sozinha. Me agradeceu por estar conversando com ela e foram embora. Voltei para minha solidão. Afim de compartilhar o momento, liguei o wifi (sim, você leu certo!) e tirei uma foto pelo snapchat. Veni, vidi, tá provado.

Por-do-sol na Tijuca

Por-do-sol na Floresta da Tijuca

Veneza, a “più bella” da Itália.

Cheguei à estação de Santa Lucia pela manhã e quando saí pela porta, estava cercada de água. Tinha chegado em Veneza. Bem à minha frente estava o Canal Grande, o maior e mais extenso dos canais de Veneza. Na entrada da estação ficam os taxis aquáticos, que na verdade são barcos motorizados, e por ali também passa o vaporetto, que também é um barco motorizado só que grande, como se fosse um ônibus. Preferimos andar até o hostel. Provavelmente gastamos o dobro do tempo necessário para chegar até lá, porque não tinha como não parar em cada ponte para curtir a paisagem, e em cada ruela para tirar umas fotos. A cidade é simplesmente muito bonita, não tem como andar apressado sem querer olhar tudo com calma e registrar cada detalhe.

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Entrada da estação de Santa Lucia, à direita. No canto, o “ponto de ônibus” e o vaporetto  chegando no meio do canal.

E fomos andando, mochila pesada nas costas e câmera pendurada no pescoço, nos perdendo e nos encontrando pelo labirinto de ruas estreitas de Veneza. Subimos ponte, descemos ponte, pelo meio das lojinhas e restaurantes simples, nos perdemos e nos achamos umas 50 vezes. A cidade me lembrou muito Marrakesh, só que bem menos bagunçada e talvez ainda mais agradável por conta disso.

Finalmente chegamos ao hostel – na descrição dizia que era um Bed&Breakfast, mas sem breakfast, ou seja, hostel. O lugar era muito bom, por sinal, localização excelente, uma vista linda pela janela, banheiros chiquezinhos, quartos organizados, etc. Um dos melhores em que já me hospedei (Venice Hazel, recomendo). O segredo para pegar uma boa localização em Veneza é escolher um local próximo à praça San Marco, que é a praça principal da cidade. Tivemos apenas uma surpresa bem desagradável que foi a cobrança de uma taxa para a utilização de roupas de cama (como se algum mochileiro fosse viajar carregando lençol, fronha, cobertor e travesseiro nas costas), mas a qualidade da estadia acabou compensando esse detalhe. Além disso, assim como em outras cidades da Itália é obrigatório o pagamento de uma taxa diária de alojamento para a prefeitura, que não lembro quanto custa, mas é algo em torno de 1 euro ou 2.

Antes de conhecer Veneza eu não conseguia imaginar como parecia e funcionava uma cidade que tem água pelo meio. Primeiramente, a parte de Veneza que a gente conhece e vê na tv não é tudo. Veneza possui uma parte em terra firme chamada Mestre, que é o centro administrativo e a parte mais populosa, apesar de meio desconhecida. As duas partes são interligadas pela Ponte Della Libertà. E quanto a Veneza ilha, bem, lá não circulam carros, apenas barcos. As ambulâncias são lanchas, a polícia e os bombeiros circulam em lanchas e lá tem o “barco do lixo” (ficamos praticamente 4 dias na cidade e vimos tudo isso). Ao longo do Canal Grande encontram-se vários pontos de ônibus por onde o vaporetto passa. O vaporetto possui várias rotas, incluindo também ilhas e ilhotas vizinhas, mas não passa pelos demais canais, que são mais estreitos. Entre os canais pequenos circulam os barcos particulares e as gôndolas.

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“Ambulanza”

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Gondoleiros e gôndolas estacionadas.

