Veneza, a “più bella” da Itália.

Cheguei à estação de Santa Lucia pela manhã e quando saí pela porta, estava cercada de água. Tinha chegado em Veneza. Bem à minha frente estava o Canal Grande, o maior e mais extenso dos canais de Veneza. Na entrada da estação ficam os taxis aquáticos, que na verdade são barcos motorizados, e por ali também passa o vaporetto, que também é um barco motorizado só que grande, como se fosse um ônibus. Preferimos andar até o hostel. Provavelmente gastamos o dobro do tempo necessário para chegar até lá, porque não tinha como não parar em cada ponte para curtir a paisagem, e em cada ruela para tirar umas fotos. A cidade é simplesmente muito bonita, não tem como andar apressado sem querer olhar tudo com calma e registrar cada detalhe.

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Entrada da estação de Santa Lucia, à direita. No canto, o “ponto de ônibus” e o vaporetto  chegando no meio do canal.

E fomos andando, mochila pesada nas costas e câmera pendurada no pescoço, nos perdendo e nos encontrando pelo labirinto de ruas estreitas de Veneza. Subimos ponte, descemos ponte, pelo meio das lojinhas e restaurantes simples, nos perdemos e nos achamos umas 50 vezes. A cidade me lembrou muito Marrakesh, só que bem menos bagunçada e talvez ainda mais agradável por conta disso.

Finalmente chegamos ao hostel – na descrição dizia que era um Bed&Breakfast, mas sem breakfast, ou seja, hostel. O lugar era muito bom, por sinal, localização excelente, uma vista linda pela janela, banheiros chiquezinhos, quartos organizados, etc. Um dos melhores em que já me hospedei (Venice Hazel, recomendo). O segredo para pegar uma boa localização em Veneza é escolher um local próximo à praça San Marco, que é a praça principal da cidade. Tivemos apenas uma surpresa bem desagradável que foi a cobrança de uma taxa para a utilização de roupas de cama (como se algum mochileiro fosse viajar carregando lençol, fronha, cobertor e travesseiro nas costas), mas a qualidade da estadia acabou compensando esse detalhe. Além disso, assim como em outras cidades da Itália é obrigatório o pagamento de uma taxa diária de alojamento para a prefeitura, que não lembro quanto custa, mas é algo em torno de 1 euro ou 2.

Antes de conhecer Veneza eu não conseguia imaginar como parecia e funcionava uma cidade que tem água pelo meio. Primeiramente, a parte de Veneza que a gente conhece e vê na tv não é tudo. Veneza possui uma parte em terra firme chamada Mestre, que é o centro administrativo e a parte mais populosa, apesar de meio desconhecida. As duas partes são interligadas pela Ponte Della Libertà. E quanto a Veneza ilha, bem, lá não circulam carros, apenas barcos. As ambulâncias são lanchas, a polícia e os bombeiros circulam em lanchas e lá tem o “barco do lixo” (ficamos praticamente 4 dias na cidade e vimos tudo isso). Ao longo do Canal Grande encontram-se vários pontos de ônibus por onde o vaporetto passa. O vaporetto possui várias rotas, incluindo também ilhas e ilhotas vizinhas, mas não passa pelos demais canais, que são mais estreitos. Entre os canais pequenos circulam os barcos particulares e as gôndolas.

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“Ambulanza”

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Gondoleiros e gôndolas estacionadas.

Veneza é uma cidade cara. A viagem que fiz foi em dezembro, mas mesmo sendo baixa temporada o preço de tudo estava bem elevado. O transporte em Veneza é o mais caro de todas as cidades que já visitei, e a alimentação também tem um custo muito alto. A tática para economizar é procurar pelas pizzarias delivery onde se pode comer uma boa pizza por um preço baixo. Muitos restaurantes cobram uma taxa somente para sentar e utilizar a mesa, e mais outra taxa pelo serviço do local. Geralmente essa taxa está escrita no menu do lado de fora, mas é bom perguntar assim mesmo, para não acabar pagando mais caro no final.