Veneza é uma cidade cara. A viagem que fiz foi em dezembro, mas mesmo sendo baixa temporada o preço de tudo estava bem elevado. O transporte em Veneza é o mais caro de todas as cidades que já visitei, e a alimentação também tem um custo muito alto. A tática para economizar é procurar pelas pizzarias delivery onde se pode comer uma boa pizza por um preço baixo. Muitos restaurantes cobram uma taxa somente para sentar e utilizar a mesa, e mais outra taxa pelo serviço do local. Geralmente essa taxa está escrita no menu do lado de fora, mas é bom perguntar assim mesmo, para não acabar pagando mais caro no final.

Apesar de pequena, Veneza tem muuita coisa para se conhecer. Começando pelas muitas igrejas. Veneza tem mais de 120 delas, umas bem diferentes das outras e todas lindas. A maior de todas é a igreja de Santa Maria della Salute, construída na época em que a cidade estava sendo devastada pela praga, como uma espécie de oferta para que o povo ficasse livre das doenças.

Basílica de Santa Maria della Salute

Basílica de Santa Maria della Salute, Veneza.

Basílica de Santa Maria della Salute.

Basílica de Santa Maria della Salute.

E se a quantidade de igrejas já é bem grande, imaginem só o número de pontes: mais de 400! E a mais famosa é a Ponte Rialto, que fica sobre o Canal Grande. A ponte abriga várias lojinhas e é o portão de entrada para o Mercado Rialto, onde se pode encontrar as famosas máscaras de carnaval de Veneza. É o ponto perfeito em Veneza para tirar fotos do canal e dos barcos indo e vindo.

Ponte Rialto

Ponte Rialto

Mercado Rialto, Veneza.

Mercado Rialto, Veneza.

Vista da Ponte Rialto.

Vista da Ponte Rialto.

A segunda ponte mais famosa de Veneza é bem menorzinha, mas igualmente linda, e foi projetada pelo sobrinho do cara que projetou a Ponte Rialto, a Ponte dos Suspiros.

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Ponte dos Suspiros, Veneza.

A Ponte dos Suspiros liga o Palácio Ducale à Prisão da cidade. A ponte era justamente por onde passavam aqueles que foram condenados em julgamento no Palácio, em direção à prisão, ou seja, onde eles veriam a cidade pela última vez antes de serem presos, daí o nome.

O Palácio Ducale foi construído como um símbolo da riquesa de Veneza, e possui um estilo bem próprio veneziano, que pode ser encontrado em muitas das outras principais construções da cidade (como na maioria dos grandes hotéis, com janelas de arcos góticos e um estilo meio árabe). Hoje abriga um museu, onde se pode visitar também a Ponte dos Suspiros e a prisão.

Palácio Ducale, Veneza.

Palácio Ducale, Veneza.

O palácio fica na Piazza San Marco, onde fica também a Basílica de San Marco, que estava em restauração, e também a Campanilha de San marco e a Torre do Relógio, que tem dois carinhas de metal que batem o sino a cada hora fechada.

Campanilha de San Marco

Campanilha de San Marco

Torre do Relógio, Veneza.

Torre do Relógio, Veneza.

Praça San Marco

Praça San Marco

Quando a gente está em Veneza, olhando aquelas gôndolas passeando pra lá e pra cá, não tem como não ficar com vontade de fazer o passeio pelos canais. Pelas minhas pesquisas, o valor do passeio era 100 euros, o que eu achei muito caro e por isso fiquei um pouco desanimada. De qualquer forma, como estávamos em 4, poderíamos dividir a gôndola e aí o preço já ficaria melhor, então não descartamos completemente a idéia, mas fomos conhecendo outros lugares e meio que deixando pra lá. Mas aí uma hora lá no finalzinho da tarde passamos por uns gondoleiros e um deles veio perguntar se a gente queria o serviço. Passamos direto (nos fizemos de difíceis, hehe) e aí ele falou que já tava no final do expediente, e nos ofereceu o passeio por 60 euros. Claro que aceitamos!

E valeu muuuito a pena! Foi bem do jeito que eu queria, o gondoleiro estava usando a roupinha listrada, ele contou algumas histórias pra gente, cantou, assoviou e ainda fez o favor de fazer cara de modelo na hora que eu “discretamente” tirava fotos dele, hehe.

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O gondoleiro, Rafael e eu.

O passeio é muito legal, dá pra ver a cidade de um ângulo completamente diferente, passar por debaixo das pontes e ouvir as histórias, é uma coisa de filme mesmo. Recomendo muito. Gravei um pedacinho do passeio mas ficou um pouco escuro pois já estava anoitecendo. De qualquer forma, achei que seria legal compartilhar aqui:

E assim se encerrou nossa viagem a Veneza. Além disso, ainda tivemos tempo para visitar algumas ilhas próximas à cidade, mas isso já é assunto para um próximo post :).

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Ciao Venezia!

Beijos!

Lenita

Um dia em Milão

A última viagem que fiz durante o intercâmbio foi um mochilão pela Itália, começando por Milão. Teria apenas um dia para conhecer tudo e no dia seguinte já seguiria de trem para outras cidades, então já fomos seguindo meio que um roteiro em sequência (roteiro perfeito para um dia, montado por uma amiga também intercambista que está morando lá, pra que melhor, né? :)).

Começamos pelo Castello Sforzesco, que é um castelo que abriga vários museus em seu interior, e que também possui um jardim lindíssimo na parte de trás. A entrada no castelo é gratuita mas para visitar os museus é preciso comprar o ticket, que não me lembro quanto custa.

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Castelo Sforzesco, Milão.

Jardim do Castelo

Jardim do castelo

Castelo Sforzesco.

Castelo Sforzesco

Quando saímos do castelo, tinha uma muvuca das grandes do lado de fora, a “Babbo Running”, que é a corrida do Papai Noel. Simplesmente a rua principal estava lotada de pessoas loucas, todas fantasiadas de Papai Noel, e prontas para saírem correndo pelas ruas. No site do evento diz que mais de 10 mil pessoas apareceram fantasiadas para correr.

Babbo Running

Babbo Running e os 10 mil doidos na frente do castelo (foto do site do evento).

Quando conseguímos sair do meio do ataque de papais noéis, fomos direto ao que nos interessava mais em Milão: O Duomo. A praça do Duomo estava muuuito cheia de gente. Turistas de todos os locais fotografando aquela catedral linda e imponente, riquíssima em detalhes por dentro e por fora. Antes mesmo de entrar eu já estava bem impressionada com a catedral e aí, quando eu entrei, tinha uma orquestra tocando lá dentro, acompanhando o coral da igreja. Foi muito emocionante, lindo mesmo.

Duomo di Milano

Duomo di Milano

Detalhes do Duomo.

Detalhes do Duomo.

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Coral durante a missa na catedral

Também de frente para a Piazza del Duomo fica a Galleria Vittorio Emanuele II, onde ficam as grifes mais conhecidas (onde as chinesas compram Prada com o troco da merenda) e também alguns cafés e restaurantes. Próximo à galeria fica a sorveteria famosa, conhecida como a que tem o melhor gelatto de Milão, a Cioccolati Italiani. O lugar fica tão cheio que é necessário pegar senha, mas até que não demora e o sorvete é mesmo muito gostoso.

Galleria Vittorio Emanuele II

Galleria Vittorio Emanuele II

Gelatto!

Gelatto! (atenção especial para a torneira de chocolate *o*)

Essa foi a nossa programação durante o dia. Quando anoiteceu, fomos curtir Milão como os locais, no Naviglio Grande, que é um dos canais construídos como caminhos de transporte de pessoas e mercadorias (inclusive sendo utilizados para carregar o mármore da construção do Duomo), mas que cairam em desuso, sendo substituídos por automóveis. Hoje em dia, na beira do canal ficam vários restaurantes interessantes e as pessoas circulam por ali de noite. Fomos em um restaurante bem legal e que na verdade é um barco! O melhor de tudo era o modo como funcionava: a gente paga 10 euros e escolhe alguma bebida, que pode ser uma taça de vinho, cerveja, algum drink, etc, e depois pode comer o quanto quiser do buffet, que inclui vários petiscos e até pizza. Ao que parece, muitos dos restaurantes/bares de lá funcionam nesse esquema. O nome do bar que eu fui era Flamba.