Apesar de pequena, Veneza tem muuita coisa para se conhecer. Começando pelas muitas igrejas. Veneza tem mais de 120 delas, umas bem diferentes das outras e todas lindas. A maior de todas é a igreja de Santa Maria della Salute, construída na época em que a cidade estava sendo devastada pela praga, como uma espécie de oferta para que o povo ficasse livre das doenças.

Basílica de Santa Maria della Salute

Basílica de Santa Maria della Salute, Veneza.

Basílica de Santa Maria della Salute.

Basílica de Santa Maria della Salute.

E se a quantidade de igrejas já é bem grande, imaginem só o número de pontes: mais de 400! E a mais famosa é a Ponte Rialto, que fica sobre o Canal Grande. A ponte abriga várias lojinhas e é o portão de entrada para o Mercado Rialto, onde se pode encontrar as famosas máscaras de carnaval de Veneza. É o ponto perfeito em Veneza para tirar fotos do canal e dos barcos indo e vindo.

Ponte Rialto

Ponte Rialto

Mercado Rialto, Veneza.

Mercado Rialto, Veneza.

Vista da Ponte Rialto.

Vista da Ponte Rialto.

A segunda ponte mais famosa de Veneza é bem menorzinha, mas igualmente linda, e foi projetada pelo sobrinho do cara que projetou a Ponte Rialto, a Ponte dos Suspiros.

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Ponte dos Suspiros, Veneza.

A Ponte dos Suspiros liga o Palácio Ducale à Prisão da cidade. A ponte era justamente por onde passavam aqueles que foram condenados em julgamento no Palácio, em direção à prisão, ou seja, onde eles veriam a cidade pela última vez antes de serem presos, daí o nome.

O Palácio Ducale foi construído como um símbolo da riquesa de Veneza, e possui um estilo bem próprio veneziano, que pode ser encontrado em muitas das outras principais construções da cidade (como na maioria dos grandes hotéis, com janelas de arcos góticos e um estilo meio árabe). Hoje abriga um museu, onde se pode visitar também a Ponte dos Suspiros e a prisão.

Palácio Ducale, Veneza.

Palácio Ducale, Veneza.

O palácio fica na Piazza San Marco, onde fica também a Basílica de San Marco, que estava em restauração, e também a Campanilha de San marco e a Torre do Relógio, que tem dois carinhas de metal que batem o sino a cada hora fechada.

Campanilha de San Marco

Campanilha de San Marco

Torre do Relógio, Veneza.

Torre do Relógio, Veneza.

Praça San Marco

Praça San Marco

Quando a gente está em Veneza, olhando aquelas gôndolas passeando pra lá e pra cá, não tem como não ficar com vontade de fazer o passeio pelos canais. Pelas minhas pesquisas, o valor do passeio era 100 euros, o que eu achei muito caro e por isso fiquei um pouco desanimada. De qualquer forma, como estávamos em 4, poderíamos dividir a gôndola e aí o preço já ficaria melhor, então não descartamos completemente a idéia, mas fomos conhecendo outros lugares e meio que deixando pra lá. Mas aí uma hora lá no finalzinho da tarde passamos por uns gondoleiros e um deles veio perguntar se a gente queria o serviço. Passamos direto (nos fizemos de difíceis, hehe) e aí ele falou que já tava no final do expediente, e nos ofereceu o passeio por 60 euros. Claro que aceitamos!

E valeu muuuito a pena! Foi bem do jeito que eu queria, o gondoleiro estava usando a roupinha listrada, ele contou algumas histórias pra gente, cantou, assoviou e ainda fez o favor de fazer cara de modelo na hora que eu “discretamente” tirava fotos dele, hehe.

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O gondoleiro, Rafael e eu.

O passeio é muito legal, dá pra ver a cidade de um ângulo completamente diferente, passar por debaixo das pontes e ouvir as histórias, é uma coisa de filme mesmo. Recomendo muito. Gravei um pedacinho do passeio mas ficou um pouco escuro pois já estava anoitecendo. De qualquer forma, achei que seria legal compartilhar aqui:

E assim se encerrou nossa viagem a Veneza. Além disso, ainda tivemos tempo para visitar algumas ilhas próximas à cidade, mas isso já é assunto para um próximo post :).

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Ciao Venezia!

Beijos!

Lenita

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