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Naviglio Grande, Milão.

Depois de comer toda a comida possível, fomos embora nos preparar para a viagem do dia seguinte: Veneza!

Beijos!

Lenita

Sintra, a vila mais charmosa de Portugal

Bem pertinho de Lisboa fica Sintra, uma vila lindíssima e cheia de construções históricas, cada uma representando algum período da história e todas muito bem conservadas. O local já foi dominado por romanos, muçulmanos e espanhóis, e por isso cada um de seus palácios e castelos possui características bem diferenciadas.

Entre as principais atrações da vila está o Palácio da Pena, uma das sete maravilhas de Portugal, e que inicialmente era um convento dedicado a Nossa Senhora da Pena. O palácio fica bem no alto da serra (que é muuito alta e é difícil/demorado de subir andando) e tem um parque enorme em volta dele, com jardins, lagos e animaizinhos.

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Palácio da Pena, Sintra.

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Palácio da Pena, Sintra.

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Palácio da Pena, Sintra.

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Parque do Palácio da Pena, Sintra.

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Parque do Palácio da Pena, Sintra.

Palácio da Pena, Sintra.

Palácio da Pena, Sintra.

Os ingressos podem ser comprados na bilheteria do palácio mesmo, e os tickets para adultos (em 2013) custam 6 euros, somente para entrar no parque (o que já vale muuuito) e 11 euros para entrar no parque+palácio. Como geralmente as visitas a Sintra são de um dia só, se estiver com pressa para ir aos outros palácios também, eu recomendaria visitar somente o parque mesmo, que para mim é o mais bonito.

A uma distância caminhável do Palácio da Pena está o Castelo dos Mouros. O castelo, construído no período do domínio muçulmano na região, também fica no alto da serra, em uma localização estratégica de onde se tem uma visão do Palácio da Pena, do Palácio da Regaleira e também do Palácio Nacional. O castelo não possui ambientes interiores, como salas ou quartos, mas somente a fortificação exterior.

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Castelo dos Mouros, Sintra

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Castelo dos Mouros, Sintra.

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Castelo dos Mouros, Sintra.

É incrível pensar que esse castelo foi construído há mais de mil anos atrás e ainda hoje podemos passear por dentro da muralha e subir as escadas até o ponto mais alto. O castelo tinha o objetivo de vigiar a cidade de Lisboa, e não Sintra, mas no fim das contas não deu muito certo pros mouros e eles foram vencidos de qualquer jeito.

O Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena foram as duas atrações que visitei, mas Sintra tem muitos outros parques e palácio igualmente lindos e que valem muito a visita, como por exemplo a Quinta da Regaleira e o Palácio de Monserrate. Para quem pretende visitar mais de uma atração é bom comprar tudo junto pois tem desconto. Os preços das atrações e os horários de funcionamento podem ser encontrados nesse site.

Para circular pelas atrações da cidade existem ônibus que percorrem os circuitos turísticos, passando pelos parques e que você pode descer e pegar ele novamente quantas vezes quiser durante o dia (hop on-hop off). O que eu peguei, por exemplo, custou 5 euros, e foi o que circula pelo circuito da Pena, passando também pelo Castelo dos Mouros. Poderia ter pego ele quantas vezes quisesse no dia usando o mesmo bilhete. Esse ônibus é da cidade mesmo, não é aquele vermelho de empresa de turismo, que é mais caro (se você não se importar com o aperto e a muvuca dentro do ônibus, vale dar uma economizada). As tarifas e rotas podem ser encontradas nesse site.

Como lá em cima tem poucas ou quase nenhuma opção de locais para comer, quem não quiser perder tempo descendo novamente para a vila somente para almoçar, eu aconselho levar sua própria farofa e fazer uma pausa para merendar em um dos parques mesmo. Ah, e também é bom usar sapatos confortáveis e levar sua garrafinha de água. E prepare a câmera para o local mais fotogênico de Portugal!

E para chegar a Sintra a partir de Lisboa a opção mais prática é pegar o trem na estação de trem (muito linda!) do Rossio e pegar o “comboio” para Sintra mesmo. O trem é rápido, bem confortável e tem uma periodicidade boa. Não lembro quanto custou, mas acho que era menos que 3 euros o bilhete. Descendo na estação de Sintra, é só andar um pouco e já se encontra a vila.

Beijos!

Lenita

O que há de mais bonito em Porto.

Planejando conhecer “Purrrtugal”?

Vou começar esse post com algumas dicas de palavras que eles usam por lá e que podem causar confusão na cabeça da gente. Se eu tivesse pesquisado alguma coisa assim antes de viajar, teria sido mais fácil pra mim 🙂 então, lá vai:

Se quiser tomar um suco em Portugal, tem que pedir um sumo.

Para se movimentar pela cidade, ao invés de ônibus, se pega o autocarro. Ao invés de bonde, se pega o elétrico. E ao invés de um trem, se pega o comboio.

Se quiser saber onde fica o banheiro, tem que perguntar pela casa de banho.

pequeno almoço nada mais é que o nosso café-da-manhã.

E o almoço do meio-dia lá se chama grande almoço. Mentira.

Fiz essa viagem no início do mês passado e já estava bem frio. Confesso que estava esperando passar um calorzinho e até levei na mala roupas mais frescas mas elas ficaram todas bem escondidinhas por baixo dos casacos. O casacão que usaria somente para ir e voltar do UK foi a minha farda obrigatória de todos os dias. Decepção.

Em compensação, fez sol o tempo todo, o que fez parecer que a cidade era ainda mais bonita.

Porto não é tão colorida quanto Lisboa, mas eu achei ainda mais bonita. Porto tem azulejo nas paredes das igrejas e na estação de São Bento. Porto parece maior, mais espaçosa, mais desenvolvida. Porto tem o Douro, o rio que fica dourado ao entardecer. Porto tem Gaia à sua frente, onde ficam as caves dos famosos vinhos do Porto. Do que vi de Portugal, gostei mais de Porto.

E vou começar pela parte mais encantadora da cidade, a região da Ribeira.

Ribeira, Porto.

Ribeira, Porto.

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Ribeira, Porto.

Foi lá que Portugal começou, à beira do rio Douro. A Ribeira é uma região muito antiga, de casas velhas e vizinhos que se conhecem. O lugar legal para ter uma bela vista da Ribeira é na ponte Luís I. De um lado da ponte, Porto, e do outro lado Gaia, uma outra cidade. Os autênticos vinhos do Porto ficam armazenados em Gaia. Basta atravessar a ponte e encontrar a mina de ouro.

A ponte D. Luís I também é conhecida como simplesmente ponte Luís I, pois diz-se que o rei resolveu não comparecer à cerimônia de inauguração da ponte que levava seu nome, portanto os portuenses resolveram tirar o “dom” do nome da ponte. Rá.

Outro ponto com uma vista encantadora é o Pátio da Sé, onde fica, adivinhem só, a Sé do Porto.

Pátio da Sé, Porto.

Pátio da Sé, Porto.

Você sabe de onde veio a palavra “azulejo”? Vem do fato de que quando os portugueses chegaram à Índia, somente eles de toda a Europa tiveram acesso à uma tinta de coloração azul. Essa ficou sendo a marca de portugal, a cerâmica pintada com tinta azul. É possível ver os azulejos nas paredes de algumas igrejas e também no interior da lindíssima estação de São Bento.

Igreja decorada com azuleijos.

Igreja decorada com azulejos.

Estação de São Bento por dentro.

Estação de São Bento por dentro.

Estação de São Bento por fora.

Estação de São Bento por fora.

Isso foi o que vi no primeiro dia. De noite fomos em um barzinho bem legal chamado Museu D’avó, cheio de pestiscos portugueses gostosos e que tem uma decoração bem inusitada, parecendo mais um quintal velho cheio de tranqueiras (daí o nome). E mais tarde ainda fomos passear pela cidade e acabamos cruzando com alguns pedintes meio agressivos pelas ruas (aconteceu ao menos umas 3 vezes) e achamos melhor não voltar para “casa” muito tarde.

No nosso último dia atravessamos a ponte D Luís e fomos conhecer Vila Nova de Gaia. Aqui abro um parêntese: No dia anterior, fizemos um walking tour (ironicamente, em inglês mesmo) e a guia só chegou ao ponto de encontro uns 20 minutos depois do horário. Enquanto falava sobre o jeito português de ser, ela citou a questão de não respeitarem horários e estarem sempre atrasados, o que foi motivo de risos entre o pessoal, obviamente.

Pois bem, tinha olhado os horários de funcionamento das caves que queria conhecer e vi que todas ofereciam o tour a partir das 10 da manhã. Chegamos à Krohn por volta das 10:15h e estava tudo vazio. A porta estava aberta. Entramos, circulamos pelo local, fizemos o nosso próprio tour lendo as plaquinhas e explicações e só depois apareceu um rapaz, dizendo que o tour ainda não ia começar, pois o guia ainda não tinha chegado, mas que a gente podia subir para fazer a prova quando quiséssemos. Ok. Terminamos lá em baixo e subimos, fizemos a prova e depois fomos embora. Essa empresa oferece os tours com a prova no final gratuitamente.

Cave Krohn

Cave Krohn

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Cave Krohn

Fomos então conhecer a outra cave, a da Ferreirinha. A Ferreirinha foi uma mulher que veio de uma família rica e precisou assumir as vinhas da família em uma época em que a coisa não era fácil para as mulheres. Ela soube administrar tudo sozinha, cuidou das dívidas, fez investimentos e gerou muitos empregos na região em uma época de grandes dificuldades, e por isso se tornou uma pessoa muito querida entre os portuenses.

Chegamos à cave e, novamente um atraso, o tour só seria feito a partir das 11:30! Decidimos esperar mesmo. E valeu a pena. O tour foi bem legal, conhecemos todo o local e tivemos explicações sobre os tipos de vinhos, onde são armazenados, quais os cuidados necessários, etc. No final, fizemos a prova (de novo, hehehe). Não lembro exatamente quanto custou, mas foi algo em torno de 5 euros.

Cave Ferreirinha

Cave Ferreirinha

Barrilzão

Barrilzão

A melhor parte :)

A melhor parte 🙂

Quando terminamos, atravessamos a ponte e fomos em busca de algum lugar legal para comer. Finalmente provamos o tão comentado bacalhau com natas, que é muuito bom! Encontramos um restaurante chamado Farol da Boa Nova, que tem uma vista linda bem de frente para o Douro e o preço é bom. Outra comida típica de Porto, mas que tá mais pra lanche, é esse poço delicioso de gordura aqui:

Francesinha

Francesinha

A Francesinha. É tipo um misto, só que com linguiças e carne/frango, queijo por fora e regado em um molho de tomate.

E pra finalizar, uma dica de onde ficar em Porto: O melhor hostel da vida, limpíssimo e bem confortável. O nome é Pilot Hostel. Escolhi ele porque era tipo o mais barato da lista e me surpreendi com a qualidade.

Então é isso,

Beijos!

Lenita